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sexta-feira, 25 de julho de 2014

As Pontes de Madison: um mergulho na natureza e mistérios do amor.


Francesca (Meryl Streep, ganhando o Oscar por esta atuação) é uma dona de casa comum, casada com um homem digno, que a respeita e com quem tem dois filhos. Sua vida familiar é tranquila, funcional, sem grandes dramas. Rotina, porém, que também é esmagadora e tediosa. Esta calmaria, aparentemente previsível, prenuncia a chegada de uma tempestade. Algo está faltando. Eterno insatisfeito, o ser humano, ao atingir uma aparente realização e estabilidade (no caso, a meia-idade), volta seu olhar para dentro de si, sentindo-se descontente. Francesca parece querer viver algo além do que a vida lhe oferece no momento. A consciência, sempre se transformando e evoluindo, traz a necessidade de um encontro mais profundo, que revelará o que há de mais sensível e secreto em sua individualidade.

Platão, há 2.400 anos, já nos dizia que a verdade é inatingível, algo que sempre está além. Quando imaginamos tê-la alcançado, descobrimos que precisamos seguir adiante, numa busca sem fim, como chegar ao horizonte, irrealizável. Em "O Banquete", ele nos conta que, no passado, existiam os andróginos, seres completos, com dois gêneros, tanto masculino, como feminino. Estes seres seriam tão completos, perfeitos e felizes, a ponto de sua plenitude incomodar aos deuses, que sentindo-se ameaçados por tamanha harmonia, levaram o maior dentre eles, Zeus, a partir os andróginos em duas metades, separando-as para sempre. Os humanos seriam descendentes desses andróginos mutilados, espalhados pelo mundo, todos ainda a procura de sua "metade perdida". Quando nos apaixonamos, sentimos a sensação maravilhosa de termos encontrado nosso "contrário", e nos sentimos temporariamente completos, novamente felizes. Platão nos diz que isso é uma ilusão, pois afirma que o objeto de amor sempre está ausente, ou seja, "o que se ama é somente aquilo que não se tem". 

Francesca, durante a ausência de sua família (por apenas quatro dias), conhece o fotógrafo Robert Kincaid (Clint Eastwood), e por ele se apaixona. Como ela mesmo revela depois em seu testamento, não se passou um único dia desde então, em que ela não pensasse nele. Entregar-se a esta paixão traz a estranha sensação de que ela não é mais dona de si mesma. Este homem faz com que suas reações, pensamentos, esquemas rotineiros de lidar com a vida, entrem em colapso. Ela passa pela descoberta de um "eu desconhecido", alguém estranho dentro dela, que estava lá, adormecido, esperando para ser acordado pelo outro. Passa a ter pensamentos com os quais não sabe o que fazer. Tudo o que pensava ser verdade a seu respeito desaparece. Passa a agir como se fosse outra pessoa e, no entanto, sentindo-se mais verdadeira do que nunca anteriormente. A grande tragédia de seu adultério é a consciência de fazer algo contra alguém que não o merece: seu marido traído é inocente.

Voltando a Platão. A busca de reparação do sofrimento infligido pelos deuses, essa busca do paraíso perdido, após o pecado original, através do amor irresistivelmente projetado no outro; como ensinou o filósofo, se mostra impossível. Francesca se dá conta que o amor não obedece às nossas expectativas, seu mistério é puro e absoluto. Ela percebe que o amor que vive com Robert, não duraria se eles continuassem juntos. E o tanto que ela compartilha com o marido, desapareceria se eles se separassem. A contradição aparente é que, para que o amor dos amantes sobreviva, eles precisam se separar ("o que se ama, é aquilo que não se tem"). Sem saída, ela opta por continuar casada, não nega o que sente por Robert, sofre e enfrenta. Diante da necessidade de deixar para trás o que passou e enfrentar o que desponta, ela sacrifica (torna sagrado) o presente (seu amor por Robert), preservando valores imprescindíveis, como a criação dos filhos, a parceria de confiança e generosidade que tem com o marido. A solução que ela encontra, a grande síntese, consiste em reprimir o amor, permanecendo com a família. Apesar da ausência daquele a quem ama, passa a viver com ele secretamente por toda a vida, internalizado, na verdade mais profunda, como parte de sua alma, sua metade perdida.



AUSÊNCIA
Por muito tempo achei que ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje, não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
(Carlos Drummond de Andrade)


quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O que querem os homens?



A prostituição feminina no Japão antigo era altamente sofisticada. Esposas eram restritas aos cuidados com o lar e filhos. As cortesãs (prostitutas) é que eram procuradas pelos homens para o sexo e envolvimento amoroso. Recebiam uma educação sofisticada, que costumava se iniciar muito cedo, quando ainda crianças. Aprendiam literatura, música, artes, história, etiqueta, etc... "Mulheres para brincar" eram classificadas e recebiam licença legal para trabalhar em "casas de prazer", com preços muito variáveis, muitas vezes negociados pelas próprias esposas dos clientes, que não raro, as escolhiam. A fala abaixo foi extraída do romance "Gai-Jin" (estrangeiro, em japonês), de James Clavell, e ilustra como uma cortesã era instruída por sua superiora, no Japão do século XIX:
"É esse meu dever, treiná-la, mantê-la gentil e generosa, disposta a se sacrificar pelo prazer do homem... não por seu impulso. É isso o que mantém os homens felizes e contentes, o prazer, em todas as suas manifestações. Aprender é a parte mais importante de nosso trabalho. É fácil satisfazer o corpo de um homem... um prazer transitório... mas é difícil agradá-lo por um prazo mais prolongado, envolvê-lo, conservar seu favor. Isto deve vir através dos sentidos da mente. Para consegui-lo, é preciso treinar com extremo cuidado. Não é sexo que os homens realmente procuram em nosso mundo, mas romance... nosso fruto mais proibido."

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Confissões


De repente, uma imensa necessidade de me confessar. Não de obter perdão, estranhas que me são as idéias de deus ou pecado. Para mim pecado é sinônimo de afrodisíaco. Abro mão da justiça divina, em troca da realidade. Sou médico, não acredito em deus, acredito no Rivotril, por isso o prescrevo, ao invés de sugerir orações.
Hoje, preciso me confessar. Acho que já distribuí uma boa dose de amargura pela vida, e a todos a quem causei dor, a quem menti, enganei ou trai; gostaria que soubessem que o sofrimento que causei, com certeza não era minha intenção original, apenas um efeito colateral do fato de que, sendo humano, sou também fraco, imperfeito, inseguro, repleto de desejos indecentes, de controle precário. Deixo muito a desejar, principalmente para quem tem mania de felicidade; para quem presta atenção nas conversas de Ana Maria Braga com o Louro José.
No moderno confessionário (o consultório), muitos me procuram com a queixa de uma "falta de sentido na vida", sinal de inteligência e angústia, que compartilho. Sei bem qual é esse sabor. Não acho que isso seja um problema em si. Eu também não vejo sentido na vida, em deus ou na ciência. Idiotas adoram ídolos de gesso e idéias mitológicas (religiosas) infantis. Não entram em contato com o pavor do abismo e do vazio. Nas minhas noites de insônia e desalento, descobri que só consigo sentir sentido na arte, na beleza (que desesperadamente procuro) e na poesia (que me acalenta), é isso que tento levar a meus pacientes. É importante continuar de pé, mesmo sabendo-se finito, injusto, egoísta, mesquinho e covarde. Meus pacientes estão livres da tirania da felicidade. Santo Agostinho, me perdoe.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Casais Felizes



  Reflexões sobre os Casais Felizes
O amor é frágil, sobrevive muito mal à realidade. A felicidade é uma foto sobre uma mesa, em um mundo que adora mentir sobre si mesmo. Olhando a foto do casal feliz acima, percebo como é banal nossa revolta contra a evidente ausência de sentido da vida. Todos nesse momento atiram pedras em Elize Matsunaga, como a reforçar como são diferentes dela. Existe um pacote de mentiras básicas propagadas pelas pessoas que querem ser consideradas felizes por seus próximos. Mais uma forma de intoxicação nas próprias mentiras, desses hipócritas do bem. Quase tudo é farsa na pretensa vida superbem resolvida de gente superlegal, alto-astral, que não trai o cônjuge, que ama as plantas, que protege o planeta das sacolinhas plásticas. Aqueles que trazem no rosto o sorriso idiota da capa dos livros de auto-ajuda, essa praga que ensina as pessoas a serem mais burras do que já são, exalam um fedor que sinto de longe.
Não temos como escapar da maldição da infelicidade, pois, da mesma forma que a dor, ela está programada em nossos genes. Os homens traem muito suas mulheres, isso é uma verdade desagradável, que os escravos da mania de felicidade não gostam de admitir. Existem prostíbulos de luxo em São Paulo, repletos de executivos, cujas esposas estão na academia, ambos traindo um ao outro. Claro que também existem aqueles que são fiéis às esposas, mesmo que isso implique em sua própria infelicidade. Vivem num faz de conta supremo, onde a mentira bonita é preferível ante a nauseabunda condição humana. Pois os seres humanos vivem uma realidade terrível, com medo constante do fracasso, da doença, da mediocridade. Somos vítimas de nossas incontroláveis paixões, de nossa finitude e efemeridade. Seres esquecidos e abandonados à própria sorte, somos como barcos à deriva, navegando sem rumo por um oceano desconhecido, de instintos e impulsos, que fatalmente terminará no envelhecimento, no adoecimento e na morte. Sem opções. Viva tranquilo com isso.
Um limite muito tênue e artificial nos separa desse casal infeliz. Por puro acaso essa mulher foi presa, enquanto outra tão ou mais vagabunda que ela, com um marido tão ou mais imbecil que ele, continuam aprontando por aí. Há mais assassinos soltos do que presos, nesse mundo sem justiça. Esse pobre japonês não tinha capacidade para conquistar e seduzir mulheres com seu charme (o coitado era muito feio), mas como muitos japoneses que eu conheço, se achava irresistível. Suas gorjetas de R$ 27 mil deviam ser mesmo irresistíveis para meninas pobres e gostosinhas. Me dá é pena da putinha que teve o azar de ver morrer a galinha dos ovos de ouro. Não podia acabar bem. Nunca vai acabar bem. Esteja preparado, quando sua vez chegar, e não for mais possível fugir da miséria da existência, aí você entenderá melhor, o que significa ser o habitante de um mundo sem sentido.
Tristeza não tem fim, Felicidade sim. (Vinícius de Moraes)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O ponto fraco dos homens fortes...


Quando o Dr. Fábio, o veterinário, afirmou que Ludwig, meu gato (Ludini), deveria ser castrado, por muito tempo me neguei e resisti. Ele me garantiu que sua vida ia ser melhor, mais tranquila, com maior qualidade, menos stress, que ele seria mais feliz. Não consegui acreditar nisso, e Fábio compreendeu bem meus sentimentos. Disse que era a típica reação masculina, que as mulheres costumavam reagir melhor a este fato da vida felina. Após longa resistência, o fato foi consumado e percebi que ele estava com toda razão.  
Lendo a revista Veja dessa semana, chamou-me a atenção a Carta ao Leitor, com a seguinte chamada: “O ponto fraco de homens fortes”, sobre a matéria de capa, que trata da advogada Christiane Oliveira, exonerada do governo petista, envolvida até o pescoço (incluindo pernas, coxas, quadris e sabe-se lá o que mais...) em desvio de verbas da Saúde: mais de 1 bilhão de reais dos cofres públicos (que saúde!). Segundo revelações dela própria, seus encantos femininos ajudaram nas decisões de altos escalões da República, obtiveram favores e até indicações de criminosos para cargos de confiança. Homens de exemplar formação religiosa, como José Antonio Toffoli, ministro do STF (de família tão católica...tem até um irmão padre), ou Gilberto Carvalho, Ministro da Secretaria-Geral da Presidencia, ex-seminarista vivendo em um sólido casamento, ambos sucumbiram ante os encantos da linda doutora evangélica, filha do consagrado “profeta” Elói de Oliveira, fundador da Igreja Tabernáculo do Deus Vivo, financeiramente muito próspera em Maceió. Durante a campanha de Dilma, Christiane foi encarregada da sagrada missão de bem se relacionar com Igrejas Evangélicas abastadas. Ao que indica a revista Veja, ela é especialista em boas relações. Festivos encontros com poderosos eram travados em um apartamento localizado em área nobre de Brasília.
Sempre tive dúvidas se eram os homens que possuíam pênis pendurados diante de si ou se eram os pênis que possuíam homens atrás deles, a fim para carregá-los de um lado a outro, em suas perigosas aventuras. Uma dúvida persistente. Já vi homens sofrerem por seus pênis de maneiras inesperadas. São famosos os casos de psicóticos que cortaram fora seus próprios órgãos. Um paciente, nada psicótico, costumava se expor a tantos riscos de vida devido a seu incontrolável desejo sexual, que solicitou uma castração química, com remédios broxantes. Freud dava tanta importância ao pênis que afirmava sofrerem as mulheres de um tal de “complexo de castração”, e vivia se perguntando atormentado: “o que será que as mulheres querem?”. O pênis teve uma importância tão grande no catolicismo, que a Santa Igreja afirma ter Jesus nascido sem interferência de nenhum deles, bem como jamais ter feito uso do seu próprio.
O castratismo, prática de castração de jovens cantores, foi estimulado pela Santa Igreja, para que eles desenvolvessem vozes semelhantes às vozes dos anjos, que não custa lembrar, também não tinham sexo. Senhores donos de haréns também estimulavam a presença de guardas eunucos, protegendo as virtudes de suas mulheres.  Eles eram com certeza mais inteligentes do que os jogadores de futebol de hoje, que fazem papel de palhaços pelas travessuras de seus genitais. Constatamos então que a castração se constitui em uma prática com utilidades comprovadas. No passado, famílias pobres entregavam um filho à Igreja para ser castrado em troca de dinheiro. Essa prática foi piedosamente banida em 1902, pelo Papa Leão XIII. O último castrato conhecido morreu em 1922. Atualmente sobrevivem diversos homens castrados de maneira funcional, ou seja, apesar de preservarem seus testículos físicamente intactos, não os utilizam para nenhum objetivo útil. A prática clínica mostra que existem mulheres, esposas ou mães, exímias na prática da castração.
Meu veterinário, Dr. Fábio sabia bem o que estava falando. A vida de meu gato melhorou, sem dúvidas. Melhorou tanto que eu começo a pensar que esta seria uma boa solução para vários problemas humanos. Imaginemos um Governo formado totalmente por castrati, incorruptíveis, como os da foto abaixo:


Me senti muito incompreendido nesta semana ao comentar no facebook uma capa da revista Playboy, que apareceu na minha frente, no caminho para o trabalho, atrapalhando minha pacífica rotina. Afinal, uma banca de revistas só tem dois grandes tipos de revistas: um tipo, dedicado aos homens, com um monte de mulheres peladas na capa; e outro tipo, dedicado às mulheres, ensinando dietas mágicas para que elas fiquem gostosas sem uso do photoshop, como aquelas mulheres das revistas que os homens compram.
Talvez a castração seja uma solução também para mim. Poderia, entre outras coisas, olhar para as bancas de jornais e seguir inabalado, em frente, totalmente dedicado a pensamentos puros, a soluções para os sofrimentos da humanidade, a origem e o destino do universo... 

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Coragem e covardia

Diante das muralhas de Tróia, sedento por vingança, o poderoso Aquiles desafia Heitor para uma batalha de vida ou morte. Todos sabem que Aquiles, filho de deuses que é, não será derrotado numa luta comum, desfecho desta já foi decretado por Zeus. Serenamente, Heitor fornece orientações à sua esposa, Andrómaca , pede que seu pai, Príamo, lhe perdoe por seus erros e lhe deseje sorte, empunha sua espada e parte para uma batalha de resultado conhecido. Ele sabe que vai morrer, que não há nada que possa ser feito para alterar este fato. Mesmo assim, segue adiante, sem esperança de manter qualquer coisa, além de sua honra. Ele lutará até a morte em defesa daqueles a quem ama, sem cenas, sem alarde e sem arrependimento. Simplesmente cumprirá o destino que lhe cabe. O último episódio da Ilíada, narra os funerais de Heitor, depois dos quais o destino de Tróia está selado. À imagem simbólica da morte do homem, segue-se a destruição de sua cidade.  
A beleza da tragédia grega, o que a torna tão familiar, é que entre seus personagens, como entre seus deuses, não existem bandidos nem mocinhos, vilões ou inocentes, bons ou maus, todos são movidos por interesses e emoções comuns, egoístas, vaidosas, mesquinhas. São humanos demais.

Heitor contrasta fortemente com Aquiles, pois lutava por Tróia, sua família, e sua honra. Já Aquiles lutava apenas pela glória. Existem pessoas que se identificam com Aquiles, admirando sua força incomparável, seu poder de sedução. Estes são os meninos, que sonham em ser fortes, querem ser como deuses, admirados e invejados... desejos naturais em meninos, seres incompletos que são, em formação, como todos nós já fomos um dia. Mas alguns já deixaram de sê-lo e se tornaram homens. Estes se reconhecem na figura de Heitor, que mesmo sabendo de seu trágico destino, dele não foge. Heitor é o adulto que enfrenta a batalha diária da vida, sem recuar, mesmo sabendo que no final será subjugado, morto, derrotado.  

Deixemos os gregos um pouco de lado para pensar nos Italianos. Sei que esse assunto já foi explorado à exaustão, mas não consigo resistir em comentá-lo, pois foi ele que me lembrou Heitor. Porque será que o comportamento covarde do Comandante Schettino, que se recusou a voltar a bordo do navio Costa Concordia, enquanto este afundava no mar Tirreno, em decorrência de sua própria incompetência e fanfarronice, nos choca tanto? Imagino que seja devido ao fato de que reconheçamos nossa própria fraqueza em seus atos, nossa covardia humana secreta, guardada a sete chaves. Por isso repetimos, gritando ao mundo, à imprensa, até em camisetas, nossa indignação oficializada na frase de Gregorio de Falco: “Volte para o navio, Caralho!”. Covarde é o outro, não eu, por isso preciso denunciá-lo, afinal, eu pertenço ao grupo dos bravos, me identifiquei com a figura de Heitor.

Estou com pena de Schettino. Aos 52 anos, um napolitano com perfil de bon-vivant, causou uma desgraça quando, após tomar umas taças de vinho a mais, decidiu exibir sua habilidades à bela Domnica Cemortan, de 25 anos, por quem nutria desejos pouco recomendáveis a homens como ele, casados. Como um menino que pega escondido o carro do pai para impressionar a namorada, deu no que deu. Se você não guarda nem um pouco de piedade por Schettino, não o culpo. Mas, voltando 3.200 anos no tempo, aos gregos de Homero, na IlÍada, a fundadora da literatura ocidental. Quero lembrá-lo que a guerra de Tróia, a maior travada até então, também foi causada pelo assanhamento masculino, essa incapacidade de alguns homens em resistir a um belo par de pernas. Páris, irmão de Heitor, encantou-se por Helena, a mais bela mortal. Mas, covarde que era, fugiu da luta com Menelau, marido humilhado e traído, causando a guerra que culminou na morte do corajoso Heitor. Repare em um detalhe: embora covarde, Páris não era burro. Treinou sua pontaria com arco e flecha e matou Aquiles, acertando-o no calcanhar, seu único ponto frágil, fechando o círculo.  

Para saber mais sobre Heitor ou Schettino, compare as duas postagens abaixo...

Coragem: Heitor enfrenta Aquiles

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Pacientes que não tive 30: Albert Einstein


Não vou falar a respeito de suas enormes conquistas científicas, das quais todos estão cansados de saber, mas sim de aspectos pessoais problemáticos, que o público normalmente desconhece.

Einstein, quando jovem, teve o azar de viver a situação de uma gravidez não planejada. O que fez ele? Nem quis saber de conhecer a filha indesejada, não de deu sequer ao trabalho de conhecê-la. Uma saída de gênio (?)... seu nome era Lieserl Einstein, ela foi entregue para adoção e morreu em um ano. Após casar-se com Mileva, Einstein teve dois filhos. Hans Albert, o primogênito, que teve pouquíssimo contato com o pai, e mesmo assim, apenas depois de adulto. Eduard era o filho mais novo, cursou medicina e queria ser psiquiatra, sofria com a ausência do pai, tentou o suicídio, desenvolveu esquizofrenia e foi internado em um sanatório, onde passou a viver isolado. Até 1945, quando a guerra terminou, havia a desculpa da dificuldade causada pelo nazismo, até então no poder. Mas depois desse ano, Einstein teve 10 anos para visitá-lo e não o fez. Não o visitou quando a mãe dele faleceu, nem nunca mais. Eduard ficou sozinho até sua morte em 1965, aos 55 anos.
Termino esses tristes fatos com uma frase do próprio Einstein: “Não posso julgar o que fez, porque não conheço seus motivos para isso”

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Homem: culpado!

É indiscutível que, nas últimas décadas, houve uma transformação profunda nas relações conjugais e no comportamento sexual da sociedade. No entanto, na questão da infidelidade, ainda existe um privilégio masculino. O homem é o único que se percebe e é percebido como sujeito da traição.A mulher, até mesmo quando trai, assume a posição de vítima. Entre indivíduos das classes médias do Rio de Janeiro, 60% dos homens e 47% das mulheres afirmam já terem traído seus parceiros. Apesar de estarem quase empatados, eles e elas apresentam motivos bem diferentes para trair. Homens dizem que amam e desejam as esposas, mas não resistem ao instinto, à aventura, atração, vontade, oportunidade, vocação. Mulheres dizem que traíram por insatisfação com o parceiro, autoestima baixa, vingança ao ter sido traída, por não se sentir mais desejada pelo marido ou por falta de atenção, conversa, carinho, romance, intimidade. Homens se justificam por meio de uma suposta natureza propensa à infidelidade. Mulheres dizem que seus parceiros, com suas inúmeras faltas, são os verdadeiros responsáveis por suas traições.Portanto, a culpa é sempre do homem, seja por sua natureza incontrolável que o impele a ser infiel, seja por seus defeitos que causam a infidelidade feminina.
O discurso de vítima de muitas mulheres, não se assumindo como responsáveis pelos próprios desejos, reforça a lógica da dominação masculina em nossa cultura.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Pacientes que não tive 28: (o noivo da) Duquesa de Alba


Aos 85 anos de idade, uma das mulheres mais ricas do mundo, com uma fortuna avaliada em 4,7 bilhões de dólares, integrante da nobreza espanhola, a aristocrata com mais títulos reconhecidos pelo Guiness, teve uma árdua tarefa a cumprir: enfrentar a oposição de seus filhos, contrários a seu casamento com um modesto funcionário público, 25 anos mais jovem do que ela, numa festa considerada o mais elaborado evento social da Espanha, desde o final da monarquia. Não se sabe o porquê, mas eles foram contrários ao enlace.
Ela afirmou: “Eu acredito em Deus. Sou católica praticante, portanto sou contra o aborto, contra o divórcio e contra todas essas atrocidades que proliferam num mundo sem regras e sem temor a Deus. Por isso é que estou casando pela terceira vez, eu não tinha outra saída, não serei chamada de pecadora”.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Suicidas ilustres 21: Terroristas Islâmicos


Vamos falar agora de lugares onde as mulheres não mandam e os gravíssimos efeitos disso decorrentes, sem exagero: morte e destruições atravessando oceanos, em escala bíblica. Os homes precisam de mulheres que deles cuidem. Que sejam cheirosas, bonitas, boas de pegar, de encher as mãos. Que entendam que eles são fracos por natureza, caem mais facilmente em tentação, são mais propensos à traição carnal. Pobres homens, são seres incompletos. As mulheres, seres mais evoluídos, sabem perdoar essas pequenas falhas masculinas. E fazem de tudo para segurar seus homens. Principalmente quando são alegres e ricos. Já percebemos como as mulheres gostam de dinheiro. E como vimos, homens depressivos não servem para elas.
Na cultura Islâmica, em sociedades nas quais não há separação entre o Direito, o Estado e a Religião, vive-se sob leis baseadas nas escrituras sagradas (a Charia). São leis que regulam tanto aspectos civis e criminais, como a conduta individual e moral, incluindo códigos de vestimenta para as mulheres. Nestas cultura, a mulher não manda nada, é desvalorizada, não vota, seu testemunho não tem valor em tribunais, muitas vezes é proibida por lei de dirigir, às vezes sofre mutilação genital para não sentir prazer sexual. Seus corpos são considerados impuros e escondidos sob panos. Povos são ensinados desde cedo, que os americanos são os culpados por seus problemas, são promíscuos e degenerados; “O Grande Satã”, nas palavras do inesquecível Aiatolá Khomeini. E, o horror máximo: mulheres emancipadas, independentes, bonitas, gostosas, nos EUA, são donas de seus narizes. Vestidas de maneira ousada ou nuas nas capas de revistas. Pior: sempre rindo, indiferentes à macheza troglodita. Parecem rir daqueles infelizes aterrorizados em suas próprias terras.
Na América, os terroristas tiveram acesso a melhor moradia, melhor estudo, mais oportunidades que em seus países de origem. Eu imagino que, ao entrar em contato com a cultura americana, os muçulmanos pensantes descobrem seus atrativos e delícias, passam a ser atormentados pela tentação de ser “convertidos” ao ocidente. Então, o inimigo odiado, se transforma em objeto de inveja e admiração. Só lhes resta uma saída: matar os infiéis nos quais receiam (e desejam) se transformar. E com seu suicídio, matam a si mesmos para nunca mais correrem o risco de ser enganados (em sua terra) ou seduzidos (pelo “inimigo”). Passa a ser intolerável conviver como inimigo de seu próprio objeto de desejo. Pelo jeito deve ser melhor se matar do que ficar com uma mulher vestida como espantalho. Olha a expressão de infelicidade na cara do sujeito....

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Emancipação Feminina, parte 3: A mulher é quem manda


Como bem disse Pondé, todo homem casado que ama sua mulher, sabe que é ela quem manda na relação: escolhe mesas em restaurantes, decide quais amigos vão ao cinema, manda em suas roupas, escolhe a casa onde vão morar, a cor das paredes, controla seus silêncios, interpreta seus sonhos. Ela controla os detalhes do cotidiano. Quando o homem se cansa de obedecer, ele vai embora. E reconstrói sua vida facilmente, casando-se com uma mulher mais nova. Mas dificilmente homens deprimidos se casam de novo, geralmente são recusados por outras mulheres, porque com a depressão masculina, costumam vir junto a perda financeira e de saúde. Mulheres não suportam homens fracos e sem dinheiro. E homens, por sua vez, não gostam de mulheres emancipadas. Eles as temem, temem o sucesso delas e sua (pretensa) segurança; ou acham que elas são umas chatas, que falam demais e (pensam) que sabem demais.
 O único ganho real dos homens com a emancipação das mulheres é poder abandoná-las à sua sorte, sem sentir culpa, quando delas se cansam.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Emancipação Feminina, parte 2: Darwin explica porque as mulheres falam demais


Falar a respeito da emancipação feminina com as mulheres é muito difícil por uma razão óbvia: falar com mulheres (sobre qualquer assunto) é difícil, porque as mulheres tem o hábito de falar em nosso lugar mesmo quando dizem que querem nos ouvir. As mulheres tem a capacidade de encerrar qualquer possibilidade de diálogo, transformando-o num monólogo que lembra uma metralhadora em ação. Os homens cansam e desistem, viram de lado e dormem, pensam em outras coisas ou simplesmente ficam olhando ao balanço do decote feminino, despindo a mulher em pensamento.  

Isso tem uma explicação evolucionista (Darwiniana). Nos tempos das cavernas, quando os homens eram caçadores-coletores, havia uma divisão de trabalho, com as mulheres geralmente colhendo frutos e raízes em grupo, numa atividade repleta de animado falatório, o que era útil para essa atividade, uma vez que espantava pássaros e roedores, concorrentes dessa atividade feminina. Já os homens saíam a campo na arriscada tarefa da caça. Matar um animal como um imenso mamute requeria muita competência, sangue-frio, calculismo, coragem, colaboração e entrosamento entre o grupo, disciplina e silêncio. Falar na hora errada poderia significar a diferença entre viver ou morrer. Por isso os homens desenvolveram capacidades práticas silenciosas e eficientes, falando inteligentemente apenas o necessário, enquanto as mulheres se tornaram ruidosas matracas, falando até pelos cotovelos, com menos pragmatismo, resultados práticos mais modestos. Imagino que quando elas começavam a falar, até os mamutes saíam correndo, procurando por alívio. As coisas pouco mudaram nos últimos 40 mil anos, até que na década de 60, com a invenção dos anticoncepcionais orais, ficaram ligeiramente confusas, e as mulheres deixaram de saber qual o seu papel na sociedade. Passaram a lutar por “direitos iguais”.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Emancipação Feminina, parte 1: Conceitos Básicos

Minhas leitoras se queixam da falta de assuntos interessantes neste blog. Me escreveram criticando a matéria sobre o rodeio de gordas. Elas gostam de temas ligados ao relacionamento entre homens e mulheres. Pensando nisso, me proponho a revelar segredos do universo intelectual masculino. Fazendo-o, sinto-me de certa forma um traidor de minha classe, qual seja, do seleto grupo de homens heterossexuais interessantes, aqueles que gostam de mulher (e estão em falta no mercado). Esse grupo, aprende desde cedo que, para ter acesso a seu objeto de desejo é preciso ser determinado, mas nem sempre sincero. Aproveitem que desta vez estou falando apenas a verdade desinteressada, o que nem sempre é tão agradável como as mentiras deliciosas que os homens aprendem a contar. Algumas mulheres podem não gostar, paciência. Se você por acaso sentir sintomas como irritação ou nervosismo, pare de ler. Vá fazer uma massagem, meditação, Yôga, vá fazer compras no Shopping, ou leia um livro do Padre Marcelo.
Com a ajuda do que aprendi com o eminente filósofo Luís Felipe Pondé, vou começar discorrendo sobre a “emancipação feminina” e o medo que ela causa nos homens (os que gostam de mulheres). Primeiro, vamos tentar definir “emancipação ”. Isso, segundo Pondé, se faz em 3 etapas:
1-Partir de problemas reais: como a submissão de mulheres a maridos insuportáveis, devido à falta de grana para mandá-los ao inferno ou à PQP, situação comum no passado.
2-Solucionar esses problemas de modo eficaz: como divorciar-se, ir à luta e ascender profissionalmente, tornando-se financeiramente independentes para mandar os ex-maridos lamber sabão.
3-Negar sistematicamente os efeitos colaterais indesejados causados pelas soluções encontradas (item 2) aos problemas reais (item 1). Por exemplo, mulheres financeiramente independentes, mas sozinhas, tristes, desesperadas (sem homens), que se iludem alardeando aos quatro ventos que podem transar livremente com meninos de 18 anos, sem ter de dar explicações para ninguém; mães solteiras disfuncionais; mas sobretudo, repressão sistemática a qualquer discussão séria acerca desses efeitos colaterais indesejados, acusando-os de propaganda machista.
Como já foi dito, os homens que gostam de mulheres odeiam aquelas emancipadas e independentes. Os gays as adoram. Há coisas a ser aprendidas a sobre isso. Muitas coisas. Mas para isso, é preciso falar a respeito abertamente e sem medo. É o esforço que farei nos próximos ensaios.