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sexta-feira, 25 de julho de 2014

As Pontes de Madison: um mergulho na natureza e mistérios do amor.


Francesca (Meryl Streep, ganhando o Oscar por esta atuação) é uma dona de casa comum, casada com um homem digno, que a respeita e com quem tem dois filhos. Sua vida familiar é tranquila, funcional, sem grandes dramas. Rotina, porém, que também é esmagadora e tediosa. Esta calmaria, aparentemente previsível, prenuncia a chegada de uma tempestade. Algo está faltando. Eterno insatisfeito, o ser humano, ao atingir uma aparente realização e estabilidade (no caso, a meia-idade), volta seu olhar para dentro de si, sentindo-se descontente. Francesca parece querer viver algo além do que a vida lhe oferece no momento. A consciência, sempre se transformando e evoluindo, traz a necessidade de um encontro mais profundo, que revelará o que há de mais sensível e secreto em sua individualidade.

Platão, há 2.400 anos, já nos dizia que a verdade é inatingível, algo que sempre está além. Quando imaginamos tê-la alcançado, descobrimos que precisamos seguir adiante, numa busca sem fim, como chegar ao horizonte, irrealizável. Em "O Banquete", ele nos conta que, no passado, existiam os andróginos, seres completos, com dois gêneros, tanto masculino, como feminino. Estes seres seriam tão completos, perfeitos e felizes, a ponto de sua plenitude incomodar aos deuses, que sentindo-se ameaçados por tamanha harmonia, levaram o maior dentre eles, Zeus, a partir os andróginos em duas metades, separando-as para sempre. Os humanos seriam descendentes desses andróginos mutilados, espalhados pelo mundo, todos ainda a procura de sua "metade perdida". Quando nos apaixonamos, sentimos a sensação maravilhosa de termos encontrado nosso "contrário", e nos sentimos temporariamente completos, novamente felizes. Platão nos diz que isso é uma ilusão, pois afirma que o objeto de amor sempre está ausente, ou seja, "o que se ama é somente aquilo que não se tem". 

Francesca, durante a ausência de sua família (por apenas quatro dias), conhece o fotógrafo Robert Kincaid (Clint Eastwood), e por ele se apaixona. Como ela mesmo revela depois em seu testamento, não se passou um único dia desde então, em que ela não pensasse nele. Entregar-se a esta paixão traz a estranha sensação de que ela não é mais dona de si mesma. Este homem faz com que suas reações, pensamentos, esquemas rotineiros de lidar com a vida, entrem em colapso. Ela passa pela descoberta de um "eu desconhecido", alguém estranho dentro dela, que estava lá, adormecido, esperando para ser acordado pelo outro. Passa a ter pensamentos com os quais não sabe o que fazer. Tudo o que pensava ser verdade a seu respeito desaparece. Passa a agir como se fosse outra pessoa e, no entanto, sentindo-se mais verdadeira do que nunca anteriormente. A grande tragédia de seu adultério é a consciência de fazer algo contra alguém que não o merece: seu marido traído é inocente.

Voltando a Platão. A busca de reparação do sofrimento infligido pelos deuses, essa busca do paraíso perdido, após o pecado original, através do amor irresistivelmente projetado no outro; como ensinou o filósofo, se mostra impossível. Francesca se dá conta que o amor não obedece às nossas expectativas, seu mistério é puro e absoluto. Ela percebe que o amor que vive com Robert, não duraria se eles continuassem juntos. E o tanto que ela compartilha com o marido, desapareceria se eles se separassem. A contradição aparente é que, para que o amor dos amantes sobreviva, eles precisam se separar ("o que se ama, é aquilo que não se tem"). Sem saída, ela opta por continuar casada, não nega o que sente por Robert, sofre e enfrenta. Diante da necessidade de deixar para trás o que passou e enfrentar o que desponta, ela sacrifica (torna sagrado) o presente (seu amor por Robert), preservando valores imprescindíveis, como a criação dos filhos, a parceria de confiança e generosidade que tem com o marido. A solução que ela encontra, a grande síntese, consiste em reprimir o amor, permanecendo com a família. Apesar da ausência daquele a quem ama, passa a viver com ele secretamente por toda a vida, internalizado, na verdade mais profunda, como parte de sua alma, sua metade perdida.



AUSÊNCIA
Por muito tempo achei que ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje, não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
(Carlos Drummond de Andrade)


sábado, 14 de dezembro de 2013

Casais Felizes


O amor é frágil, sobrevive muito mal à realidade. A felicidade é uma foto sobre uma mesa, em um mundo que adora mentir sobre si mesmo. Olhando a foto do casal feliz acima, percebo como é banal nossa revolta contra a evidente ausência de sentido da vida. Todos nesse momento atiram pedras em Elize Matsunaga, como a reforçar como são diferentes dela. Existe um pacote de mentiras básicas propagadas pelas pessoas que querem ser consideradas felizes por seus próximos. Mais uma forma de intoxicação nas próprias mentiras, desses hipócritas do bem. Quase tudo é farsa na pretensa vida superbem resolvida de gente superlegal, alto-astral, que não trai o cônjuge, que ama as plantas, que protege o planeta das sacolinhas plásticas. Aqueles que trazem no rosto o sorriso idiota da capa dos livros de auto-ajuda, essa praga que ensina as pessoas a serem mais burras do que já são, exalam um fedor que sinto de longe.
Não temos como escapar da maldição da infelicidade, pois, da mesma forma que a dor, ela está programada em nossos genes. Os homens traem muito suas mulheres, isso é uma verdade desagradável, que os escravos da mania de felicidade não gostam de admitir. Existem prostíbulos de luxo em São Paulo, repletos de executivos, cujas esposas estão na academia, ambos traindo um ao outro. Claro que também existem aqueles que são fiéis às esposas, mesmo que isso implique em sua própria infelicidade. Vivem num faz de conta supremo, onde a mentira bonita é preferível ante a nauseabunda condição humana. Pois os seres humanos vivem uma realidade terrível, com medo constante do fracasso, da doença, da mediocridade. Somos vítimas de nossas incontroláveis paixões, de nossa finitude e efemeridade. Seres esquecidos e abandonados à própria sorte, somos como barcos à deriva, navegando sem rumo por um oceano desconhecido, de instintos e impulsos, que fatalmente terminará no envelhecimento, no adoecimento e na morte. Sem opções. Viva tranquilo com isso.
Um limite muito tênue e artificial nos separa desse casal infeliz. Por puro acaso essa mulher foi presa, enquanto outra tão ou mais vagabunda que ela, com um marido tão ou mais imbecil que ele, continuam aprontando por aí. Há mais assassinos soltos do que presos, nesse mundo sem justiça. Esse pobre japonês não tinha capacidade para conquistar e seduzir mulheres com seu charme (o coitado era muito feio), mas como muitos japoneses que eu conheço, se achava irresistível. Suas gorjetas de R$ 27 mil deviam ser mesmo irresistíveis para meninas pobres e gostosinhas. Me dá é pena da ordinária que teve o azar de ver morrer a galinha dos ovos de ouro. Não podia acabar bem. Nunca vai acabar bem. Esteja preparado, quando sua vez chegar, e não for mais possível fugir da miséria da existência, aí você entenderá melhor, o que significa ser o habitante de um mundo sem sentido.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Parto em Casa


Meu corpo, minhas escolhas. Será mesmo? Recentemente sofri de uma pneumonia. Não me mediquei, apesar de ser médico, pois sei que outros colegas entendem melhor sobre antibióticos do que eu. Poderia ter me medicado? Poderia. Se um biólogo ou um historiador sofrerem do mesmo mal, podem se medicar? Se forem idiotas o suficiente, podem. Se for um imbecil total, pode se tratar com homeopatia, ou remédios “naturais”. Tem gente que é contra o uso de antibióticos, por ideologia. Dentro de certos limites, as pessoas fazem uso de seus corpos, de acordo com suas escolhas. Tem gente que toma sol sem protetor solar. Tem quem fuma, quem bebe, quem ama maconha. Tem gente que se atira de pára-quedas, de asa-delta, que faz mergulhos radicais. Tem aqueles que adoram sexo sem camisinha com estranhos.
Com relação aos partos, também assistimos a modismos bizarros. Houve a moda do parto de cócoras, “natural como o das índias”. O parto embaixo da água. Parto com música clássica. Quando a anestesia começou a surgir, no séc.XIX, os médicos tinham medo de usá-la no parto, pois na bíblia estava escrito que a mulher deveria “dar à luz em dor”, conforme se lê no Gênesis, por ter comido a maçã. Parto com anestesia, sem dor, ia frontalmente contra as ordens de Deus. Eu acredito que cada louco tem o direito de fazer a maluquice que lhe couber, pena que, nesse caso, quem sofreria as consequências de uma indesejada complicação, seria o inocente, que não tem culpa por ter uma mãe idiota.  
Acho válido: meu corpo, minha idiotice, minhas escolhas

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O Pomo da Discórdia (às vezes convém ficar quieto)




Para a festa do casamento de Peleu e da ninfa Tétis, futuros pais de Aquiles, os deuses do Olimpo, preferiram não convidar Éris, a deusa da discórdia. Ninguém queria vê-la em dia de festa, pois onde ela aparecia, as brigas e desentendimentos suplantavam a harmonia. Mas, como não podia deixar de acontecer, Eris aparece justamente onde não foi chamada, furiosa. Para se vingar, joga na mesa dos deuses um pomo de ouro com a inscrição: “Para a mais bela”. Como era de se esperar, as três deusas mais próximas, se consideraram merecedoras, e o conflito lentamente se insinua até terminar em tragédia. Zeus, experiente chefe de família, chamado para decidir a questão, gentilmente recusa a tarefa, evitando tomar qualquer partido na briga. A decisão recai sobre Páris, príncipe de Tróia, que com a ingenuidade da juventude, aceita o papel de juiz.
As três deusas se apresentam a Páris, e cada uma delas, para receber a indicação de “a mais bela”, e então poder levar o pomo de ouro, a fim de ganhar seu voto, promete a ele aquilo que ela própria representa. Hera, esposa de Zeus, que reina sobre os deuses, promete que, se for a escolhida, Páris receberá um reino sem igual na terra. Atena, deusa da inteligência, das artes e da guerra, lhe garante, sendo eleita, sabedoria e glória. Já Afrodite, deusa do amor, lhe garante a sedução da mais bela dentre todas as mortais.
Páris dá o pomo a Afrodite. Para a grande infelicidade de todos, a mais bela mortal é Helena, mulher de Menelau, rei de Esparta. Com ajuda de Afrodite, então Páris seduz e rapta Helena, dando início à maior guerra de todos os tempos: a Guerra de Tóia. Eris conseguiu seu objetivo. Não é por acaso que o nome da deusa da discórdia é tão parecido com o nome do deus do amor: Éris e Éros. É porque passamos de um ao outro com imensa facilidade, a ponto de se dizer que são faces opostas do mesmo fenômeno. Amor e discórdia.
Fez bem Zeus ao ficar de boca fechada.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Dona Flor e seus dois maridos



Vadinho, o primeiro marido de Flor, lhe apresentou as delícias e dores do amor. Encantador para as mulheres, quase irresistível. Era charmoso, sensual, atrevido, sedutor e inconsequente. Mas também mulherengo e irresponsável. Com ele tudo era intenso. Bebia, jogava, tinha amantes.Não trabalhava, vivia na farra. Todos adoravam sua companhia. Não ligava para o futuro, só queria viver o aqui e agora.
Teodoro, o 2º marido de Flor, era o oposto. Honrado farmacêutico, homem trabalhador, culto e educado. Oferecia todas as seguranças que uma mulher pode querer, respeitabilidade social e fidelidade acima de qualquer suspeita. Mas não tinha graça nem encantava ninguém. Não perturbava os sonos de Flor, não despertava seus desejos. Era um chato.
Freud, em sua teoria estrutural da mente, descreveu o que chamou de Id, um reservatório inconsciente de energia e de pulsões, sempre ativas, regido pelo princípio do prazer, exigindo satisfação imediata desses impulsos, sem levar em conta a possibilidade de conseqüências indesejáveis. Jorge Amado o chamou de Vadinho.Freud chamou de superego o censor, um juiz rigoroso, vigia cruel e incansável, modelo de conduta, contendo os ideais derivados de valores familiares e sociais. Fonte de sentimentos de culpa e medo de punição. Corresponde, no romance a Teodoro.
Dona Flor sofria para conciliar os opostos. Protegia Vadinho, a quem desejava; de Teodoro, a quem respeitava. Precisava do calor de um e da segurança do outro. Ela corresponde ao Ego, funciona do em nível mais consciente, regido pelo princípio da realidade, procurando se equilibrar entre os outros dois, permitindo a realização parcial de desejos do id (Vadinho), mas sempre sob a rígida vigilância dos limites impostos pelo superego (Teodoro), num conflito permanente entre forças opostas, tentando conciliar o conflito. Ela personifica o drama constante de todos nós: o equilíbrio entre a realização dos desejos, conseguindo o máximo de prazer, com o mínimo de prejuízos.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O que querem os homens?



A prostituição feminina no Japão antigo era altamente sofisticada. Esposas eram restritas aos cuidados com o lar e filhos. As cortesãs (prostitutas) é que eram procuradas pelos homens para o sexo e envolvimento amoroso. Recebiam uma educação sofisticada, que costumava se iniciar muito cedo, quando ainda crianças. Aprendiam literatura, música, artes, história, etiqueta, etc... "Mulheres para brincar" eram classificadas e recebiam licença legal para trabalhar em "casas de prazer", com preços muito variáveis, muitas vezes negociados pelas próprias esposas dos clientes, que não raro, as escolhiam. A fala abaixo foi extraída do romance "Gai-Jin" (estrangeiro, em japonês), de James Clavell, e ilustra como uma cortesã era instruída por sua superiora, no Japão do século XIX:
"É esse meu dever, treiná-la, mantê-la gentil e generosa, disposta a se sacrificar pelo prazer do homem... não por seu impulso. É isso o que mantém os homens felizes e contentes, o prazer, em todas as suas manifestações. Aprender é a parte mais importante de nosso trabalho. É fácil satisfazer o corpo de um homem... um prazer transitório... mas é difícil agradá-lo por um prazo mais prolongado, envolvê-lo, conservar seu favor. Isto deve vir através dos sentidos da mente. Para consegui-lo, é preciso treinar com extremo cuidado. Não é sexo que os homens realmente procuram em nosso mundo, mas romance... nosso fruto mais proibido."

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Uma Vênus moderna


Vou continuar neste assunto, que para mim tem sido mais interessante do que a renúncia do Papa. Mulheres bonitas são algo que os homens tem no pensamento o tempo todo, por isso lembrei das diversas deusas citadas, cada uma de um período diferente. Minha Vênus é a mesma de Jorge Amado: a eterna Gabriela, Sônia Braga. Uma mulher simples, franca, de sensualidade espontânea, sem necessidade de qualquer produção. Autenticidade pura. Sem frescura ou pretensa sofisticação. Que dispensa cremes, loções, tintas, roupas caras, usando apenas uma flor no lugar de jóias de valor. Uma mulher que acorda linda pela manhã. Porque quem precisa de produção para despertar a atenção dos homens, são os travestis que seduzem bêbados perdidos na madrugada da avenida Indianópolis.

sábado, 10 de novembro de 2012

Lipoaspiração Divina

 

Perder peso ficou mais fácil. Já é possível perder 5 kg, ou mais, em apenas uma hora, sem dietas, sem remédios, sem sofrimento. Esqueça os conselhos dos médicos para deixar os chocolates, pizzas e picanhas. Deus ouviu o lamento dos homens (e principalmente das mulheres) e, em sua infinita bondade, decidiu que já é hora de livrá-los da gordura e da celulite. Emagrecimento saudável e instantâneo. Os milagres de emagrecimento tiveram início na cidade de Cariacica, próxima a Vitória. Lá, na Igreja Casa da Benção, o pastor César Peixoto observou que, após suas vigílias, as pessoas sentiam suas roupas mais folgadas. Foi aprimorando seus sermões até chegar ao que chama de “Lipoaspiração Divina”. Seus cultos são um sucesso, cada vez mais animados e concorridos. Lotados de gordinhas, aos gritos de “saia, gordura, desse corpo que não te pertence em o nome de O Senhor Jesus”. Os testemunhos são encorajadores.
A comerciante Gabriela Cordeiro, de 35 anos relata que “com a lipoaspiração divina, recuperou sua forma física, sua auto estima, e seu namorado. Graças a Deus!”.A estudante Miriam Bestowska começou a frequentar os cultos: “Sou muito gostosa, não preciso emagrecer, mas sinto que sempre saio dos cultos, de alguma forma mais leve”. As fiéis estão extasiadas...
 

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Lipoaspiração Macabra


                               
Estou para conhecer homem (artigo cada vez mais raro, segundo fontes seguras... homem que goste de mulher, não gay, nem crente fanático) que ache que a mulher da foto precisasse de retoques cirúrgicos, lipoaspiração, cirurgia de estômago ou coisa parecida. Só o cirurgião que a matou (provavelmente por que estava pensando nos seus honorários, e não no interesse dela) achou que ela precisasse de algo além de uma dieta balanceada e atividade física regular. Eu me arriscaria a sugerir uma produção leve, um pouco mais de recato e um namorado divertido, que gostasse de brincar com seu umbigo. Se me fosse solicitado, eu sugeriria aspirar o cérebro do cirurgião, não o corpo de Pamela Baris.
Nossa cultura produziu uma triste legião de mulheres insatisfeitas com o próprio corpo, que invadem consultórios onde cirurgias plásticas e lipos são sorteadas pela loteria, financiadas a crédito consignado, negociadas assim como cachos de banana na feira, prometidas como a solução de todos os problemas “afetivos”. Existem anúncios obscenos oferecendo cirurgias em consórcio, como se fosse uma moto ou um carro, um sonho de consumo. Algumas mulheres trocam próteses mamárias com a facilidade com que outras trocam de sutiã.
Qualquer homem em sã consciência adoraria apalpar as “gordurinhas” que ela resolveu lipoaspirar. Pode ser que algo lhe faltasse, como falta a todos nós, pois todos somos menos bonitos do que gostaríamos, menos inteligentes, menos justos, menos corajosos, menos competentes, menos felizes. Ser humano é ser sempre menos do que gostaríamos. Lidar com isso não é da competência da anestesia, do bisturi, da tesoura. Há algo de profundamente errado no fato de se exigir a beleza física onde ela não está, não enxergá-la onde ela existe, e colocar a vida em risco na sua procura.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Como a Psicanálise funciona



Zilda era conhecida na família como uma mulher maravilhosa. Boa mãe, boa esposa, boa filha, boa cunhada. Com um profundo sentimento de família, ajudava a todos os parentes, sempre prestativa, não media sacrifícios pelo bem do próximo. Dona de casa exemplar, exímia cozinheira. Trabalhava também como voluntária na Igreja, ajudando os pobres. Patrocinava uma ONG que enviava alimentos para crianças africanas carentes. Reciclava o lixo. Edésio, seu orgulhoso marido, dizia com justiça, que Zilda era uma santa. Todos que a conheciam concordavam.
Até que num belo dia, Zilda leu um livro de auto-ajuda de uma psicóloga famosa, que estava na moda, aparecia em todos os programas da TV. Ficou impressionadíssima. Pensativa, releu não sei quantas vezes. No princípio, retraiu-se, ficou meio quieta, calada. Isolava-se de uma maneira inédita. De repente, inesperado, o pesadelo começa. Vai até Edésio e diz: -“Minha vida está toda errada!”. O marido, de bermuda estampada e chinelos, tomou um susto: -“Que brincadeira é essa?”. E ela: -“Brincadeira nada. Nunca falei tão sério na minha vida.”. O pobre homem, espantado, não conseguia entender: -“Deixa eu te ver, olha para mim...”. Examinou a face da esposa como se a visse pela primeira vez. Perguntou: -“Você está querendo dizer que é infeliz?”. Encarou-o, inflexível: -“Muito infeliz”.   
A vida, de repente mudou. A casa não era mais a mesma. Zilda agora passava os dias choramingando, gemendo pelos cantos... –“Não sirvo para nada. A vida não presta, melhor morrer...”. O pobre marido não entendia patavina, nunca imaginara passar por aquilo. Perguntou: -“O que você quer que eu faça?”. Ela: -“Já estou cheia! Sai de perto de mim! Me deixa em paz!”. O impasse se instalou na família. Lembrava do livro da psicóloga famosa, onde lera que a mulher tem que ter vida própria. Que a mãe e a esposa vivem para os outros. Começou a dizer para o marido: -“Eu não vivo, quero ter vida própria!”. Daí para a falta de apetite foi um passo. Não via mais gosto em nada, cada vez mais amarga. Em desespero, Edésio contou a tragédia para um amigo que sugeriu: -“Leve-a ao psicanalista. É o jeito.”
Arranjaram um psicanalista. Na primeira sessão, Zilda deitou-se no divã, e o analista sentou-se de costas. Comandou: -“Pode falar”. E ela: -“Falar o quê?”. Ele: -“Não importa o quê. Fale.” Ela não abria a boca. O médico disse: -“Pode começar.” Ele estava com o relógio na mão, como a cronometrar. Após um tempo, levantou-se: -“Volte em dois dias, para continuarmos.” Ela: -“Mas eu não disse nada...” Ele esclarece: -“Sua hora terminou.” Durante duas semanas foi igual, a mesma cena, ela deitada, ele de costas, os dois em silencio. Então, ela achou que seu silencio estava custando muito caro e resolveu falar. Começou assim: -“Minha vida é uma novela...”, e não parou mais de falar. Falou por três anos seguidos, duas sessões por semana, falou sem parar, e sem ouvir qualquer resposta, opinião, ou parecer do médico. Falou que os filhos eram uma peste, que o marido era um fracassado, a sogra era uma bruxa, a família um bando de sanguessugas, os amigos, uns interesseiros. Reclamou da vida e das pessoas. Chorou várias vezes, ao contar seus infortúnios, como era incompreendida e injustiçada. O psicanalista, sempre de costas, em silencio perpétuo. Um dia, ela continuava sua interminável ladainha, quando ouve um som ou, para ser mais exato, um ronco. E pior: o ronco terminava num assovio. Levantou-se do divã, e constatou que o médico dormia. Ela maldizendo a vida, falando mal dos filhos, até do caçulinha... explicando detalhadamente todas as suas mazelas, suas tristezas, seus sofrimentos mais atrozes... e o analista dormindo. O mistério se revelara: o homem ficava de costas para dormir!
Furiosa, bate no ombro do médico. Diz: -“Doutor, doutor!”. Ele dá um pulo da cadeira: -“Quem é você?”. Pergunta: -“Não me conhece mais?”. Ele, atrás da mesa: -“O que você está fazendo aqui?”. Ela responde, surpresa: -“Sou sua cliente...” Os dois ficam se olhando, e ele começa a se lembrar: -“Minha cliente?” Quando enfim a reconhece, lhe dá uma bronca: -“Nunca mais faça isso. Não me acorde de repente. Sofro do coração. Posso morrer.” Zilda fica só olhando, mas quando ele diz: -“Pode ir”, ela não se aguenta: -“Eu aqui falando sozinha, bancando a palhaça enquanto você dorme e ronca? Meu marido é muito homem para lhe arrebentar a cara!”
O pior, ou o melhor, foi em casa, quando o marido chegou, lançou-se nos seus braços, quase o derrubando, ao mesmo tempo que soluçava: -“Você me perdoa, perdoa?”. Abraçou-se ao marido, escorregou pelo seu corpo. No seu arrependimento, beijava seus sapatos. Emocionados, os dois começaram a chorar. Foi lindo. Na hora do jantar, tomando sopa, ele quis saber: -“Meu coração, tiveste alta?”. Ela mente: -“O analista disse que já estou boa, não preciso mais”. No dia seguinte, Edésio dizia no trabalho: -“Sabe que a psicanálise resolve? Salvou meu casamento”. Piscava o olho: -“Dinheiro bem empregado”
(OBS- Esse texto é um plágio, em homenagem ao mestre Nelson Rodrigues, autor da idéia)

sábado, 21 de janeiro de 2012

Gravidez psicológica




Gravidez “psicológica”, pseudociese, é uma condição doentia reconhecida pela medicina. Costuma afetar mulheres muito problemáticas. Recentemente, ganhou notoriedade o caso da pedagoga Maria Verônica Santos, que afirmava estar grávida de quadrigêmeos, e posava alegremente para fotos, com uma barriga falsa, artificialmente gigantesca. Quem ela pensava que ia enganar? Até onde ela achou que chegaria? Não é preciso ser muito inteligente para perceber o quão grotesca é essa farsa. É um caso de uma mulher infeliz, que merece tratamento. Pseudociese não deve ser confundida com falsa notificação de gravidez, recurso muito comum, geralmente utilizado por mulheres frustradas, com o objetivo de chamar a atenção dos homens que perderam, ou simplesmente perturbá-los. Muitas tem objetivo de conseguir vantagens financeiras, o famoso golpe “do baú”, que garante o sustento de muita mulher incompetente, profissionais em viver disso. Doença e mau caráter são coisas diferentes. Condição biológica por natureza, a pseudociese acomete mulheres e animais. Já acompanhei alguns casos humanos. Curiosamente, em minha amostragem, ultimamente este fato tem sido mais comum em cadelas.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Homem: culpado!

É indiscutível que, nas últimas décadas, houve uma transformação profunda nas relações conjugais e no comportamento sexual da sociedade. No entanto, na questão da infidelidade, ainda existe um privilégio masculino. O homem é o único que se percebe e é percebido como sujeito da traição.A mulher, até mesmo quando trai, assume a posição de vítima. Entre indivíduos das classes médias do Rio de Janeiro, 60% dos homens e 47% das mulheres afirmam já terem traído seus parceiros. Apesar de estarem quase empatados, eles e elas apresentam motivos bem diferentes para trair. Homens dizem que amam e desejam as esposas, mas não resistem ao instinto, à aventura, atração, vontade, oportunidade, vocação. Mulheres dizem que traíram por insatisfação com o parceiro, autoestima baixa, vingança ao ter sido traída, por não se sentir mais desejada pelo marido ou por falta de atenção, conversa, carinho, romance, intimidade. Homens se justificam por meio de uma suposta natureza propensa à infidelidade. Mulheres dizem que seus parceiros, com suas inúmeras faltas, são os verdadeiros responsáveis por suas traições.Portanto, a culpa é sempre do homem, seja por sua natureza incontrolável que o impele a ser infiel, seja por seus defeitos que causam a infidelidade feminina.
O discurso de vítima de muitas mulheres, não se assumindo como responsáveis pelos próprios desejos, reforça a lógica da dominação masculina em nossa cultura.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Pacientes que não tive 28: (o noivo da) Duquesa de Alba


Aos 85 anos de idade, uma das mulheres mais ricas do mundo, com uma fortuna avaliada em 4,7 bilhões de dólares, integrante da nobreza espanhola, a aristocrata com mais títulos reconhecidos pelo Guiness, teve uma árdua tarefa a cumprir: enfrentar a oposição de seus filhos, contrários a seu casamento com um modesto funcionário público, 25 anos mais jovem do que ela, numa festa considerada o mais elaborado evento social da Espanha, desde o final da monarquia. Não se sabe o porquê, mas eles foram contrários ao enlace.
Ela afirmou: “Eu acredito em Deus. Sou católica praticante, portanto sou contra o aborto, contra o divórcio e contra todas essas atrocidades que proliferam num mundo sem regras e sem temor a Deus. Por isso é que estou casando pela terceira vez, eu não tinha outra saída, não serei chamada de pecadora”.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Suicidas ilustres 21: Terroristas Islâmicos


Vamos falar agora de lugares onde as mulheres não mandam e os gravíssimos efeitos disso decorrentes, sem exagero: morte e destruições atravessando oceanos, em escala bíblica. Os homes precisam de mulheres que deles cuidem. Que sejam cheirosas, bonitas, boas de pegar, de encher as mãos. Que entendam que eles são fracos por natureza, caem mais facilmente em tentação, são mais propensos à traição carnal. Pobres homens, são seres incompletos. As mulheres, seres mais evoluídos, sabem perdoar essas pequenas falhas masculinas. E fazem de tudo para segurar seus homens. Principalmente quando são alegres e ricos. Já percebemos como as mulheres gostam de dinheiro. E como vimos, homens depressivos não servem para elas.
Na cultura Islâmica, em sociedades nas quais não há separação entre o Direito, o Estado e a Religião, vive-se sob leis baseadas nas escrituras sagradas (a Charia). São leis que regulam tanto aspectos civis e criminais, como a conduta individual e moral, incluindo códigos de vestimenta para as mulheres. Nestas cultura, a mulher não manda nada, é desvalorizada, não vota, seu testemunho não tem valor em tribunais, muitas vezes é proibida por lei de dirigir, às vezes sofre mutilação genital para não sentir prazer sexual. Seus corpos são considerados impuros e escondidos sob panos. Povos são ensinados desde cedo, que os americanos são os culpados por seus problemas, são promíscuos e degenerados; “O Grande Satã”, nas palavras do inesquecível Aiatolá Khomeini. E, o horror máximo: mulheres emancipadas, independentes, bonitas, gostosas, nos EUA, são donas de seus narizes. Vestidas de maneira ousada ou nuas nas capas de revistas. Pior: sempre rindo, indiferentes à macheza troglodita. Parecem rir daqueles infelizes aterrorizados em suas próprias terras.
Na América, os terroristas tiveram acesso a melhor moradia, melhor estudo, mais oportunidades que em seus países de origem. Eu imagino que, ao entrar em contato com a cultura americana, os muçulmanos pensantes descobrem seus atrativos e delícias, passam a ser atormentados pela tentação de ser “convertidos” ao ocidente. Então, o inimigo odiado, se transforma em objeto de inveja e admiração. Só lhes resta uma saída: matar os infiéis nos quais receiam (e desejam) se transformar. E com seu suicídio, matam a si mesmos para nunca mais correrem o risco de ser enganados (em sua terra) ou seduzidos (pelo “inimigo”). Passa a ser intolerável conviver como inimigo de seu próprio objeto de desejo. Pelo jeito deve ser melhor se matar do que ficar com uma mulher vestida como espantalho. Olha a expressão de infelicidade na cara do sujeito....

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Emancipação Feminina, parte 3: A mulher é quem manda


Como bem disse Pondé, todo homem casado que ama sua mulher, sabe que é ela quem manda na relação: escolhe mesas em restaurantes, decide quais amigos vão ao cinema, manda em suas roupas, escolhe a casa onde vão morar, a cor das paredes, controla seus silêncios, interpreta seus sonhos. Ela controla os detalhes do cotidiano. Quando o homem se cansa de obedecer, ele vai embora. E reconstrói sua vida facilmente, casando-se com uma mulher mais nova. Mas dificilmente homens deprimidos se casam de novo, geralmente são recusados por outras mulheres, porque com a depressão masculina, costumam vir junto a perda financeira e de saúde. Mulheres não suportam homens fracos e sem dinheiro. E homens, por sua vez, não gostam de mulheres emancipadas. Eles as temem, temem o sucesso delas e sua (pretensa) segurança; ou acham que elas são umas chatas, que falam demais e (pensam) que sabem demais.
 O único ganho real dos homens com a emancipação das mulheres é poder abandoná-las à sua sorte, sem sentir culpa, quando delas se cansam.