quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Pacientes que não tive 12: Guilherme de Pádua


Desde que Richard Nixon renunciou à presidência dos EUA em 1974, todos os grandes escândalos americanos são de alguma forma associados ao termo "gate", em referência ao edifício Watergate, sede do invadido partido democrata. Há exatos 18 anos, precisamente nesta data (29/12), o presidente Fernando Collor renunciava à presidência no Brasil, com o objetivo de escapar ao processo de impeachment contra ele movido. Muitos o chamaram de psicopata, mas nesta mesma data, os noticiários estavam mais focados em outro suposto psicopata que, na véspera matara sua colega de trabalho a punhaladas. As voltas que a vida dá, trouxeram Collor de volta à política, algo impensável num país como os EUA; e reabilitaram um famoso homicida no Brasil.

Em 1992, Guilherme de Pádua contava 23 anos de idade e muitos fatos que o tornariam interessante, como paciente psiquiátrico. Iniciou a vida como stripper, fazendo shows e filmes pornográficos homossexuais. Era vaidoso, egocêntrico e ambicioso. Casou-se com Paula Thomaz, mulher possessiva e mimada, com a qual fez um pacto de fidelidade, tatuando o nome dela em seu pênis. Seu único trabalho na TV foi a trágica novela da época. Tentou se aproximar de Daniela Perez, filha da autora da novela em que trabalhavam, Glória Perez, com o possível objetivo de subir na carreira, gerando um ciúme doentio em sua esposa. Durante seu julgamento, tentou culpar a vítima, alegando estar sendo por ela ameaçado, disse que Daniela freqüentava magia negra, que ela dizia que mataria Paula, esquartejaria seu corpo, enterrando os pedaços em lugares diferentes, para que a “alma dela nunca mais se encontrasse”. Assim, assustados, para se defender dessa terrível ameaça, Guilherme de Pádua e Paula Thomaz mataram Daniela Perez com 18 tesouradas no pescoço, pulmões e coração, e jogaram seu corpo no mato. Horas depois, ele voltaria à cena do crime para consolar a mãe e o viúvo. Preso e desmascarado no dia seguinte, foi condenado a 19 anos de prisão, sendo libertado em 1999, após cumprir 6 anos. Mas isso tudo é passado. Conforme revelou em entrevista à revista Veja, em julho deste ano, hoje, Guilherme de Pádua leva uma nova vida. Arrependido, abandonou vaidades que antes cultivava, como o gosto pelo sucesso e pela admiração. Isso aconteceu porque quando estava detido, uma desconhecida velhinha lhe entregou uma bíblia e uma cartinha falando de Cristo. Sua vida mudou. Acordou então dentro da fé cristã, convertendo-se à Igreja Batista de Lagoinha, em Belo Horizonte, onde hoje trabalha como obreiro, tentando ajudar pessoas em situações difíceis. Está estudando com afinco, a fim de se tornar um pastor, missionário ou evangelista, pois acha que pode fazer melhor do que o que faz hoje, dando testemunhos dos milagres que Deus operou em sua vida. Vive em um ambiente cristão, sente que tem a missão de pregar o evangelho. Conforme pode ser lido na Veja, ele acha que sua vida nunca mais será 100% normal, que cadeia no Brasil é uma coisa horrível, tem uma comida tão ruim que ele chegou a perder 15 kg, quando preso. Conta que ao ser perguntado por um guarda da cadeia sobre planos de fuga respondeu: “pode ter certeza de que nunca farei coisa errada, porque não quero virar bandido”. Hoje em dia, Guilherme de Pádua está casado com uma mulher, cristã como ele, que conheceu numa festa da Igreja. Feliz desfecho para o "GuilhermeGate".
Além de ser um “paciente que não tive”, é mais uma maravilhosa “prova da existência de Deus”.
Em tempo: Nixon e Collor também dariam interessantes pacientes, são outros ilustres “pacientes que não tive”.

4 comentários:

  1. Lilian Dorea03 janeiro, 2011

    a minha dúvida: psicopatia pode ser curada através da fé?

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  2. Lilian, a fé cura tudo( é o que dizem)!
    Lamento, por não ter esse tipo de fé.....senão estaria curada da terrível depressão e ansiedade que me assombram!!!!!!

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  3. Lilian, eu não gosto muito do termo "cura", e a psicopatia nem é considerada uma "doença". Mas o que importa é que a fé, com certeza é capaz de coisas que a ciência não consegue explicar. Muitas vezes com resultados surpreendentes.

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  4. Nossa Dr. Mauricio, o sr. foi profundo mesmo hemhemmmm...

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