terça-feira, 31 de agosto de 2010

Suicidas ilustres 09: Romeu e Julieta


Este não é um conto de fadas, não tem final feliz. Shakespeare devia estar muito mal ao escrever esta peça, dizem que foi durante o luto pela morte de seu filho, não sei. Baseia-se em uma lenda supostamente verídica, muito narrada na Idade Média, retratando as famílias dos Montecchio (Romeu) e dos Capuleto (Julieta), separadas por um mortal ódio político. Dante Alighieri já as mencionara no “purgatório” da Divina Comédia, no sécXIV.
Uma tragédia na qual o ódio vence o amor. Acho que a peça tem um apelo emocional fortíssimo, afinal trata do destino sinistro de dois jovens que buscam nada além do amor, que num mundo justo, deveria triunfar sobre o desentendimento de suas famílias egoístas. A estória se passa em Verona, norte da Itália. O amor juvenil, puro, belo, inocente e impossível, sucumbe da maneira mais macabra, o suicídio de ambos os amantes, ante trágicos acontecimentos e desencontros, após casarem em segredo. É o contraste cruel entre o mundo imaginário da paixão e a realidade fria, indiferente que tanto nos choca. Não vejo complexidade psicológica nenhuma na estória. Se alguém vir, que me ajude comentando. O que me chama a atenção, é o que os eterniza como amantes arquetípicos: morreram no auge da paixão. Não conheceram o desgaste da relação, o envelhecimento, as brigas, a queda do desejo, o tédio, a traição. Tem algo em comum com John Kennedy, Mamonas Assassinas, Ayrton Sena; morreram no apogeu e assim foram eternizados. Sempre serão lembrados em sua glória, sem conhecer o declínio ao qual a maioria está condenada, pois fatalmente o conheceriam se tivessem tido tempo, conforme nos ensina o mestre Schopenhauer.

13 comentários:

  1. Romeu e Juliea não é mesmo considerada como uma peça psicologicamente complexa. Um personagem dramatico não é um ser humano com os processos mentais separados do autor, neste caso muitas interpretações como a tua se baseiam no luto que Shakespeare foi obrigado a assumir diante da morte de seu filho Hamnet.

    “ É impossivel resgatar integralmente as intenções e o universo de um autor, exatamente porque essas intenções e esse universo serão sempre, inevitavelmente, a nossa visão daquilo que possam ter sido”.

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  2. Concordo com seu ponto de vista! Acrescento: se tivessem tido mais tempo de relação não cometeriam o suicidio....e sim o homicidio......hehehehehe

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  3. Caro Dr. Mauricio, o que pensa sobre:

    "...Os amores de verão terminam por varias razões, mas no fundo todos tem uma coisa em comum: são estrelas cadentes, um momento espetacular de luz nos céus, um vislumbre passageiro da eternidade e num segundo desaparecem..."

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  4. Amor só é Amor quando é Eterno!

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  5. Eu ti quero e não queres como sou...não ti quero e não queres como és...eu queria o querer te amar o amor...

    Era 23:15 quando tive a surpresa de saber o que eu já sabia

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  6. O que será que a amiga Vidamaisvida descobriu...?!?!

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  7. Olá Dr. Mauricio

    Está imerso ai em teus pensamentos????

    Bom final de feriado, volta logo, ok!!!

    Um grande abraço

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  8. O Doc deve estar de férias em uma praia paradisíaca nordestina..... e nós pobres mortais congelando em sp.....

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  9. Triste? Não, de forma alguma! Acredito que Shakespeare estava em sua plena consciência quando escreveu esta peça.

    Ele sabia que a paixão não pode ser eterna. Existe a rotina, os problemas, a falta de dinheiro (quando Isolda se vê vivendo em condições precárias na floresta com Tristão, a paixão se esvainece e fim do caso de amor), filhos, doença, velhice. Todos esses fatores transformam a paixão em outra coisa (que não vamos discutir neste momento).

    Só com a morte do casal é que a paixão poderia ser eterna, perpetuada sem os problemas da vida. E Shakespeare sabia disso. Ele não foi apenas pontual (como costumo dizer), foi nanocirúrgico, deu uma flechada de 10 pontos com Hobbin Hoods.

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  10. Milena realmente a paixão não é eterna, mas o amor sim...

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  11. Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata.

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  12. gente chorei essa historia e muito romantica pena que acaba assim

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  13. não existem suicídios ilustres, existem pessoas desequilibradas, que morrem e nem sabe pq.
    e o filme Romeu e Julieta é só uma metáfora... é a idealização do amor eterno!
    E não existe glamour na morte, morremos pq nossas células envelhecem e nós não resistimos ao tempo.
    abraços amigo...

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