segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Prece da Serenidade

Uma prece singela de imensa sabedoria e bom-senso. Atribuída a São Francisco de Assis, se tornou o lema principal que norteia a filosofia dos Alcoólicos Anônimos. O primeiro dos 12 passos na cura do alcoolismo é o reconhecimento do poder do àlcool sobre o dependente, algo que ele não pode mudar. O que é diferente de dizer que não haja nada a ser feito. Ilustra o que penso, que tanto a medicina, como a filosofia e a religião, todas podem caminhar juntas em busca do bem-estar, do equilíbrio e da saúde.

"Deus, me conceda a serenidade para aceitar as coisas que eu não posso mudar,
 a coragem para mudar as coisas que eu posso mudar,
 e a sabedoria para distinguir uma coisa da outra."


O amor ao conhecimento

Filosofia, etimológicamente vem de: amor (philo) ao conhecimento (sofia). A filosofia não possui o conhecimento, isso é atributo das ciências. A filosofia admira o conhecimento. Ela não busca conhecer objetivamente, mas busca um sentido para o mundo, e como nossa vida nele se inscreve. Aqueles que se interrogam sobre a vida e sobre a melhor maneira de conduzi-la não costumam ser indiferentes às questões filosóficas.
Sem contar a antiguidade grega, em todas as civilizações que conhecemos, as religiões ocupavam o lugar da filosofia. Detinham o monopólio das respostas para as perguntas sobre a salvação, dos discursos destinados a acalmar as angústias provenientes do sentimento de mortalidade. Era na proteção dos deuses que os homens buscavam segurança. Mas alguns procuraram na razão respostas para o alívio de seus medos. Por que isso, o nascimento da filosofia, se deu na Grécia? Talvez porque, em sua tradição de democracia, os cidadãos estivessem, em suas assembléias, mais habituados à discussão, à argumentação, e ao uso do bom-senso no convencimento de suas idéias, que não fosse por meio de dogmas, ou imposição por autoridade. Não é preciso ser um grego antigo para ter essa postura.
Zenão de Cítio (334-262 a.C.) ensinava sob arcadas, “pórticos” (stoa em grego), daí a origem do termo estóico, escola da qual é considerado fundador. Sabendo que os homens não são autores ou inventores do universo, convida-os a apreciar a estrutura ordenada do mesmo, sua harmonia ou “cosmos” (daí deriva “cosmético”). Sugeria um esforço para reconhecer o essencial do mundo, aquilo que é mais importante, real ou significativo, através da observação e do estudo. Assim, do ponto de vista estóico, o cosmos é, com exceção de alguns episódios acidentais e transitórios (como as monstruosidades e as catástrofes), essencialmente harmonioso. A felicidade consistiria, para a vida humana, em encontrar seu lugar na ordem cósmica.

domingo, 24 de outubro de 2010

Congresso Brasileiro de Psiquiatria

No momento estou em Fortaleza, exercendo o sacrifício epicurista das praias, cervejas e bares. Aproveito para reforçar a campanha contra a prostituição infantil, abominação aos olhos do Senhor. Sabemos que prostituição é coisa muito séria para se deixar ao cuidado de crianças. Mas pelo que estou podendo observar, parece que aqui nesta parte o povo não liga muito para estas coisas. Ao retornar, levarei as novidades da psiquiatria atual para os pacientes que ainda me restam... 

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Provas da existência de Deus: 000

Tenho sido vítima de intensos ataques difamatórios, acusando-me de ateísmo e outros absurdos que não sou. Isso me incentivou a divulgar alguns argumentos que normalmente costumo evitar, para não ser taxado de fanático militante.
Estão disponíveis no link: http://www.godlessgeeks.com/LINKS/GodProof.htm  algumas maravilhosas provas da existência de Deus. Caso seja de interesse, podemos incluí-las em futuros tópicos neste blog.

Corruptores da Felicidade


Nosso pensamento guarda a estranha capacidade de nos fazer viajar para dimensões irreais. Através da abstração, somos capazes de pensar nos tempos passados e futuros. Mas eles não existem de verdade, o passado não existe mais e o futuro não existe ainda. Não passam de miragens traiçoeiras e assassinas, ímas que atraem infelicidades. O passado nos lembra o que poderia ter sido melhor, o que poderia ter sido diferente, nos arrasta para a nostalgia, a culpa, o arrependimento. Ou pode nos assombrar, como as recordações dos “paraísos perdidos”, felicidades que não estão mais presentes, saudades de entes queridos que se foram (em geral, idealizados após a morte), momentos perfeitos que pertencem à esfera do “não voltam mais”, “nunca mais”. O passado não voltará, nem pode ser mudado, mas pode ser paralisante. Conheço pessoas que param numa determinada fase da vida, incapazes de seguir em frente, se lamentando de injustiças sofridas ou fixadas a períodos de felicidade passados. São anacronias vivas, vestem roupas de outras épocas, ouvem músicas do “seu” tempo, ficam cada vez mais desligadas de seu entorno.
O futuro também não existe, não adianta viver na fantasia dos projetos daquilo que poderá vir a ser, pois sempre poderia ser melhor. Existem outras pessoas que deixam de viver o presente, se guardando para um futuro que não chegará nunca. Não se vive entre lembranças e projetos, só o que nos compete é viver o hoje (será que ele está sendo bem aproveitado?). Dois exemplos de tempo desperdiçado, de “morte” interior. E o tempo é nossa maior preciosidade, está contado, correndo, e não vai voltar. Somos capazes de usar nosso discernimento para percebermos estas verdadeiras armadilhas do pensamento, para então tomarmos atitudes que melhorem nossa capacidade de nos sentirmos bem. É possível viver melhor o hoje, sem lamentar pela felicidade perdida ou esperada. O que se tem é o presente, o agora. É aquele no qual se pode viver e ser feliz, a única instância real, a oportunidade de sentir prazer ou bem-estar.

domingo, 17 de outubro de 2010

Pacientes que não tive 08: Inri Cristo

Inri Cristo reencarnou no dia 22/03/48, em Indaial, Santa Catarina, com a ajuda de uma parteira e pais biológicos não revelados. Desde a infância foi acompanhado por uma voz em sua cabeça, lhe orientando pela dura e incompreendida vida à qual havia sido destinado. Aos 33 anos, após jejuar por vários dias no Chile, teve a revelação de sua verdadeira identidade pela “voz”. Fundou a SOUST (Suprema Ordem Universal da Santíssima Trindade), em obediência a seu Pai, Senhor e Deus. Desde então se dedica a divulgar suas verdades e lutar contra aquela que se tornou a “meretriz do apocalipse”, a Igreja Católica, declarada proscrita pelo Altíssimo em 28/12/82, resgatando os puros ensinamentos deixados pelo Filho do Homem antes de ser crucificado. No histórico domingo de 28/02/82, após reunião com mais de dez mil seguidores na Praça Dom Pedro II, seguiu em procissão até a Catedral Metropolitana de Belém do Pará, onde interrompeu a farsa chamada missa e expulsou os sacerdotes bradando: "Saiam daqui, ladrões mentirosos, adoradores de ídolos, vendilhões de falsos sacramentos, eu sou Cristo!". Ato contínuo subiu no altar e praticou o gesto libertário: arrancou a estátua da cruz e quebrou-a ante o olhar estupefato dos presentes que exclamavam: "Cristo! Cristo! Cristo!". Mostrou através deste ato não ser um bonequinho pregado na cruz, mas o Cristo vivo, de carne e osso.Isso motivou sua prisão por 15 dias, e uma avaliação por uma junta psiquiátrica que se reconheceu incompetente para avaliar a sua sanidade mental.
Desde então, Inri Cristo tem viajado pelo mundo, cercado de polêmica e incredulidade, divulgando a palavra do Deus de Abraão, Isaac e Jacó. Foi expulso dos Estados Unidos, da Inglaterra e da França. De volta ao Brasil, após anos de processo por falsidade ideológica, o Tribunal de Justiça do Estado do Paraná reconheceu o seu direito de usar o nome Inri Cristo junto a seu nome de batismo em todos os seus documentos.Lembro-me bem como fiquei impressionado ao ver uma entrevista com seus discípulos. Ao ser perguntado por que acreditava que ele realmente é a reencarnação do Cristo, seu seguidor prontamente respondeu: “eu não acredito, eu sei!”
Como o Cristo original, ele tem sido criticado, humilhado, ridicularizado em praça pública. Diga-se dele o que se quizer, jamais se poderá dizer que ele não é um personagem pitoresco, um grande pensador e sobretudo um grande democrata.
Sugiro uma visita a seu site oficial: http://www.inricristo.org.br/index.php/pt/home

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Salvação sem Deus

De maneira diferente das ostras, das plantas e dos insetos, os homens sabem de sua mortalidade, de que estão com os dias contados, que morrerão, que serão separados daqueles a quem amam. Pode-se viver sem pensar nisso, que parece muito mórbido, doentio. Acontece que, cedo ou tarde, todos serão obrigados a lidar com tão desagradáveis fatos. É inevitável, eu garanto. A existência terrestre, pode se mostrar frustrante ou pelo menos inquietante. A consciência da morte, em alguns, gera interrogações intensas. Esse tema tem sido levantado pela filosofia de maneira constante. Montaigne dizia que “filosofar é aprender a morrer”. Spinoza, que “o sábio morre menos que o tolo”. Kant pensava sobre “o que nos é permitido esperar”. Pensar pode gerar angústias paralisantes. Imagino que os animais, as plantas e os tolos não passem por isso. Alguns aceitam as promessas de determinadas religiões e se tranqüilizam que serão “salvos”. Para estes, as dúvidas podem ser vistas como ruins, uma vez que os afasta da fé, da crença, da certeza. Outros duvidam dessas promessas, sentem que o irreparável não é uma ilusão, se interrogam sobre como seria a melhor forma de ocupar o tempo limitado a que nos cabe. A mesma capacidade de pensar que gera o desconforto pode, por outro lado ajudar a vencer medos paralisantes. Aqueles que não se satisfazem com as respostas das religiões, às vezes encontram grande satisfação e elementos para vencer medos, uma vida mais satisfatória e gratificante, com mais alegria, pelo próprio pensamento, pela razão, por si mesmo, pelo bom-senso, buscando uma vida boa fora dos dogmas e regras das religiões. Não dependente de um outro externo, mas de si mesmo. Esse pode ser um papel da filosofia, uma “salvação sem Deus”. Estes são elementos epicuristas, como já disse, estão no centro da “Medicina da Alma”.

“Um tolo não vê a mesma árvore que um sábio vê.” William Blake (1757-1827)

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Medicina da Alma

É da natureza da ciência, não só permitir, como estimular, sua própria revisão pelo pensamento crítico e livre. Teorias científicas quando se revelam falsas, caem em desuso e são substituídas por outras mais consistentes. De maneira diferente, as filosofias do passado não se tornam “ultrapassadas” ou “superadas”. Nesse sentido, a história da filosofia se aproxima mais com a das artes do que com a das ciências. Assim, não faz sentido dizer que uma obra de Van Gogh é “mais bonita”, ou “mais avançada” do que uma pintura de Michelâgelo, pois são formas de expressão distintas. Da mesma forma, não há como dizer que as reflexões de Kant ou Nietzsche são “superiores” (nem “inferiores”) àquelas de Platão ou Buda; nelas existem proposições de vida, atitudes em face da existência, que mesmo com o passar do tempo, não se tornam obsoletas, e continuam nos falando com propriedade.
O estudo da filosofia nos traz compreensão e conhecimento do mundo, de nós e dos outros, podem ajudar-nos a viver melhor diante de medos que paralisam a vida. É possível dar ouvidos a filosofias antigas, sem senti-las ultrapassadas, pois continua havendo nelas algo que nos fala.
Epicuro de Samos (341-271 a.C.), filósofo grego do período helenístico, viveu uma vida atormentada pela dor física, possívelmente sofria de cálculos renais, o que, com certeza contribuiu na construção de seu pensamento. Elaborou uma filosofia culo objetivo último era melhorar a vida, atingir a felicidade, sem recorrer a qualquer método ou entidade sobrenatural, baseada apenas no bom senso e racionalidade crítica. Sobre ele começarei a escrever agora, bem como sobre seu método, que deu nome a este blog, pois ele o chamava de “Medicina da Alma”.

"A morte é uma quimera: porque enquanto eu existo, não existe a morte; e quando existe a morte, já não existo."

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Higiene do Sono

Mais da metade da população apresenta distúrbios do sono, no mínimo intermitentes. Cerca de 20% dos adultos relatam perturbações crônicas do sono, índice que se eleva para 80% dos pacientes psiquiátricos. Há dois tipos mais comuns de insônia: as situacionais, que atingem pessoas que passam por dificuldades ocasionais, como seqüestro ou assalto; ou aqueles que sofrem de doenças psicofisiológicas mais graves, como depressão ou ansiedade. Também atormenta trabalhadores com turnos alternados (médicos psiquiatras em plantões noturnos) e pilotos de avião que mudam frequentemente de fusos horários, não conseguindo criar uma rotina para o sono. Antes de fazer uso de medicamentos para dormir, medidas simples podem melhorar, e muito, a qualidade do sono. Constituem a higiene do sono.
Dormir apenas o tempo suficiente para se sentir bem. Nunca ficar na cama mais do que o necessário, o que pode fragmentar o sono da noite seguinte. À noite, não tomar café, chá preto, bebidas tipo cola, guaraná ou álcool. Este, embora pareça induzir o sono, piora sua qualidade, usualmente com despertar precoce. Nunca ler ou assistir TV na cama, faça-o em outro lugar e só vá para a cama a fim de dormir. Estabeleça horários regulares para acordar, não cochile durante o dia. Tenha um jantar leve, não durma após refeições pesadas, nem com fome. Não faça exercícios vigorosos à noite. Não “brigue” com a cama, se não conseguir dormir, levante e faça algo enfadonho, como ler um blog entediante.
Lembre-se: remédios para dormir costumam gerar dependência.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Pacientes que tive

Mulher, 45anos, nível universitério. Diagnóstico: TOC (transtorno obsessivo-compulsivo).
Queixa-se que alguns de seus sonhos não tem um desfecho adequado. Luta para voltar a dormir, entrar no mesmo sonho de novo e mudar seu final. Raramente tem sucesso, mas não cansa de tentar.

Síndrome do Cólon Irritável

Muitos pacientes procuram atenção médica por apresentarem sintomas digestivos desagradáveis, costumam ser submetidos a exames invasivos como endoscopias e colonoscopias, para ao final ouvirem dos médico que nada foi encontrado. Nada pior para um paciente com queixas legítimas do que ouvir do médico que ele “não tem nada”. Afinal, ele pensa que não é louco (o paciente). A doença clínica mais comum do aparelho digestivo se chama Síndrome do Cólon Irritável. Caracteriza-se por alterações nos hábitos intestinais, como prisão de ventre e diarréia alternadas, dor abdominal crônica, intolerância a alimentos específicos, dor ou seu alivio à defecação, distensão e desconforto abdominais, e às vezes, fraqueza. Costuma ter início antes dos 30 anos, é mais comum em mulheres e costuma ser agravado por fatores ambientais estressantes. Os pacientes com esse diagnóstico apresentam uma freqüência aumentada de distúrbios psicológicos, como depressão, ansiedade, dificuldades de relacionamento afetivo e muitas vezes atravessam períodos difíceis da vida. Um pronto-socorro clínico muitas vezes submete estes pacientes a baterias de exames cansativos, dolorosos e inconclusivos. O tratamento se faz com medicamentos antidepressivos e a melhora muitas vezes é notável. Esta é mais uma situação que ilustra o papel do psiquiatra diante de problemas aparentemente de competência de outros especialistas. Psiquiatria, além de outras coisas interessantes, também é medicina.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Arca de Noé

Após consultar o Conselho Regional de Medicina, os códigos de ética médica, teólogos e autoridades na área, fico mais tranqüilo em realizar o desejo de um paciente, que apenas quer ter divulgado seu pensamento. Deixo claro que não compartilho de suas opiniões e respeito o anonimato de sua identidade. Ele deseja fazer contato com quem nele acredite. Seu texto é o que abaixo se segue:

"Toda a polêmica gerada , extensamente discutida e examinada, poderá ser sanada com o conhecimento da verdade dos fatos:
1-A Palavra;
Gênesis,cap7:
-vers11-"No ano seiscentos da vida de Noé,no segundo mês,no décimo sétimo dia do mês,precisamente neste dia, romperam-se todas as fontes do grande abismo e abriram-se as comportas do céu."
-vers13-"No mesmo dia entrou Noé na arca..."
-vers15-"Junto com Noé entraram na arca, dois a dois, um par de tudo o que é carne com hálito vital"
-vers22-"Tudo o que tinha hálito vital nas narinas e que existia em terra firme pereceu"
-vers23-"...ficou somente Noé e os que com ele estavam na arca."
2-A Polêmica: Diz respeito à alimentação e ao equilíbrio ecológico pós-diluviano.
3-Percalços: O Inimigo está sempre atento e pronto a desviar os homens da verdade.
4-Solução: Ignorar totalmente o Maligno, que astutamente se utiliza de ingênuos "cientistas" para distorcer os fatos e confundir os homens. Vamos nos ater às palavras de Deus e seu conhecimento,sem desvios.

5-Conclusões:
Fato: Os animais entraram na arca.Todos aqueles que foram criados no sexto dia.Vocês, ingênuos ateus, detém-se na questão da alimentação do casal de leões, que é uma questão menor. Não sei onde está o senso crítico de seus cientistas que parecem não perceber que o mais difícil foi a localização dos insetos. Deus havia criado cerca de um milhão e duzentas mil espécies deles. Trezentas mil, só entre os coleópteros (besouros). Deus amou muito a criação de besouros, refinando-a ao extremo. Noé teve muito trabalho em reconhecer, diferenciar, classificar e coletar tantos espécimes de besouros e teve de fazê-lo num único dia. Para se ter uma idéia da monumentalidade desta tarefa, vale dizer que desde que Lineu começou a classificar os seres vivos em uma taxonomia racional, há mais de 200 anos até hoje , os estudiosos do assunto ainda não terminaram a tarefa de classificar os besouros. Noé fê-lo num único dia, dentre outras tantas e difíceis tarefas. Deus amava muito os besouros. Mas amava mais ainda os peixes e os seres que vivem sob as àguas em geral. Camarões, bivalves, lulas, plâncton. Pois que seu hábitat foi expandido ao extremo e proliferaram como nunca. A salinidade baixou (um efeito não previsto por Deus), permitindo o desenvolvimento da inteligência dos cetáceos. Este foi o período em que golfinhos e baleias aprenderam a se comunicar. Como o som se propaga muito melhor no meio líquido, mais denso que o ar, este último funcionou como um isolante acústico, impedindo que Deus ouvisse o canto das baleias lá no céu. Estas, preteridas por Deus, que amava mais aos besouros, estando também físicamente mais próximas dos abismos do inferno, aliaram-se ao Maligno num plano até hoje não completamente desvendado (Aquele que souber mais a respeito, por favor informe este soldado de Deus em sua batalha pela verdade).Só o que sei é que esta batalha prossegue nos dias de hoje. Alguns Santos homens, cientes destes atos, dedicaram suas vidas ao extermínio e massacre impiedoso das baleias, quase obtendo êxito em seus intentos. Quando a batalha estava quase ganha, e
as baleias próximas à extinção, mais uma vez o Demônio foi astuto em iludir os homens. Enviou "cientistas" dedicados a lutar pelas baleias, contra Deus, confundindo os homens em sua ignorância dos fatos, iludindo-os com idéias conservacionistas, ecológicas. Assim fiquem atentos: Santos são aqueles que matam os cetáceos e os animais irracionais em geral. Malignos os que usam a ciência para confundir os homens!"

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Pacientes que não tive 07: Émerson Fittipaldi

Hoje no rádio ouvi Felipe Massa dizer que os verdadeiros campeões usam o desodorante tal, não lembro exatamente qual, o que é uma pena pois devo ir às compras em breve. Eu nunca compartilhei do entusiasmo de alguns pela fórmula-1 ou corridas de carros em geral. Na infância eu gostava de brincar com carrinhos, autorama. Mas depois que cresci, carro virou coisa séria. Pilotos para mim parecem crianças grandes que não enjoaram do brinquedo.
Há 13 anos atrás, em setembro, Emerson Fittipaldi sofreu um acidente quando voava em seu ultraleve (outro brinquedo perigoso), com seu filho Lucca, então com 6 anos de idade, vindo a cair em uma região pantanosa próximo a Araraquara, sofrendo ferimentos leves. Incapaz de se locomover, foi localizado e resgatado na madrugada seguinte por 5 bombeiros e 5 policiais.
Dias depois, os meios de comunicação veicularam uma propaganda absurda, com depoimento verbal e emocionado do próprio Emerson, no qual ele contava como o filho fora corajoso, como ambos ficaram felizes e agradecidos ao verem chegar o resgate da Amil. Simultaneamente aparecia na tela um helicóptero da Amil, induzindo a falsa idéia de que ele havia participado heróicamente do resgate. Tudo bem que Émerson seja um garoto propaganda que anuncie kits de emagrecimento, charutos, baterias, roupas, etc. O que me é intolerável é a idéia de um anuncio enganoso para um plano de saúde, com o qual as pessoas normalmente não podem contar na hora do aperto, passando a falsa ilusão de segurança, aproveitando-se da fragilidade e medo alheios, simplesmente por ganância, de um homem já milionário. Um comportamento egoísta e imaturo. Procurado na época pela reportagem da revista Veja por uma semana, para ouvir sua versão do fato, sua acessoria alegou "não encontrá-lo".
Aqueles que o salvaram viraram chacota entre os amigos, por terem sido os únicos que não lucraram com o episódio. O sargento Ricardo Pena, por exemplo, disse ter atravessado um pântano com lodo “até o pescoço”, de madrugada para chegar até onde estava o bicampeão. A equipe ganhava, em média, um salário de 600 reais à época, arriscando a própria vida. O Cel. Renato Fernandes, comandante dos bombeiros de SP, responsável pelo resgate, declarou que ficaria satisfeito pelo menos com o reconhecimento do esforço de seus homens.
Que inversão de valores! Os verdadeiros heróis, continuam anônimos, com um salário de fome. O menino grande fica incólume, com a fama, a glória e a fortuna.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O Astronauta Brasileiro

Em 2006, o governo brasileiro gastou dez milhões de dólares para que Marcos Pontes, embarcasse como passageiro numa nave espacial russa, passando uma semana em órbita da terra. Nessa oportunidade, ele levou a cabo experimentos científicos sugeridos por alunos do ensino fundamental, como plantar feijões em algodão e ver como se comportavam na ausência de gravidade. Enquanto isso, o programa espacial brasileiro acumula fracassos, como a explosão da base de lançamento de Alcântara, que matou 20 funcionários em agosto de 2003. Fernando Reinach, biólogo, Ph.D. pela Cornell University, grande divulgador de ciências no Brasil, calculou, com base em dados do CNPQ, que com o dinheiro gasto na brincadeira desse passeio espacial, poderiam ter sido formados 290 novos doutores, no exterior, num prazo de 5 anos. Ou seja, o dinheiro público que deveria ser investido em educação, foi gasto em um golpe publicitário. Sorte do astronauta. Dois meses após a viagem, ele pediu baixa de seu posto, se aposentou na reserva remunerada da FAB, com apenas 43 anos de idade. Hoje em dia, Marcos Pontes hoje ganha muito dinheiro posando ao lado de travesseiros. È o que se espera de um governo liderado por um homem que se orgulha de não ter estudado.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Branca de Neve e a Madrasta

Nasce um bebê. Aquele que se torna objeto da adoração dos pais, que nele tudo investem, está predestinado a substituí-los no futuro, ocupando seu espaço. Isso acontece de forma particularmente dolorosa para as mulheres, como ilustra a fábula de Branca de Neve, um conto antigo, cuja narrativa remonta a séculos na Europa, sendo sua versão cinematográfica dos estúdios Disney, de 1937, a mais conhecida. Seu título moderno é infeliz ao enfatizar os anões, quando o centro da atenção seria o destronamento da madrasta (ao lado) que envelhece, enlouquecida de ciúme, ante o desabrochar da beleza e juventude da filha. É um tratado sobre a tragédia feminina, os poderes, perigos e magia da beleza da mulher e da ruína que ronda o descontrole sobre as paixões, o aniquilamento do ser ante a negação do envelhecimento, da substituição, da finitude. A estória explora os poderes femininos em três gerações. A puberdade, cujo fascínio adolescente repousa inerte, passivo, desarmado, à mercê de nossa idealização, adormecido na caixa de vidro à espera do príncipe. A fase adulta da madrasta, que sabendo-se a mais bela de todas, poderosa, sedutora e desejável, não cansa de repetir a mesma pergunta ao espelho, possível olhar masculino presente na intimidade de seu quarto. Qual a mulher que se cansa de ser admirada? Todos conhecem moças que nunca param de perguntar se ainda são amadas, não adianta repetir isso mil vezes. E por fim, a bruxa, que despojada dos atrativos físicos da juventude possui outros feitiços...

Quando nasce Branca de Neve, sua mãe providencialmente morre para ser substituída pela madrasta, a quem estão todos autorizados a odiar (quem agüenta odiar a própria mãe?). Assim, a madrasta, o espelho na parede e o caçador são os pais disfarçados. Por mais poderosa que seja, a madrasta não convence o caçador a matar Branca de Neve (ele a abandona na floresta), nem consegue manter para sempre a atenção do espelho, que tudo sabe e nunca mente. Não há espaço para duas mulheres desejáveis na família, uma deverá sair. Quem são os anões? Criaturas pré-púberes (pré-edípicas), com o tamanho de crianças e barbas de velhos, ambos excluídos do jogo sexual, não representando perigo algum à inocência de Branca de Neve, companheiros de infância, advertem-na dos perigos da bruxa, sem sucesso, pois suas visitas (da Bruxa) despertam elementos sexuais reprimidos, representados pela maçã envenenada. A incapacidade de Branca de Neve em resistir à tentação a torna mais humana, seu desmaio simboliza o esmagamento ante desejos conflitantes, e seu sono letárgico, uma morte simbólica, um rito de passagem, do qual ela desperta, de indefesa, para uma nova existência, poderosa.

...e todos vivem felizes para sempre? Nada disso, a seu tempo a tragédia se abaterá sobre Branca de Neve exatamente do mesmo jeito, quando o espelho anunciar mais um destronamento. Mas desse fato as crianças são poupadas. Schopenhauer e seus seguidores, infelizmente não.

domingo, 22 de agosto de 2010

A traição E Capitu

Não importa se Capitu traiu ou não Bentinho. Não faz qualquer diferença. A traição não importa, o que importa é o sofrimento, que pode (ou não) acompanhá-la, pois na imensa maioria das vezes, o ciumento sofre sem que a traição tenha ocorrido, bem como o traído nunca desconfia de nada, assim (disso) não sofre. O que vale ser pensado é o mecanismo que leva à dúvida e ao ciúme, um sentimento cruel, no mais das vezes injustificado, que atormenta e aniquila aquele que o alimenta. É inútil Bentinho perguntar a Capitu se ela o trai. Se ela admitir, não existe “traição”, entendida como mentira. Se ela negar, continua-se no mesmo pé, sem saber, ou seja: não há como saber. Esse é o centro da questão, diante disso, que fazer? Só há uma solução: não pensar a respeito. Fácil assim? Não para Bentinho.
O ciúme tem origem natural, instintiva e complexa; envolve sentimentos de apego, posse, insegurança, medo. Por mais provas de fidelidade que o ciumento receba, nunca ficará satisfeito. Continuará a procurar “evidências” da traição, podendo “encontrá-las” em toda parte. É isso que Machado de Assis faz o tempo todo em “Dom Casmurro”. Ao transformar o leitor em parceiro dos pensamentos íntimos de Bentinho, ele nos torna cúmplices de nada mais do que uma versão dos fatos. Uma versão é uma visão parcial deles, e com toda a certeza, tendenciosa. Desde o início do livro, que a cada nova leitura fica melhor, o autor nos induz sutil e lentamente a desconfiar de Capitu.

Perguntaram-me se acho que Capitu foi “culpada”. Eu não gosto do termo “culpa”, assim como não gosto dos termos “desculpa” ou “perdão”, pois acho que tem uma forte conotação religiosa. Não sou religioso, e não é de meu feitio culpar nem perdoar ninguém. Me considero alguém que pensa, procuro entender, não julgar. Agora, se me perguntarem se acho que ela traiu ou não Bentinho, eu respondo: não tenho a mínima idéia, nem curiosidade. Mas acrescento: se alguém carrega chifres, deve ter feito algo para merecê-los.

sábado, 7 de agosto de 2010

Debate Político

Anteontem tivemos debate político na TV. Foi constrangedor. Fiquei pensando a respeito do comportamento e do discurso ideológico-partidário, lembrei de um amigo que, embora inteligente, para defender o Lula, usa de argumentos tão malucos, que parece ter perdido a lucidez. É um discurso apaixonado, irracional, de caráter quase religioso. Grandes absurdos e idiotices são ditas nestas circunstancias. Alguém poderia imaginar que o texto que se segue não foi de gozação? Pois foi publicado imediatamente após a morte de Stálin, pelo France Nouvelle (jornal do Partido Comunista Francês), e não me surpreenderia que alguém o endossasse atualmente. Lá vai:

"O coração de Stálin, o ilustre companheiro de armas, e o prestigioso sucessor de Lênin, o chefe, o amigo e o irmão dos trabalhadores de todos os países, deixou de bater. Mas o stalinismo vive, ele é imortal. O nome sublime do mestre do comunismo mundial resplandecerá com uma claridade flamejante pelos séculos e será sempre pronunciado com amor pela humanidade. A Stálin permaneceremos fiéis para todo o sempre. Os comunistas se esforçarão para merecer, por sua dedicação incansável à causa sagrada da classe operária.... o título de honra de stalinistas. Glória eterna ao grande Stálin, cujas imperecíveis obras científicas nos ajudarão...."

Para quem não acredita, tem mais. Recentes palavras de Oscar Niemeyer: "Alcança enorme sucesso na Europa um livro que reabilita Stálin, figura tão deturpada e injustamente combatida pelo mundo capitalista". Folha de São Paulo, 09/01/2009