sábado, 10 de setembro de 2011

Suicidas ilustres 20: Itzel Lobato (aos 10 anos de idade)


No México, 80%  da população é católica, e cultuam Nossa Senhora de Guadalupe. Neste país, a jovem Itzel Murillo Elvira Lobato resolveu no dia 16 de agosto se matar, para que fosse ressuscitada em seguida pela Virgem de Guadalupe, porque acreditava que assim chamaria a atenção de seus pais separados, conseguindo reuni-los de novo. Seria o seu presente de aniversário – naquele dia estava completando 10 anos. Itzel foi influenciada por um capítulo da novela religiosa La Rosa de Guadalupe, da Televisa, no qual uma garota se mata por causa da separação dos pais, mas a Virgem a ressuscita, e a família, comovida, se reconcilia. O slogan da novela é “Um milagre a cada dia”. As colegas de escola de Itzel disseram que ela estava muito triste por causa da ausência do pai e dizia que a Virgem de Guadalupe ia fazer um milagre para que a família se unisse. Sozinha, a menina passava as tardes em casa assistindo à novela.
Crianças são seres naturalmente influenciáveis. Estão em formação. Acreditam nas coisas que lhes são ensinadas, sem questionamentos. Ensine matemática e ciências, elas aprenderão. Mas ensine que existem fadas, gnomos, anjos, unicórnios... elas também acreditarão nisso. Que chance tem uma criança em formação ao ser instruída por uma freira católica com uma mente doentia, que nada sabe da vida, das dores do amor e do sexo, ao ser informada sobre a existência de virgens miraculosas e deuses incondicionalmente amorosos e justos?
Não custa dizer: após morrer, ela não foi ressuscitada.

12 comentários:

  1. Não a totalidade, mas grande parte da tragédia humana tem como causa os diversos tipos de fanatismos, como exemplifica o fato aqui exposto.

    Zito

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  2. Ao nascermos, somos livres e desalienados. Como todos os animais não
    domesticados possuímos o instinto da liberdade.
    O que nos distingue dos animais, no entanto é a nossa consciência, nossa
    capacidade de pensar, raciocinar e criticar. Todavia, desde a primeira infância, somos preparados,
    educados e condicionados a obedecer às ordens já instauradas em nossa sociedade.Sentada à frente da televisão, as crianças parecem estar hipnotizadas com as
    imagens que vão passando por seus olhos e por vezes ficam entusiasmadas pelo que vêem e no
    que ouvem.

    Como, sem que nos demos conta, os novos hipnotizadores penetram no nosso
    pensamento e enxertam nele idéias que não são nossas. Assim, por exemplo,
    nas modernas sociedades midiáticas, uma criança de quatro anos antes mesmo
    de ir à escola, já foi exposta a vários milhares de horas de televisão e devorou
    com os olhos sugestões efêmeras que rapidamente se desvanecem. Mas elas não
    se desvanecem rapidamente porque todas essas imagens deixam traços
    subliminares cuja influência, com o decorrer do tempo, acaba por determinar
    fortemente o nosso comportamento e por reduzir a nossa liberdade.

    Em outras palavras, a principal função da televisão é alienar o máximo de pessoas
    possível para que depois os dominantes possam controlá-las sem muito esforço.

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  3. Chegamos então a conclusão de que a televisão é, indiscutivelmente, um dos
    maiores Aparelhos Ideológicos do Estado, já que ela consegue, muitas vezes, subtrair nossa
    capacidade de crítica diante de fatos tão objetivos quanto os citados acima, consegue tapar nossos
    olhos para que não enxerguemos a realidade tal como ela é, e sim de modo invertido. Sendo
    assim, nossa capacidade crítica é esfacelada e nos alienamos.
    Dessa maneira, são os meios de comunicação de massa que determinam sobre o
    que vamos pensar, e como vamos pensar. O que não é dito, pode até não estar perdido para
    sempre, mas com certeza estará perdido no momento em que é mais necessário.
    Daí a importância de se denunciar os conteúdos ideológicos veiculados todos os
    dias na televisão, pois somente o conhecimento e a compreensão real dos fatos garante um olhar
    crítico e consciente sobre a realidade que se instaura.

    Para reduzir a humanidade à escravidão, a publicidade escolheu o perfil mais baixo, a manejabilidade,
    a persuasão.Vivemos no primeiro sistema de domínio do ser humano contra o qual até a liberdade é
    impotente

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  4. Os que negam o poder de condicionamento da publicidade não descobriram a
    lógica particular de sua eficácia.
    Para que uma campanha publicitária seja “eficaz” é preciso, segundo os peritos,
    passar no mínimo oito vezes em uma mesma emissora, sendo o ótimo vinte vezes. A eclosão de
    todo tipo de iniciativas publicitárias, muitas vezes bizarras, são, na maioria das vezes,
    notavelmente eficazes.
    A televisão quer conseguir uma comunicação quase instantânea, fazer ouvir e
    compreender sua mensagem persuasiva, e isto com um impacto suficiente para influenciar as
    atitudes e as opiniões daqueles que a recebem, a fim de determinar o comportamento do público
    alvo. E por que ela está conseguindo atingir tudo isso? Porque ela está ligada a primeira e a maior
    das artes: a política, a conduta dos homens. É para isso que eles trabalham, para fabricar espíritos.
    Como nos alerta Lima em seu livro “Teoria da Cultura de Massa”, a
    publicidade, além de querer vender seus produtos ela almeja implantar em nós, valores que não
    são nossos

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  5. Se a televisão consegue fazer tudo isso com um adulto (que pelo menos em tese já
    deveria ter maturidade para distinguir o joio do trigo) imaginem com uma criança que ainda está
    em fase de amadurecimento? As crianças são muito mais sensíveis à forma e ao ritmo das
    imagens televisivas. Elas retêm os “slogans” ou refrões e se tornam repetidoras das mensagens
    publicitárias/ideológicas.
    As crianças são, assim, um alvo privilegiado nessa trama de relações. São fáceis
    de manipular, fáceis de convencer, não questionam muito e, ainda, não possuem, em sua maioria,
    consciência desses fatos e por isso, não apresentam resistências às formas de dominação tão
    docilmente disseminadas pelos meios de comunicação.

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  6. Dessa forma, a televisão “ganha” o telespectador porque o atinge em seus
    fantasmas mais secretos e menos confessáveis, toca o seu estado afetivo (medo, angústia, perda
    de identidade...) para finalmente domá-lo graças ao seu inevitável final feliz.

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  7. Numa sociedade onde a diversidade de idéias é essencial para que se possa
    encontrar soluções decentes, um sistema de informação controlado, constitui-se o primeiro
    obstáculo para a luta por uma sociedade mais justa e igualitária. Se continuarmos admitindo essa
    manipulação, estaremos próximos do aniquilamento da diversidade política e cultural.

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  8. Na época de Homero a humanidade se oferecia em espetáculo aos Deuses do
    Olimpo; ela agora se converteu no seu próprio espetáculo. Tornou-se tão
    alienada de si mesma que consegue viver sua própria destruição como um
    prazer estético de primeira ordem.

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  9. A televisão possui uma perversidade quase imperceptível para a maioria dos
    indivíduos. Poucos reconhecem nela, um instrumento de manipulação da população. A maioria,
    ao contrário, a vê como um aparelho que serve para nos divertir, nos distrair ou nos relaxar
    depois de um dia estressante. Até percebem que nela passam informações ruins (assassinatos,
    violências, tragédias, etc.) mas não percebem a inculcação ideológica que ela transmite para
    todos, a todo o momento.

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  11. O problema não está na TV. Ela pode transmitir conteúdo, cultura, entretenimento ou lixo, da mesma forma como um livro. O problema está na religião, que ensina mentiras diante das quais as crianças estão indefesas.
    FC

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  12. Este comentário foi removido pelo autor.

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