quarta-feira, 17 de abril de 2013

Suicidas ilustres (24): Kamikazes


Em uma passagem célebre do Livro Xógum, de James Clavell, o Inglês Blackthorne (Anjin-san), figura fictícia inspirada em William Adams, discute com sua tradutora, no Japão do século XVI, que se encontra numa situação insustentável, sem saída,  não sabendo o que fazer, ao que ela calmamente lhe responde: "Há uma solução muito fácil, Anjin-san. Morra. O senhor não é obrigado a suportar o insuportável".
Para os Samurais, a elite dos guerreiros japoneses, o  suicídio ritual (seppuku ou harakiri), fazia parte da rotina de seu treinamento e de sua realidade. Considerava-se mais digno acabar com a própria vida, do que continuar vivendo em desonra consigo ou com seu povo. Na Segunda Guerra, vimos japoneses suicidas, os famosos Kamikazes ("vento divino"), atirando seus aviões contra navios americanos . Sua morte em troca dos maiores danos ao inimigo.
São muitas as situações nas quais a morte é vista como vantajosa. Para acabar com um sofrimento insuportável, para causar dor a outra pessoa. Eu trabalho com pessoas com tendência ao suicídio, e aprendi que, se você conseguir acompanhá-las durante seu processo, essa idéia pode passar. E a vida pode voltar a ser boa. Por isso acho importante sempre falar abertamente sobre o suicídio. Uma conversa franca, pode ser preventiva.

3 comentários:

  1. Antiga paciente21 abril, 2013

    Há alguns anos atrás vi uma reportagem em uma revista semanal falando a respeito de um empresário até então bem-sucedido que foi à falência.
    Ele era casado e tinha 2 filhas, inclusive uma já era universitária.
    Quando ele descobriu que estava falido matou a esposa e as filhas e depois se matou. Ou seja, ele preferiu matar a família inteira do que viver na pobreza e perder a posição social.Não se sabe se esse foi o motivo do suicídio mas o foco da reportagem era sua situação financeira abalada.

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  2. É aceito, com reservas, apenas nas circunstâncias citadas, desonra para consigo ou com seu povo, ou por heroísmo visando o bem comum. Entretanto quanto aos que a ele apelam de forma indireta através do consumo de álcool, drogas, ou comportamento de risco que tenha a intenção do fim da própria vida, será que são tolerados apenas por não serem tão explícitos?
    Talvez o suicídio seja o maior tabu da civilização. Só é discutido por profissionais, médicos ou religiosos, e possíveis candidatos a o executar. Não há discussão sobre o tema na sociedade, nenhuma religião o aceita, contraria o extinto de sobrevivência que possibilitou nossa existência, e socialmente é visto como um ato covarde. Enfim, provoca medo e mal estar generalizado, provocando reflexão a muito poucos.
    Um filósofo em pleno do século XX afirmou que, para si próprio, a vida só era suportável por haver de forma permanente esta saída.

    Zito.

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  3. É como testar um palito de fósforo.

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