sábado, 26 de junho de 2010

Suicidas ilustres 05: Ana Karenina

Ficção. O drama se passa na Rússia, final do século XIX. Ana Karenina, esposa de um frio aristocrata moscovita, arrisca a saúde, a estabilidade social e a guarda do filho ao se envolver em um caso extraconjugal. Cheia de idéias e questionamentos a respeito da vida, de espírito intenso, confuso e atormentado, ela se apaixona por um oficial de cavalaria que reúne em si atributos sedutores, é jovem, atraente, rico, levando uma vida fácil, cheia de prazeres. Tolstói nos mostra como eles se tornam vítimas de suas próprias escolhas, reconhecem seus erros mas, sem forças para reagir, sucumbem ao desespero. Ele nos mostra essa relação como a primeira etapa, negativa ainda, de um suposto processo de elevação moral que só é alcançado pelo outro casal da trama. Liêvin, um homem simples, carente, rejeitado, se casa com Kitty, jovem sadia e confiante. Eles não carregam a carga dolorosa do primeiro casal e descobrem a tempo a banalidade do mundo de fáceis triunfos, representando a maturidade dos casais mais capacitados para a felicidade. Pessoalmente, senti-me mais atraído pelas questões e relação do casal que termina em tragédia, o outro me parece muito mais ligado ao plano do ideal do que ao real. Schopenhauer explica o porquê.
O cinema realizou cinco versões da obra, a primeira em 1927, e a mais recente em 1997, que teve a feliz particularidade de usar a maravilhosa música de Tchaikovsky, contemporâneo de Ana Karenina e de Tolstói. Recomendo o livro.

7 comentários:

  1. Será que a estridência dramática das Anas Kareninas e seus amantes é inconciliável com a lentidão tépida dos casais Liêvin e Kitty?
    Será que é possível experimentar o insaciável sabor dos amores atormentados de Tristão e Isolda, Abelardo e Heloísa, Rodin e Camille e temperá-los suavemente com a calma arrastada dos amores Neruda e Matilde, Saramago e Pilar, Jorge Amado e Zélia?
    Ou isso seria muita ilusão?

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  2. Nossa vc Anonimo é uma enciclopédia ou melhor biblioteca ambulante? nossa sua memória requer elogios. Parabéns. Isto sim que é gostar de ler. O resto é só vontade de acertar. Bjs

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  3. Ah ia me esquecemdo, vc vive na realidade ou só nos contos? Perdoe minha indiscrição. Nem tão pouco considere como dor de cotovelo ou desdem não tá ?Bjs

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  4. Resposta ao ânonimo 2:
    Obrigada pelo elogio. Já li bastante sim, mas muito menos do que eu gostaria.
    Na verdade, tenho os pés bem fincados no chão e, quando o mundo fica muito chato, o que não é raro, pego emprestadas as asas dos artistas.
    Um beijo,
    Marcia

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  5. DR° MAURICIO SOCORRO PELO AMOR DE DEUS PRECISO DE AJUDA!!!! DANIELLI

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  6. Legal Márcia, é que fico indignada com pessoas que tem memória previlegiada, eu não consigo ou não quero, ou não gosto sei lá´o que é mas meu nível de concentração é grande mas em se tratando de memorizar........ sou totalmente devagar.Desde os tempos de escola.Tenho facilidade para guardar número de telefone e outras coisas, mas não sou fisionomista, passo as vezes constrangimento quando chego num lugar a pessoa se dirige a mim e eu quem é vc? é sério não é bincadeira não. Amei o carinho que vc demonstrou em sua resposta. Agradecida. Bjs Magali

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  7. A proibição, moral, leis, consciência, chame do que for, é o que permite esse tipo de amor.

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