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domingo, 17 de março de 2013

Habemus Papam

 
Meu sono foi restaurado!
A humanidade é fraca. Como disse o apóstolo Paulo, vemos o mundo obscuramente, como se através de um espelho embaçado. Erramos, nos desviamos do certo, raciocinamos de uma maneira precária. Vivemos imersos no pecado, na impureza e na infâmia. Precisamos de ajuda, foi por isso que Deus nos enviou sua Igreja, seus profetas, os Santos, o Papa e o sacerdócio....  para nos orientar, porque nossos próprios recursos são falíveis e inadequados. Seja bem-vindo, Papa Francisco, seu rebanho, em júbilo o acolhe, em sua infalível humildade.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A renúncia do Papa


Sinal de incompetência, desinteresse ou simplesmente cansaço em representar uma figura anacrônica, um símbolo, no qual ninguém, nem mesmo ele, acredita? Não importa. O grande João Paulo II deixou um legado (político) magnífico, pôs abaixo o muro de Berlim e as ditaduras mais hipócritas da humanidade. Ratzinger pode ser um grande intelectual, mas sua ortodoxia está distante da realidade de um mundo que não acredita em nada do que ele prega. Catolicismo é religião de país pobre e de gente ignorante, não tão ignorante ao ponto de ser crente, mas alfabetizados ao ponto de serem espíritas ou protestantes (idiotas de outro tipo). O rebanho católico usa camisinha, usa anticoncepcional com alegria, faz muito sexo antes do casamento, trai seus parceiros sem culpa, separam-se quando querem, casam várias vezes, aceitam e respeitam os gays. E não estão nem aí para a infalibilidade papal. Sem contar a repugnância que ele insiste em gerar ao proteger seus amiguinhos pedófilos. Sua renúncia indica que seu papado foi derrotado pela História. A alegria de viver e a luz venceram o medo do escuro, do castigo, do pecado medievais.


Mas, cá entre nós... esse raio caindo sobre a basílica após a notícia da renúncia não parece a fúria de Deus... vai saber como Ele pretende se vingar de tamanha humilhação... Vou me cuidar enquanto é tempo.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Pacientes que não tive (33): as falsas videntes presas em São Paulo


Aconteceu no bairro de Campo Belo: um publicitário de 34 anos foi abordado por duas videntes na rua. Helena Aristides (“mãe Sara”) e Nádia Angélica Marcos; graças a seus poderes mediúnicos, sendo “sensitivas” em contato com o além, o alertaram que corria perigos. Assustado, ele tirou 5 mil reais da poupança que tinha, e fez um empréstimo de mais 10 mil no banco, entregando tudo às médiuns para que não ficasse com “a vida emperrada”. Duas semanas após a conclusão dos trabalhos, depois de pensar um pouco (algo difícil para um imbecil, mesmo para um imbecil publicitário), ele se arrependeu, pediu o dinheiro de volta, mas elas se recusaram a devolver, alegando terem feito trabalhos espirituais sofisticados, coisa complicada, de merecidos honorários. Argumentaram que lidar com esses assuntos requer muito estudo e treinamento.
Há poucos dias as duas videntes foram presas, acusadas de charlatanismo . Eu pergunto: existe algum vidente que não é charlatão? Alguém conhece um vidente ou médium “sério”? Quem é assim tão sábio para determinar qual vidente é vidente de verdade, e qual é vidente de mentira? Os classificados de jornais e revistas estão repletos de anúncios de videntes, tarólogas, jogadores de búzios, que tiram dinheiro de pessoas fragilizadas. Jornais consagrados publicam colunas diárias de astrólogos “sérios”. Se eu pagar 15 mil reais para o Oscar Quiroga fazer meu mapa astral e depois me arrepender, posso mandá-lo para a cadeia por isso? Sei de médicos que encaminham doentes para tratar problemas físicos com sessões de “cura e descarrego”. Já ouvi que um psiquiatra atende esquizofrênicos, dizendo incorporar o espírito de São Lucas. Quantas pessoas não pagam fortunas para pastores de Igrejas Evangélicas, e ao se arrependerem, não tem direito a nada de volta?
Neste mundo, cheio de imbecis, eu defendo o direito que qualquer pessoa tem de ser idiota da maneira que lhe agradar. Na Igreja Evangélica, no centro espírita, no prostíbulo, na boca de fumo da favela ou no terreiro de umbanda, ninguém é obrigado a entrar. Entra quem quer. Paga quem quiser. Recebe de volta aquilo que merece e procurou. O mundo nunca foi justo mesmo... enquanto Edires Macedos enriquecem ostensivamente, alguém se dá ao trabalho de botar essa pobre bruxinha na cadeia. Mania de procurar culpados pela desgraça da condição humana. O maior inimigo de um idiota é ele mesmo. Deixem as videntes em paz!
(Na foto: Mãe Diná, vidente famosa, sob um fluxo de ectoplasma)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Coragem e covardia

Diante das muralhas de Tróia, sedento por vingança, o poderoso Aquiles desafia Heitor para uma batalha de vida ou morte. Todos sabem que Aquiles, filho de deuses que é, não será derrotado numa luta comum, desfecho desta já foi decretado por Zeus. Serenamente, Heitor fornece orientações à sua esposa, Andrómaca , pede que seu pai, Príamo, lhe perdoe por seus erros e lhe deseje sorte, empunha sua espada e parte para uma batalha de resultado conhecido. Ele sabe que vai morrer, que não há nada que possa ser feito para alterar este fato. Mesmo assim, segue adiante, sem esperança de manter qualquer coisa, além de sua honra. Ele lutará até a morte em defesa daqueles a quem ama, sem cenas, sem alarde e sem arrependimento. Simplesmente cumprirá o destino que lhe cabe. O último episódio da Ilíada, narra os funerais de Heitor, depois dos quais o destino de Tróia está selado. À imagem simbólica da morte do homem, segue-se a destruição de sua cidade.  
A beleza da tragédia grega, o que a torna tão familiar, é que entre seus personagens, como entre seus deuses, não existem bandidos nem mocinhos, vilões ou inocentes, bons ou maus, todos são movidos por interesses e emoções comuns, egoístas, vaidosas, mesquinhas. São humanos demais.

Heitor contrasta fortemente com Aquiles, pois lutava por Tróia, sua família, e sua honra. Já Aquiles lutava apenas pela glória. Existem pessoas que se identificam com Aquiles, admirando sua força incomparável, seu poder de sedução. Estes são os meninos, que sonham em ser fortes, querem ser como deuses, admirados e invejados... desejos naturais em meninos, seres incompletos que são, em formação, como todos nós já fomos um dia. Mas alguns já deixaram de sê-lo e se tornaram homens. Estes se reconhecem na figura de Heitor, que mesmo sabendo de seu trágico destino, dele não foge. Heitor é o adulto que enfrenta a batalha diária da vida, sem recuar, mesmo sabendo que no final será subjugado, morto, derrotado.  

Deixemos os gregos um pouco de lado para pensar nos Italianos. Sei que esse assunto já foi explorado à exaustão, mas não consigo resistir em comentá-lo, pois foi ele que me lembrou Heitor. Porque será que o comportamento covarde do Comandante Schettino, que se recusou a voltar a bordo do navio Costa Concordia, enquanto este afundava no mar Tirreno, em decorrência de sua própria incompetência e fanfarronice, nos choca tanto? Imagino que seja devido ao fato de que reconheçamos nossa própria fraqueza em seus atos, nossa covardia humana secreta, guardada a sete chaves. Por isso repetimos, gritando ao mundo, à imprensa, até em camisetas, nossa indignação oficializada na frase de Gregorio de Falco: “Volte para o navio, Caralho!”. Covarde é o outro, não eu, por isso preciso denunciá-lo, afinal, eu pertenço ao grupo dos bravos, me identifiquei com a figura de Heitor.

Estou com pena de Schettino. Aos 52 anos, um napolitano com perfil de bon-vivant, causou uma desgraça quando, após tomar umas taças de vinho a mais, decidiu exibir sua habilidades à bela Domnica Cemortan, de 25 anos, por quem nutria desejos pouco recomendáveis a homens como ele, casados. Como um menino que pega escondido o carro do pai para impressionar a namorada, deu no que deu. Se você não guarda nem um pouco de piedade por Schettino, não o culpo. Mas, voltando 3.200 anos no tempo, aos gregos de Homero, na IlÍada, a fundadora da literatura ocidental. Quero lembrá-lo que a guerra de Tróia, a maior travada até então, também foi causada pelo assanhamento masculino, essa incapacidade de alguns homens em resistir a um belo par de pernas. Páris, irmão de Heitor, encantou-se por Helena, a mais bela mortal. Mas, covarde que era, fugiu da luta com Menelau, marido humilhado e traído, causando a guerra que culminou na morte do corajoso Heitor. Repare em um detalhe: embora covarde, Páris não era burro. Treinou sua pontaria com arco e flecha e matou Aquiles, acertando-o no calcanhar, seu único ponto frágil, fechando o círculo.  

Para saber mais sobre Heitor ou Schettino, compare as duas postagens abaixo...

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Pacientes que não tive 30: Albert Einstein


Não vou falar a respeito de suas enormes conquistas científicas, das quais todos estão cansados de saber, mas sim de aspectos pessoais problemáticos, que o público normalmente desconhece.

Einstein, quando jovem, teve o azar de viver a situação de uma gravidez não planejada. O que fez ele? Nem quis saber de conhecer a filha indesejada, não de deu sequer ao trabalho de conhecê-la. Uma saída de gênio (?)... seu nome era Lieserl Einstein, ela foi entregue para adoção e morreu em um ano. Após casar-se com Mileva, Einstein teve dois filhos. Hans Albert, o primogênito, que teve pouquíssimo contato com o pai, e mesmo assim, apenas depois de adulto. Eduard era o filho mais novo, cursou medicina e queria ser psiquiatra, sofria com a ausência do pai, tentou o suicídio, desenvolveu esquizofrenia e foi internado em um sanatório, onde passou a viver isolado. Até 1945, quando a guerra terminou, havia a desculpa da dificuldade causada pelo nazismo, até então no poder. Mas depois desse ano, Einstein teve 10 anos para visitá-lo e não o fez. Não o visitou quando a mãe dele faleceu, nem nunca mais. Eduard ficou sozinho até sua morte em 1965, aos 55 anos.
Termino esses tristes fatos com uma frase do próprio Einstein: “Não posso julgar o que fez, porque não conheço seus motivos para isso”

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Pacientes que não tive 29: Jânio Quadros (e família)




Todos na família se acusavam de ser loucos: Jânio havia internado sua filha, Tutu Quadros, que depois internou Jânio (que já havia tentado internar o seu pai). Tutu brigou com as três filhas pela herança de Eloá, sua mãe, esposa de Jânio. As netas de Eloá acusaram a mãe, Tutu, de tê-las abandonado, mesma acusação que Tutu dirigiu ao pai. Dona Eloá deserdou Tutu, que investiu contra as próprias filhas. Eloá morreu sem rever Tutu. De olho no patrimônio do pai, Tutu exigiu na justiça uma declaração da incapacidade do pai. Ninguém se entendeu com ninguém.
Sucessor de Juscelino Kubitschek, que incentivou o desenvolvimento da industria automobilística e construiu Brasília, o legado de Jânio foi a proibição do biquíni, das rinhas de galo e do lança perfume no carnaval. A única construção que fez em Brasília: um pombal. Seu legado político: a maldição de sua histérica renúncia, que culminou no golpe de 64, levando a 20 anos de regime militar.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Pacientes que não tive 28: (o noivo da) Duquesa de Alba


Aos 85 anos de idade, uma das mulheres mais ricas do mundo, com uma fortuna avaliada em 4,7 bilhões de dólares, integrante da nobreza espanhola, a aristocrata com mais títulos reconhecidos pelo Guiness, teve uma árdua tarefa a cumprir: enfrentar a oposição de seus filhos, contrários a seu casamento com um modesto funcionário público, 25 anos mais jovem do que ela, numa festa considerada o mais elaborado evento social da Espanha, desde o final da monarquia. Não se sabe o porquê, mas eles foram contrários ao enlace.
Ela afirmou: “Eu acredito em Deus. Sou católica praticante, portanto sou contra o aborto, contra o divórcio e contra todas essas atrocidades que proliferam num mundo sem regras e sem temor a Deus. Por isso é que estou casando pela terceira vez, eu não tinha outra saída, não serei chamada de pecadora”.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Pacientes que não tive, 27: William Herrera

À espera do juízo divino, trancado dentro da Assembléia de Deus, em Havana, Cuba, junto com mais 61 fiéis há mais de um mês, o pastor William Herrera disse por telefone à reportagem da Folha: "Recebemos um mandato de Deus, que disse que viéssemos para cá por causa das coisas que estão acontecendo neste país. Muita idolatria, homossexualidade. Virá um juízo para Cuba por parte de Deus. Em toda época há os que são chamados de loucos, os que vão contra a corrente. Não nos importamos com essas mentiras. Deus nos mandou guardar comida para um tempo e aqui ficaremos”. Ele criou uma conta no Twitter (@fuentevidacuba) para explicar o chamado de Deus e as curas e milagres que, segundo ele, ocorrem durante as jornadas de oração. Qualquer um que tenha interesse em ordens vindas diretamente do criador podem obter maiores informações junto ao grupo.

Entre os confinados estão 19 menores de idades, e 4 gestantes. Eles garantem que só sairão de lá depois de receberem uma ordem divina. Ou se forem resgatados, direto para o hospício. A psiquiatria não se dá muito bem com profetas...

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Pacientes que não tive 25: Amy Winehouse

1983-2011

Apenas 27 anos. Problemas de saúde, problemas com a polícia, fama, dinheiro e infelicidade. Triste exemplo para aqueles que marcham pelas drogas.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Em defesa da liberdade de expressão religiosa


 Foram três anos de luta na justiça, mas no fim, o austríaco Niko Alm conseguiu convencer o governo de seu país a permitir que nas fotos de seus documentos, ele apareça com um coador de macarrão na cabeça.
A princípio, as autoridades suspeitaram de que ele sofresse de alguma doença mental. Submetido a exames psiquiátricos, o médico concluiu que Alm não só era psicologicamente são, como seus argumentos eram absolutamente legítimos. Diante da autorização legal que permitia a judeus o uso do quipá e a muçulmanos o uso do véu islâmico em fotos de documentos oficiais, Alm solicitava igualdade de tratamento a sua religião, o Pastafarianismo (vide postagem do dia 20/07/2011 neste blog), religião que cresce no mundo inteiro, acreditando que Deus é formado de uma bola de espaguete e almôndegas gigante, e cujos dogmas exigem o uso do coador de macarrão na cabeça.
Alm apenas quer respeito por suas crenças, legitimação de seus direitos religiosos, como a ostentação pública dos adereços que representam suas mais profundas convicções pessoais sobre os porquês da vida e do universo, os mistérios da existência e da morte. Membro de uma minoria religiosa, tem sido alvo de violentas críticas, inclusive sendo injustamente acusado de ateísmo. Abaixo, seu documento:

sábado, 23 de julho de 2011

Pacientes que não tive 23: o motorista do Porsche assassino


No dia 9 de julho, Marcelo Malvino, engenheiro de 36 anos, acelerou o Porsche que dirigia na rua Tabapuã, até a velocidade de 150 Km/hora, atingindo o veículo dirigido por Cintia Santos, matando-a na hora. Do local do acidente, ligou para seu advogado, repetindo: “acabaram com meu carro!”. Em recente entrevista à Folha de São Paulo (23/07), o engenheiro, em sua defesa, afirmou:

“Graças a Deus eu tive um bom exemplo, meu pai sempre trabalhou. Trabalhei, ganhei dinheiro, compro o que eu quiser com ele. Meu problema é porque meu carro é um Porsche, de 500 mil reais, que eu acho lindo, bacana, gostei desde criança. Se eu tivesse comprado um apartamento com esse dinheiro, seria considerado normal. Estou sendo acusado da morte de uma pessoa. Se eu tivesse morrido, seria acusado de suicídio? Acordei no hospital, onde estava com o peito roxo e tive de costurar a orelha... Não sou bandido. O farol abriu, eu saí um pouco mais rápido, o farol da frente estava verde, eu passei. Não cometi nenhum ato de irresponsabilidade. Tudo tem um porquê, que a gente tem que aceitar. No acidente, ela morreu. Com certeza isso estava no plano de Deus. Deus quis me mostrar alguma coisa.”

Fico pensando se as pessoas que acreditam em Deus, a família de Cíntia, e os religiosos que tanto me criticam concordam com ele...

terça-feira, 21 de junho de 2011

Pacientes que não tive 22: Natalie (não sei do que...)

"Tem uma hora na vida de toda mulher em que ela precisa decidir se vai ser feliz ou vai ser magra. Eu decidi ser magra. E nem paladar tenho mais".
Afirmação de imensa e doentia sabedoria atribuída à paciente de Déborah Secco na novela Insensato Coração, da Rede Globo.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Pimenta Neves, assassino impune.

Dez anos após o assassinato, Pimenta Neves vai preso, aos 70 anos. Ele se diz "deprimido", e não duvido que alegue este fato para deixar sua pena e se "tratar".
Se ele sofre de depressão, não encontro palavras para nomear o sofrimento dos pais de Sandra Gomide, que conheci pessoalmente, de quem tive a oportunidade de tratar. Pessoas íntegras, que assistiram com impotência e dignidade à liberdade grotesca e impune do infame assassino de sua filha. Com eles hoje me solidarizo.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Tiradentes: 21 de abril

Tiradentes e seus amigos, viviam, no século XVIII, sob regras de um governo constituído, das quais não gostavam. O grupo chamado de Inconfidentes, do qual ele participava, resolveu então, tomar atitudes afim de derrubar esse governo, que já contava com quase 300 anos de tradição e legitimidade. Interessante notar que “inconfidente” significa “infiel” ou “traidor daqueles que nele confiam”, segundo o Aurélio. Como além de inconfidentes eram também incompetentes, traíram uns aos outros e foram todos presos e julgados. Como muitos elementos do grupo eram filhinhos de papai rico, com patentes superiores, apenas Tiradentes, por ser de classe social mais baixa, foi condenado à morte. Enforcado, esquartejado, aquele horror. Após a Independência, o governo acabou sendo modificado para o Império, estranho período esse, no qual o pai (Dom Pedro I ) tem cara de filho jovem e mulherengo, e seu filho (Dom Pedro II ) tem cara de pai, velho e cansado. Tiradentes estava esquecido, e assim permaneceu até que em 1889, com a chegada da República, os militares, que haviam expulsado o Imperador do país, precisavam de novos ícones de heroísmo nacional. Mitificaram então a biografia de Tiradentes, dando-lhe ares de santidade. As semelhanças de suas imagens barbudas e serenas não é acidental, pois tenta-se aproximá-lo da figura de Cristo. Observe as fotos:


 














Fica a lição: o bandido fora-da-lei de um governo é o herói de outro governo. E por causa desse monte de asneiras, neste país de preguiçosos, hoje não se trabalha.

terça-feira, 15 de março de 2011

Ahmadinejad e os homossexuais- 2

Não consigo deixar de comentar. Me lembrou que há mais de um ano, escrevi sobre a postura do presidente do Irã com relação aos homossexuais. Em entrevista à Folha, publicada ontem, Ali Akbar Javanfekr, 51 anos, chefe de imprensa do governo do Irã, bacharelado em mídia, com mestrado em administração, coordenador de comunicação do governo iraniano, conselheiro sênior e representante do presidente Mahmud Ahmadinejad, disse que a distribuição de 90 milhões de preservativos pelo governo brasileiro no carnaval foi algo “muito feio”e “contrário à saúde da humanidade”. Será possível que ele acredite nas próprias palavras? Se ele é capaz de declarar isso em público, imagino do que seria capaz na intimidade. Vale a pena ler esse trecho da entrevista...


Folha:É verdade, como diz o presidente Ahmadinejad, que não há gays no Irã?
Akbar:Não temos.
Folha:É o único país do mundo que não tem gay?
Akbar:Na República Islâmica do Irã, não há.
Folha:Se houver, há punições?
Akbar: Nossa visão sobre esse tema é diferente da de vocês. É um ato feio, que nenhuma das religiões divinas aceita. Temos a responsabilidade humana, até divina, de não aceitar esse tipo de comportamento. Existe uma ameaça sobre a saúde da humanidade. A Aids, por exemplo. Uma das raízes é esse tipo de relacionamento.
Folha: A Aids é uma punição divina aos gays?
Akbar: Não creio nisso. Mas vi que no Carnaval [do Brasil] foram distribuídos 90 milhões de preservativos, e isso é muito feio. Não é a favor da saúde da humanidade.

Na íntegra:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1403201123.htm

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Pacientes que não tive 14: Kiki Hanafilia

Kiki Hanafilia, indonésia de 17 anos está sendo chicoteada pela polícia de seu país, após ser condenada, por ter cometido o crime de beijar seu namorado, Anis Saputra (24 anos). É assim que uma demonstração de afeto é tratada neste lugar do mundo, pela lei islâmica, a Sharia. Mais importante do que as físicas, marcas psicológicas permanentes ficarão deste triste episódio, que poderiam ser aliviadas por um tratamento adequado. Mas nos países islâmicos não existem psiquiatras. Esses países não participam de congressos internacionais de saúde mental. Segundo as autoridades locais, seu povo não sofre de coisas como depressão, ansiedade ou homossexualismo, que seriam males de infiés, epidêmicas nos países decadentes do ocidente, erradicadas pela piedosa lei islâmica, como se vê acima.
Ahmadinejad já se pronunciou a respeito (vide postagem do dia 01/03/2010 neste blog)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Onde estava a psicóloga?

Karen Tanhauser, psicóloga de 37 anos, voltou do almoço com o namorado, entrou no prédio onde mora e sumiu por 3 dias. Família em desespero, polícia procurando, Karen resolveu dormir no porta-malas de um carro na garagem. Não foi forçada a nada. De médico e louco, todo mundo tem um pouco, sempre me lembram. Precisava?

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Pacientes que não tive 11: Padre Adelir de Carli, o padre voador

O determinado padre estava muito entusiasmado em promover as ações da pastoral rodoviária, que faz missas nas estradas e dá apoio espiritual aos caminhoneiros, devido ao sofrimento que eles passam nesses caminhos. Queria chamar a atenção a sua causa, voando preso a balões de festa cheios de gás hélio. Pilotos de balão experientes advertiram que era loucura, mas o padre, que já havia sido expulso de um curso de vôo livre anteriormente, tinha muita fé em Deus. Há três anos, ele havia sido expulso de um treinamento para vôo, por indisciplina. Segundo o professor da escola Vento Norte, Kauan Lichtonow, o padre mostrou indisciplina e inexperiência no tempo em que ficou na escola de parapente “Ele fez aula só um tempo, um mês mais ou menos. O padre foi muito indisciplinado, não quis participar das aulas teóricas, achava que sabia de tudo”, explicou.  O presidente da Federação Paranaense de Balonismo, Adriano Perini, chegou a ligar para Carli para tentar fazê-lo desistir da idéia do vôo. “Recomendei que ele fizesse um curso e não voasse perto do mar, mas ele brincou dizendo que Deus está olhando”, afirmou. De acordo com Mauro Chemim, piloto de balão com 15 anos de experiência, o padre não deveria ter decolado com chuva. "Ele decolou de lugar errado e não tinha suporte técnico de meteorologistas."
Muitos foram os avisos. Antes da decolagem, em abril de 2008, debaixo de forte chuva, ele rezou uma missa, abençoou os fiéis e, contrariando o bom-senso, a experiência de técnicos competentes, as advertências do corpo de bombeiros, partiu com sua fé para os céus. Literalmente.