quarta-feira, 30 de junho de 2010

Traição: o homem é sempre o culpado

É indiscutível que, nas últimas décadas, houve uma transformação profunda nas relações conjugais e no comportamento sexual da sociedade.No entanto, na questão da infidelidade, ainda existe um privilégio masculino. O homem é o único que se percebe e é percebido como sujeito da traição.A mulher, até mesmo quando trai, assume a posição de vítima. Entre indivíduos das classes médias do Rio de Janeiro, 60% dos homens e 47% das mulheres afirmam já terem traído seus parceiros. Apesar de estarem quase empatados, eles e elas apresentam motivos bem diferentes para trair. Homens dizem que amam e desejam as esposas, mas não resistem ao instinto, à aventura, atração, vontade, oportunidade, vocação. Mulheres dizem que traíram por insatisfação com o parceiro, autoestima baixa, vingança ao ter sido traída, por não se sentir mais desejada pelo marido ou por falta de atenção, conversa, carinho, romance, intimidade. Homens se justificam por meio de uma suposta natureza propensa à infidelidade. Mulheres dizem que seus parceiros, com suas inúmeras faltas, são os verdadeiros responsáveis por suas traições.Portanto, a culpa é sempre do homem, seja por sua natureza incontrolável que o impele a ser infiel, seja por seus defeitos que causam a infidelidade feminina.
O discurso de vítima de muitas mulheres, não se assumindo como responsáveis pelos próprios desejos, reforça a lógica da dominação masculina em nossa cultura.

Extraído da Folha de São Paulo, caderno equilíbrio, ontem (autoria de Mirian Goldenberg)

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Carpe Diem

"Aproveita o dia"
"...quam minimum credula posterum!" (e confia o mínimo possível nos dias posteriores!)
Assim soa a famosa citação completa do poeta romano Horácio. Marca o fim de um poema em que ele adverte o fictício Leucônoe contra o futuro. Deve viver de forma sensata o presente, e utilizar bem o seu tempo. O lema sempre foi retomado, por exemplo, no barroco pelo poeta Martin Opitz (1597-1639), que intitulou um de seus poemas dessa forma, como no belíssimo filme "A sociedade dos poetas mortos", de 1989, onde os fãs do seriado "House" podem admirar o início da carreira do dr. James Wilson, interpretado por Robert Sean Leonard, ainda adolescente.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Pacientes que não tive 03: Leon Tolstói

1875. Numa pequena aldeia na Rússia, nada acontece que altere a rotina e sacuda o marasmo do povo. Todo o divertimento consiste em observar a linha do trem que, vez ou outra passa, muito raramente deixando alguém. Um dia a aldeia se agita, sangue corre nos trilhos. Uma mulher, amante de um homem poderoso da aldeia de Iássienki, desesperada com sua vida amorosa, joga-se na frente do trem, dando fim à própria vida. Tolstói, com mórbida curiosidade, corre à vila para ver o cadáver, assiste à necropsia dele, investiga as causas que levaram uma dama a morrer de modo tão trágico. Essa é a fonte da qual irá surgir o maravilhoso romance “Ana Karênina”.
Tolstói foi um sujeito estranho. Nascido na vila citada em 1828, teve uma educação formal sofisticada. Estudou letras orientais e Direito, não se destacava como bom aluno, mas sim como farrista e namorador. Entrou para o exército, combateu na guerra da Criméia, viajou pela Europa antes de retornar a sua aldeia. Era um espírito inquieto, insatisfeito, perturbado pela busca sem fim do sentido da vida. Atormentado por questões existenciais, estudou religiões, se isolou num mosteiro. Indiferente a críticas e elogios, se afastava da aristocracia, nunca gostou da hipocrisia dos salões. Ocidentalista convicto, criticava o isolamento russo, o que lhe causou grandes problemas com o governo czarista.Em seus livros, demonstrou profundo conhecimento dos meandros da alma humana, em descrições inesquecíveis dos estados psicológicos dos protagonistas.
Mas também tinha algumas idéias estranhas: pregou a abstinência sexual entre casais na “Sonata a Kreutzer” de 1889, ao mesmo tempo que nascia seu 13º filho... Recusava os serviços dos criados, não queria ter servos. Tentou viver como um mendingo, até ser desmascarado. Foi impedido pela família a se desfazer de suas posses, como queria. Calado pelo governo, excomungado pela Igreja, criticado pela família, fugiu de tudo, morrendo em 1910, próximo da aldeia que o inspirou.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Religião, o inimigo de Freud.

"Já uma vez antes, como crianças de tenra idade, nos encontramos em semelhante estado de desamparo, em relação a nossos pais. Tínhamos razões para temê-los, contudo estávamos certos de sua proteção. Com relação à distribuição dos destinos, persiste a desagradável suspeita de que a pereplexidade e o desamparo da raça humana não podem ser remediados. Isto justifica o anseio do homem pelo pai e pelos deuses, que mantém sua tríplice missão: exorcizar os terrores da natureza, reconciliar os homens com a crueldade do destino, particularmente a demonstrada pela morte, e compensá-los pelos sofrimentos e privações que a vida lhe impôs. Assim se criou a religião, da necessidade que tem o homem de tolerar o desamparo, e construída com o material das lembranças do desamparo de sua própria infancia, na continuação de um protótipo infantil universal."
(Sigmund Freud, O Futuro de uma Ilusão)
"[É] possível atrever-se a considerar a neurose obsessiva como o correlato patológico da formação de uma religião, descrevendo a neurose como uma forma de religiosidade individual, e a religião como uma neurose obsessiva cultural."
(Sigmund Freud, Atos obsessivos e práticas religiosas)

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Coisa de louco: Romênia

O país tem esse nome por já ter sido “terra de romanos”, sofreu disputas territoriais entre turcos otomanos, russos e Habsburgos. Local tenebroso, a Transilvânia é a terra de Conde Drácula, e recentemente parecia mesmo um hospício. Encontra-se no fundo do poço da Europa, com índices sociais inferiores aos da Líbia, PIB per capita abaixo ao da Namíbia. Dez por cento da população são ciganos analfabetos. Nicolae Ceausesco, governando de 1965 a 1989, achou que uma solução seria o aumento da população. Assim, proibiu todos os métodos anticoncepcionais e de controle de natalidade. Mulheres em idade fértil eram obrigadas a se submeter a exames médicos periódicos a fim de que não fosse possível esconder uma gravidez, pois o aborto também era proibido. Os médicos em cujos distritos se constatava redução da taxa de natalidade tinham cortes nos salários. Isso se deu, repare, na mesma época da revolução social, sexual, de costumes do ocidente. O povo era obrigado a usar lâmpadas de 40 watts em casa, para economizar. A obrigação de trabalho medieval da corvéia (aos domingos e feriados) ainda existia. Durante a II Guerra, os romenos foram tão sádicos no tratamento dispensado aos judeus, que até os alemães reclamaram. Em 2001 carros puxados por cavalos eram mais numerosos do que os a gasolina, existia um programa oficial do governo para substituir carros por carroças.
Ceaussescu foi executado no Natal de 1989.

Baseado no livro "Reflexões Sobre um Século Esquecido" do historiador Tony Judt, recém-lançado no Brasil

sábado, 12 de junho de 2010

Pacientes que não tive 02: Schopenhauer

Schopenhauer. Meu filósofo favorito (1788-1860). Absoluta e constantemente pessimista, já me fez pensar que a depressão não deveria ser considerada uma doença, mas sim um sinal de inteligência ou lucidez.

“Podemos classificar a vida como um episódio que perturba inutilmente a bem-aventurada tranqüilidade do nada. A existência humana deve ser alguma espécie de equívoco, pois se hoje já é ruim, a cada dia torna-se pior, até que o pior do pior aconteça. A vida é tão desolada, curta e duvidosa, que não vale grandes esforços, é mantida por ilusões. Se a existência fosse uma condição agradável, todos relutariam em entregar-se ao estado de inconsciência do sono e dele despertariam com alegria. Mas acontece justamente o contrário. As pessoas anseiam pela hora de dormir e, pela manhã, despertam contrariadas.” Permaneceu solteiro, pois “casar significa fazer todo o possível para tornar-se objeto de uma aversão recíproca”. Acreditava que o desejo nos movia em direção à melancolia o que, dizia, ficava claro na lassidão dos casais após o sexo: “Imediatamente após a cópula, ouvem-se as gargalhadas do Diabo”. Pensar no resultado de tratá-lo é interessante... O quanto ele poderia melhorar, e o quanto me deixaria pior? Com essa cara feia assim, sei não...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Chapéuzinho Vermelho

-Que orelhas enormes a Sra. Tem, Vovó...
-São para te ouvir melhor, minha netinha!
-Para que é esse nariz enorme?
-Prá te cheirar melhor, queridinha...
-E para que é essa boca enorme?
-Prá te COMER melhor, minha linda !!!

Quando Chapéuzinho sai da segurança de sua casa para a floresta, recebe um aviso de sua mãe, para que siga pelo caminho seguro, e não se desvie, pois ela conhece bem os perigos que rondam sua ingenuidade, sabe do risco representado por lobos educados, de fala mansa. Ao encontrar o lobo na floresta, este não pode devorá-la, pois há lenhadores nas redondezas. Na presença de adultos responsáveis, o lobo nada tenta, astutamente perguntando então para onde ela vai, a fim de segui-la. Desvia sua atenção para as belezas da natureza, com intuito de distraí-la e atrasá-la. Despreocupada, Chapéuzinho se atrasa e chega depois que vovó já foi devorada pelo lobo, que a aguarda.
É então que acontece o interessante duelo verbal a respeito de partes grandes e peludas do corpo do Lobo Mau. São verdadeiras preliminares, nas quais o que seduz não são os atributos físicos, mas sim as intenções ocultas dele. Intrigada pelo desejo do lobo, a criança se fascina com a intuição de que existe algo de muito interessante que anima o mundo dos adultos, algo relacionado com o perigo que as meninas inocentes correm, quando, apesar de virtuosas e obedientes, se descuidam dos conselhos da mãe, ou se desviam do caminho traçado. Agora não há adultos responsáveis por perto para protegê-la, nem mãe, nem avó, nem lenhador. Há algo de misterioso no lobo que a atrai, é por isso que ele é tão perigoso. Sua mãe já sabia disso. Na verdade não só sabia, como também o previra e queria evitá-lo, o que é inútil, pois esse encontro está fadado a algum dia,fatalmente acontecer. No final, Chapéuzinho é retirada de dentro da barriga do lobo pelo lenhador.

No conto, são descritas três gerações femininas: filha, mãe e avó. A figura do pai não é diretamente mencionada, embora presente, de forma velada em suas duas fortes naturezas opostas e contraditórias. A versão responsável, respeitosa e salvadora (o lenhador); e seu oposto, perigoso, sedutor, inaceitável, o lobo. Todo homem, dentre eles o pai, carrega um animal escondido dentro de si. A criança tenta decodificar o código de organização sexual secreto dos adultos. Quem pode casar com quem? Porque vovó e as crianças estão excluídos? Qual o Caminho seguro?
Uma crise existencial é ultrapassada. Chapéuzinho Vermelho perde a inocência infantil quando se encontra com os perigos do mundo (e de dentro de si mesma), cai na conversa do lobo e é devorada; mas renasce, ao ser retirada de barriga dele pelo lenhador: não como a criança que era, mas como a donzela que se tornou.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A imensa distância entre discurso e fato.

O mundo não é bom. É um lugar hostil, no qual temos de lutar incessantemente pela sobrevivência, que se faz às custas da morte de outros. É um lugar onde sobrevivem os mais fortes, astutos e inteligentes. Não há lugar para os fracos. Embora não seja bom, o mundo também não é mau. Simplesmente ele é indiferente. Indiferente ao sofrimento das criaturas. Não é nada amoroso. Por isso que se fala tanto em filosofias de piedade e amor ao próximo. É evidente que se esse amor existisse mesmo, não se precisaria fazer tanta demagogia ou alarde a respeito de sua existência ou valor.

“Tantos escravos foram embarcados na ilha de Moçambique que um tronco de mármore foi erguido na praia, diante do palácio. Era ali que o bispo se postava, diante dos escravos acorrentados, sacudindo as mãos para convertê-los ao Cristianismo. Assim, se morressem na viagem, antes de chegar à América, iriam para o Céu. Era uma prudente precaução, porque os navios partiam tão atulhados que trinta a quarenta por cento dos escravos morria. Seus corpos eram jogados ao mar. Mas todos, graças a Deus, teriam o privilégio de morrer como bons cristãos.”

Entre haspas, trecho extraído do romance "Os Rebeldes", de James A. Michener, do qual sou fã, autor dos melhores romances históricos que li, e que recomendo a todos.

domingo, 6 de junho de 2010

O Haver

Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
essa intimidade perfeita com o silêncio.
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo.
Perdoai: eles não têm culpa de ter nascido.

(Vinícius de Moraes)

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Pacientes que não tive 01: Gauguin

Em 08/05/1903, o bispo das Ilhas Marquesas, pouco caridosamente, testemunhou a morte de “um artista conhecido, porém inimigo de Deus”. Era o fim de Paul Gauguin, aos 54 anos , solitário, pobre e sifilítico numa cela de prisão.
Artista tão pouco convencional em sua arte como em sua vida, aos 35 anos abandonou uma respeitável e próspera carreira na bolsa de valores, sua esposa e seus cinco filhos, trocando a segurança material na França, por uma vida cheia de contradições e episódios apaixonantes nos mares do Pacífico sul. O desejo de liberdade no plano artístico e no existencial o marginalizou da sociedade. Não se adaptava aos rígidos hábitos vitorianos, nem à sua hipocrisia. Decidiu viver como “um nativo”. Viveu na Bretanha, no Panamá e Taiti, buscando uma vida tranqüila e paradisíaca, junto a culturas primitivas, “puras”, intocadas pela sociedade “civilizada”.
Na evolução de seu estilo, percebemos um abandono gradual das paisagens por um interesse progressivo em figuras humanas, femininas, morenas, nuas. Ele pintou Annah, a Javanesca, uma “exuberante mulata de olhos incandescentes”. Em 1892, retratou sua nova mulher, Teha’amana, uma silvícola de 13 anos, nua, maravilhosamente esparramada na cama.
Empregou um colorido vibrante, irreal, para expressar, com emoção intensa, a beleza e os mistérios vivenciados. Ao saber da morte de sua distante filha, Aline, aos 20 anos, entrou num período sombrio, triste, durante o qual criou a obra-prima “De onde viemos? Que somos? Para onde vamos?” (1897), seu testamento artístico final, questionando a finalidade da existência humana. Doente, empobrecido, tentou o suicídio ingerindo arsênico. Morreu solitário, de sífilis, cumprindo pena por atos obscenos, na prisão.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Luto

O luto é uma forma de viver a morte em vida, de constatar o limite humano. No luto, a morte torna-se presente e real, partilhamos com outros o fim de um semelhante e toda a emoção que o fato desperta no humano. Mas partilhamos, também, a realidade da vida com outros, estabelecemos vínculos que possibilitam o conhecimento entre as pessoas. A psicologia tem buscado diferenciar o chamado luto normal do luto patológico, doentio. As diferenças entre eles têm sido muito, freqüentemente, motivo de discussões. Muitos autores têm dificuldade em discriminar o momento que poderíamos considerar patológica a depressão causada por uma perda.
O luto é um processo contínuo, com cada pessoa vivenciando-o de uma forma forma diferente. Dividir o luto em 5 "fases" ajuda a pessoa enlutada a entender que as seus sentimentos são normais. Algumas pessoas passam rápido por todas as fases, enquanto outras parecem ficar "presas" numa fase específica. Resumindo, as fases do luto são as seguintes:

1- CHOQUE E NEGAÇÃO- A realidade da morte ainda não foi aceite. Ele ou ela se sente atordoado e atônito - como se tudo aquilo fosse irreal. "Não pode ser.Deve haver algum engano..."
2- RAIVA e CULPA- A pessoa enlutada frequentemente se volta contra a família, amigos, elas mesmas, Deus, ou o mundo em geral. Vão aparecer também sentimentos de culpa ou medo nesse estágio.
3-BARGANHA- Nessa fase a pessoa pede por um trato ou uma recompensa de Deus,do padre. Comentários do tipo "Eu vou à Igreja todo dia se ele voltar para mim" são comuns. Algumas religiões até formalizam estas relações na forma de “promessas”
4- DEPRESSÃO e TRISTEZA- A depressão ocorre como uma reação à mudança do modo de vida ocasionada pela perda. A pessoa enlutada se sente extremamente triste, desesperançada, inútil e cansada.
5- ACEITAÇÃO- A aceitação acontece quando as mudanças que a perda trouxe para a pessoa se estabilizam em um novo estilo de vida. A intensidade e a duração do processo de luto dependem de vários fatores

terça-feira, 25 de maio de 2010

Vampirismo e santidade

Ao ouvir do Santo Padre algo como beber o sangue de Cristo, fui tomado por estranhos pensamentos. Afinal, eu também tenho esse direito.

Beber o sangue de Cristo Salvador, no ritual da missa, traz vida, luz e esperança. Este, de quem se bebe o sangue, é o oposto de outro, que bebe nosso sangue. O vampiro, que já está morto, alimenta-se de sangue em busca da vida, que continua, para ele, na morte. Cristo, que morreu, oferece seu sangue e ressuscita para a vida eterna. O vampiro foge da cruz, para matá-lo é preciso fincar uma estaca em seu coração, uma farpa de madeira. Cristo morre cravado numa cruz, imensa estaca de madeira. A cruz, no cemitério, é uma estaca, fincada sobre a tumba do morto que abaixo descansa, em paz, no aposento do vampiro. O vampiro que da cruz foge, não descansa, mas dorme no leito dos mortos. Não pode ter contato com a luz, na qual envolto, Cristo ascende aos céus. O coração do vampiro morre pela estaca, e o coração de Cristo vive, visível nos quadros e pinturas.
Ambos parecem dizer o mesmo, de maneiras opostas. Talvez, por isso, nunca sejam vistos juntos. Noite e dia.

Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. (João 6:54)

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Dificuldades sexuais masculinas

No caso dos homens, os problemas mais comuns são a disfunção erétil e a ejaculação precoce. Ambas as situações são muito comuns, mas, ao contrário das mulheres, os homens relutam mais em admitir o problema e também em procurar tratamento. Trata-se de uma questão cultural que dificulta aos homens expor suas fraquezas. O que é uma pena, pois hoje em dia dispomos de excelentes medicações que podem resolver a maioria dos casos. Quem não ouviu falar no Viagra? É uma droga segura, eficaz, com resultados muito satisfatórios. E não é o único, existem diversos outros com efeito semelhante, ou melhor. A ejaculação precoce também é uma condição freqüente na clínica e que responde muito bem a medicamentos adequados.
Atualmente são condições totalmente tratáveis.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Dificuldades sexuais femininas

"Doutor, meu problema é a frigidez. O que o senhor me recomenda?" Essa questão, colocada de maneira tão simples, tem sido um dos maiores desafios à ginecologia e à psiquiatria. Trata-se de uma confissão, mais que uma queixa médica, geralmente acompanhada de sentimentos de frustração, vergonha, mágoa e constrangimento. Seria como se a parte psíquica que desperta o interesse pelo sexo estivesse morta ou desligada.
Por uma questão acadêmica a Frigidez deve ser diferenciada a falta de orgasmo feminino. Muitas mulheres que não conseguem experimentar orgasmo continuam tendo prazer e interesse sexual. Para abordar o tema de forma mais propriada, convém tomarmos a questão dos problemas sexuais femininos, todos eles, sob a forma de Disfunção Sexual Feminina.
Na absoluta maioria dos casos, o desinteresse pelo sexo está ligado a fatores psicológicos ou sociais, sendo um dos mais freqüentes determinantes a monotonia conjugal. Também a educação que se recebeu, a falta de diálogo entre os parceiros, as práticas sexuais pouco gratificantes e até a resistência em inovar acabam minando o relacionamento e facilitam o desinteresse. O próprio fato de envelhecer e as dificuldades do cotidiano também podem interferir na satisfação sexual.

Leia tudo em: http://virtualpsy.locaweb.com.br/index.php?art=91&sec=23
Um site com informações sérias e confiáveis.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Só mentirosos (e gays) não tem problemas com as mulheres

Uma leitora, irritada, pergunta: "Você não acredita que existam mulheres sozinhas e bem resolvidas? Você deve é ter problemas com as mulheres". Dou duas respostas.
Primeira: não acredito em pessoas bem resolvidas, acho que todo mundo que se diz bem resolvido é um mentiroso contumaz, mulher ou homem. No fundo, o que existe hoje é um marketing de comportamento que se apoia no consumo crescente de antidepressivos e hábitos macabros como conversar com gatos, cachorros, plantas ou extraterrestres. Só eremitas conseguem viver bem sozinhos. Amar a solidão sempre implica alguma forma de trauma ou desencanto com a vida.
Segunda: sim, tenho problema com as mulheres, quem não tem? Só os mentirosos e os gays. Os gays não têm problemas com as mulheres porque são indiferentes a elas. Ser bem resolvido com as mulheres é ser gay. Para o gay, a mulher é obsoleta. Exigir dos homens "afetos corretos" para com as mulheres é querer que todos sejam gays. O mesmo vale para as mulheres: toda mulher tem problema com os homens. Quando se trata da relação entre homens e mulheres, estamos num pântano de medo, insegurança, baixa autoestima e jogos de manipulação. O inferno do desejo.Conhece?
E por que existe tanta gente que faz uso desse marketing de comportamento dizendo por aí que "hoje temos outra cabeça"? De novo, dou duas respostas.
Primeira: eu me vendo como bem resolvido para fazer os outros se sentirem mal e com isso elevo minha autoestima. Nunca subestime a delícia que é fazer o outro se sentir mal mesmo que você não esteja se sentindo tão bem assim.Segunda: como derivação da primeira, eu me vendo como bem resolvido para elevar meu preço no mercado dos afetos e das relações.
As duas se resumem no velho pecado da vaidade. Esse é apenas um dos sete pecados capitais (caso a cara leitora queira saber mais, leia são Tomás de Aquino). Melhor do que todo o papo de luta de classes, ideologia, política dos corpos, sexismo e blá-blá-blás associados, experimente usar os sete pecados capitais para ver se eles não iluminam a chacina cotidiana em que você vive.

Extraído de uma resposta de Luis Felipe Pondé, a uma leitora, publicado pela Folha de São Paulo.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Obesidade e compulsão alimentar

O Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica é uma atitude alimentar caracterizada pela ocorrência de episódios de comer grandes quantidades de comida em intervalos curtos de tempo, sensação de perda de controle sobre o ato de comer e, em seguida, arrependimento de ter comido. Esses episódios de hiperfagia são referidos na literatura internacional com o nome de Binge Eating. O fenômeno merece toda consideração médica, já que aparece em aproximadamente 2% da população geral e, particularmente, em cerca de 30% dos obesos que procuram tratamento médico.
Os Transtornos Alimentares têm causas múltiplas, envolvendo, como quase sempre na psiquiatria, as predisposições genéticas e constitucionais, as influências socioculturais e as vulnerabilidades psicológicas pessoais.
Há em nossa sociedade, e também na maioria dos ambientes familiares, extrema valorização da estética corporal, do corpo magro, atribuindo grande culpa para a pessoa que não se encaixa no modelo estético desejável culturalmente.
A cobrança exagerada para o controle alimentar por parte dos familiares, a vigilância insistente sobre a dieta, críticas pretensamente construtivas, comparações maldosas com pessoas “esbeltas e elegantes” muitas vezes acabam causando efeito contrário do que esperavam esses familiares, ou seja, a pessoa vigiada acaba desenvolvendo algum transtorno alimentar e, entre eles, com muita freqüência a Compulsão Alimentar Periódica.
O tratamento para a Compulsão Alimentar Periódica é múltiplo, devendo envolver o uso de medicamentos, intervenções psicológicas e nutricionais.
O tratamento farmacológico para esse transtorno deve começar com um antidepressivo inibidor seletivo da recaptação da serotonina, como por exemplo, a fluoxetina, fluvoxamina, sertralina e o citalopram, que têm sido capazes de reduzir significativamente o comportamento de compulsão alimentar e o peso.
Uma curiosidade no tratamento da Compulsão Alimentar Periódica observada nos primeiros estudos, foi a forte resposta ao placebo nestes pacientes. Mas esta alta resposta, entretanto, não é um fenômeno exclusivo da Compulsão Alimentar Periódica. Ela é característica de grande parte dos transtornos psiquiátricos.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Antidepressivos: efeitos colaterais

O álcool que traz infelicidade para o alcoólatra é o mesmo que traz descontração para outros, a diferença não está na bebida em si, mas na relação que o bebedor estabelece com ela. Comida, bebida, trabalho, amizades, sexo. As mesmas coisas que fazem a felicidade de uns, causam a ruína de outros. Tudo, absolutamente tudo na vida tem variações e conseqüências, ou “efeitos colaterais”. Isso não é exclusividade de medicamentos. O mesmo remédio que beneficia um, prejudica outro. Cabe avaliar cada caso individualmente, pesando na balança prós e contras. Aí está o risco da automedicação, tão comum em nosso meio. É onde deve entrar o conhecimento e experiência do especialista. Antidepressivos possuem efeitos colaterais importantes, mas que podem ser benéficos de acordo com a situação. O ganho de peso pode ser bom na anorexia. A sonolência ajuda quem sofre de insônia. Retardar a ejaculação pode ser útil ao ansioso, os exemplos são inúmeros. Em mãos competentes, os antidepressivos podem ser de extrema validade.Assim, foi com estranheza que li recente manchete da Folha de São Paulo:

“Médicos desprezam os efeitos colaterais de antidepressivos”
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd2604201001.htm
Leitura de interesse para muitos pacientes

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Estresse, ansiedade e depressão: uma epidemia.

Existem explicações baseadas na evolução do homem que explicam a ocorrência desses fenômenos em proporções epidêmicas na atualidade. Podem surgir novidades no tratamento.

Veja o artigo de Marcelo Leite, publicado ontem na Folha de São Paulo:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe2504201004.htm

sábado, 24 de abril de 2010

A queda do homem

No princípio estava o homem feliz no centro da criação. Em harmonia com a natureza, colhendo frutos e mel. Sabia o homem o que era certo e se desviava do mal. Temia a Deus. E isso era bom. Mas derrotas humilhantes se anunciavam, prestes a ser impostas ao Ego humano.
De andar pelo mundo, chegou Galilleu, assecla de Copérnico. E tirou a terra do centro do universo, pondo ali o sol. Ensinou que nossas impressões do mundo sensível são subjetivas e enganosas. Acabou de vez com a ilusão da certeza. Descobriu o homem que não estava no centro, nem do sistema solar, menos ainda da Via Láctea. E isso foi mal. Homens piedosos lançaram às chamas homens hereges a fim de conter os protestos dos tementes a Deus.
Darwin, fracassando em ser clérigo ou médico, vingou-se da humanidade, demonstrando que o homem não é um ente superior, mas apenas um animal entre outros. Não fruto de uma criação especial, mas sim do acaso. Modernos cientistas hoje, baseados em estudos de DNA, proclamam que os chimpanzés são mais próximos a nós do que das bestas. A psicologia comportamental substituiu a noção de mente por um conjunto de reflexos condicionados, em nada diferentes dos que determinam a conduta de um cão ou uma lombriga.
Implacávelmente, o rebaixamento do homem continuou. Freud provou que não somos senhores sequer de nossos desejos, pensamentos e atitudes. Que nossa consciência individual não é soberana, mas apenas o resultado da luta de forças inconscientes.

O progresso do conhecimento se deu pela troca de ilusões grandiosas por verdades cada vez mais deprimentes. Uma a uma foram caindo as ilusões narcísicas da humanidade, "uma espécie animal que ousara se proclamar imagem e semelhança de Deus", nas palavras de Freud. Sob este aspecto, a história da ciência é uma história de humildade intelectual progressiva. Invertendo a incoercível tendência do ser humano para fazer de si próprio o umbigo do universo.

"Outra vez me voltei, e vi vaidade debaixo do sol."
Eclesisates 4:7