Médicos hoje deixam de atender a planos de saúde em protesto à falta de reconhecimento do valor de seu trabalho. Convênios pagam, em média 47,00 reais por consulta. Em solidariedade ao movimento dos colegas, lembro um cartaz divulgado pelo CRM, anos atrás:
quinta-feira, 7 de abril de 2011
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Só os neuróticos verão a Deus
Quando me afundo na agonia, tenho dois profetas: Nelson Rodrigues e Fiodor Dostoiévski.À noite, ouço a voz do demônio do ceticismo me chamando para o seu país da solidão e sua aridez de três desertos.
Um dos efeitos clínicos do ceticismo é a indiferença para com o que os outros pensam.Tornei-me esse ser obscuro e muitas vezes cínico cedo demais. Hoje estou em companhia de Nelson Rodrigues e sua sublime obsessão pela alma atormentada. Há dias o leio e releio, assim como quem toma um remédio acima da dose, Certa feita, falando sobre sua peça "Bonitinha, Mas Ordinária", Nelson disse (respire fundo): "A nossa opção, repito, é entre a angústia e a gangrena. Ou o sujeito se angustia ou apodrece. E, se me perguntarem o que eu quero dizer com minha peça, eu responderia: que só os neuróticos verão a Deus".
Bem-aventurados os de sorriso raro e de beleza tímida. Bem-aventurados os que se desesperam, mas não desistem, porque deles é o reino dos céus.
Luiz Felipe Pondé
Um dos efeitos clínicos do ceticismo é a indiferença para com o que os outros pensam.Tornei-me esse ser obscuro e muitas vezes cínico cedo demais. Hoje estou em companhia de Nelson Rodrigues e sua sublime obsessão pela alma atormentada. Há dias o leio e releio, assim como quem toma um remédio acima da dose, Certa feita, falando sobre sua peça "Bonitinha, Mas Ordinária", Nelson disse (respire fundo): "A nossa opção, repito, é entre a angústia e a gangrena. Ou o sujeito se angustia ou apodrece. E, se me perguntarem o que eu quero dizer com minha peça, eu responderia: que só os neuróticos verão a Deus".
Bem-aventurados os de sorriso raro e de beleza tímida. Bem-aventurados os que se desesperam, mas não desistem, porque deles é o reino dos céus.
Luiz Felipe Pondé
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Provas da existência de Deus: 9
Sobre a lógica do fato da existência do bem, bem como da necessidade da própria criação deste mesmo bem, a partir do nada vazio preexistente, sem nenhum bem, quando o vazio e o nada imperarvam sobre a face do abismo, antes da existência do bem. Muita atenção:
Se o bem existir, então deve ter sido criado por Deus.
O bem existe.
Portanto, Deus existe.
Se o bem existir, então deve ter sido criado por Deus.
O bem existe.
Portanto, Deus existe.
sexta-feira, 25 de março de 2011
Freud finalmente psicografado.
Foto tirada durante noite de autógrafos, no lançamento da biografia psicografada (embora não autorizada) de Sigmund Freud. Como se pode ver, o espírito do grande mestre se materializou em meio a ofuscantes névoas de ectoplasma, claramente observáveis ao redor de sua barba, atestando a veracidade deste importante documento (clique na foto para ver os impressionantes detalhes). Infelizmente nem todos estão prontos para aceitar o fato científico de que a morte não existe. Estudem, evoluam, Leiam Kardec.
quinta-feira, 24 de março de 2011
Mais da metade dos bipolares não recebe tratamento
Transtorno já atinge 2,4% da população mundial, indica mapeamento feito em 11 países, Brasil incluído.Problema mental é mais incapacitante que doença de Alzheimer e câncer, alertam os autores do trabalho.
Mapeamento mundial sobre transtorno bipolar mostra que menos da metade dos doentes recebe tratamento. A pesquisa avaliou mais de 60 mil pessoas em 11 países como Brasil, EUA e China, das quais 2,4% apresentavam o transtorno. O resultado foi publicado no "Archives of General Psychiatry".
Os pesquisadores escolheram amostras aleatórias em suas regiões e fizeram entrevistas com base em critérios da Organização Mundial da Saúde para o diagnóstico. O transtorno bipolar é caracterizado por oscilações de humor entre euforia (ou mania) e depressão. Pode causar irritabilidade, agressividade e ideias suicidas.
Apesar da gravidade dos sintomas, só 42,7% das pessoas diagnosticadas no mapeamento estavam sendo tratadas por um especialista. No grupo de países que incluía o Brasil, esse índice era ainda menor: 33,9%. "A pessoa não tem acesso ao sistema de saúde, ou acha que os sintomas são resultado do uso de drogas", diz a psiquiatra Laura Helena de Andrade, coordenadora de epidemiologia do Instituto de Psiquiatria da USP e responsável pela coleta de dados na Grande São Paulo. Segundo ela, é comum um bipolar receber diagnóstico de depressão, porque a manifestação de euforia pode ser mais leve. "E é muito mais comum a pessoa só ir buscar tratar a depressão, porque ela incomoda mais. Mas, se o médico ministrar antidepressivos, pode desencadear episódios de mania, com aumento da irritabilidade", diz.
Segundo o estudo, esse transtorno é mais incapacitante do que cada um dos tipos de câncer, e mais até que Alzheimer. Bipolares sofrem por mais anos com os prejuízos do transtorno, em comparação aos outros doentes. O dado foi extraído de um relatório da OMS segundo o qual a bipolaridade representa 0,9% das doenças incapacitantes, logo à frente do Alzheimer, com 0,8%.
"A pessoa já começa a ter problemas na adolescência ou no começo da vida adulta e, ao longo do tempo, vai perdendo habilidades como capacidade de raciocínio, memória e concentração", diz o psiquiatra Ricardo Moreno, que coordena o programa de transtornos afetivos do Instituto de Psiquiatria.
O psiquiatra Eduardo Tischer, da Unifesp, acrescenta: "A doença é crônica, e leva meses para que o paciente consiga se restabelecer. Enquanto isso, ele sofre prejuízos no trabalho e suas relações familiares pioram". O não tratamento só piora os sintomas. "A pessoa tem mais chances de recorrer a drogas, álcool e de cometer suicídio", afirma Tischer.
Mapeamento mundial sobre transtorno bipolar mostra que menos da metade dos doentes recebe tratamento. A pesquisa avaliou mais de 60 mil pessoas em 11 países como Brasil, EUA e China, das quais 2,4% apresentavam o transtorno. O resultado foi publicado no "Archives of General Psychiatry".
Os pesquisadores escolheram amostras aleatórias em suas regiões e fizeram entrevistas com base em critérios da Organização Mundial da Saúde para o diagnóstico. O transtorno bipolar é caracterizado por oscilações de humor entre euforia (ou mania) e depressão. Pode causar irritabilidade, agressividade e ideias suicidas.
Apesar da gravidade dos sintomas, só 42,7% das pessoas diagnosticadas no mapeamento estavam sendo tratadas por um especialista. No grupo de países que incluía o Brasil, esse índice era ainda menor: 33,9%. "A pessoa não tem acesso ao sistema de saúde, ou acha que os sintomas são resultado do uso de drogas", diz a psiquiatra Laura Helena de Andrade, coordenadora de epidemiologia do Instituto de Psiquiatria da USP e responsável pela coleta de dados na Grande São Paulo. Segundo ela, é comum um bipolar receber diagnóstico de depressão, porque a manifestação de euforia pode ser mais leve. "E é muito mais comum a pessoa só ir buscar tratar a depressão, porque ela incomoda mais. Mas, se o médico ministrar antidepressivos, pode desencadear episódios de mania, com aumento da irritabilidade", diz.
Segundo o estudo, esse transtorno é mais incapacitante do que cada um dos tipos de câncer, e mais até que Alzheimer. Bipolares sofrem por mais anos com os prejuízos do transtorno, em comparação aos outros doentes. O dado foi extraído de um relatório da OMS segundo o qual a bipolaridade representa 0,9% das doenças incapacitantes, logo à frente do Alzheimer, com 0,8%.
"A pessoa já começa a ter problemas na adolescência ou no começo da vida adulta e, ao longo do tempo, vai perdendo habilidades como capacidade de raciocínio, memória e concentração", diz o psiquiatra Ricardo Moreno, que coordena o programa de transtornos afetivos do Instituto de Psiquiatria.
O psiquiatra Eduardo Tischer, da Unifesp, acrescenta: "A doença é crônica, e leva meses para que o paciente consiga se restabelecer. Enquanto isso, ele sofre prejuízos no trabalho e suas relações familiares pioram". O não tratamento só piora os sintomas. "A pessoa tem mais chances de recorrer a drogas, álcool e de cometer suicídio", afirma Tischer.
GUILHERME GENESTRETI, na Folha, ontem: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd2303201102.htm
terça-feira, 15 de março de 2011
Ahmadinejad e os homossexuais- 2
Não consigo deixar de comentar. Me lembrou que há mais de um ano, escrevi sobre a postura do presidente do Irã com relação aos homossexuais. Em entrevista à Folha, publicada ontem, Ali Akbar Javanfekr, 51 anos, chefe de imprensa do governo do Irã, bacharelado em mídia, com mestrado em administração, coordenador de comunicação do governo iraniano, conselheiro sênior e representante do presidente Mahmud Ahmadinejad, disse que a distribuição de 90 milhões de preservativos pelo governo brasileiro no carnaval foi algo “muito feio”e “contrário à saúde da humanidade”. Será possível que ele acredite nas próprias palavras? Se ele é capaz de declarar isso em público, imagino do que seria capaz na intimidade. Vale a pena ler esse trecho da entrevista...
Folha:É verdade, como diz o presidente Ahmadinejad, que não há gays no Irã?
Akbar:Não temos.
Folha:É o único país do mundo que não tem gay?
Akbar:Na República Islâmica do Irã, não há.
Folha:Se houver, há punições?
Akbar: Nossa visão sobre esse tema é diferente da de vocês. É um ato feio, que nenhuma das religiões divinas aceita. Temos a responsabilidade humana, até divina, de não aceitar esse tipo de comportamento. Existe uma ameaça sobre a saúde da humanidade. A Aids, por exemplo. Uma das raízes é esse tipo de relacionamento.
Folha: A Aids é uma punição divina aos gays?
Akbar: Não creio nisso. Mas vi que no Carnaval [do Brasil] foram distribuídos 90 milhões de preservativos, e isso é muito feio. Não é a favor da saúde da humanidade.
Na íntegra:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1403201123.htm
Folha:É verdade, como diz o presidente Ahmadinejad, que não há gays no Irã?
Akbar:Não temos.
Folha:É o único país do mundo que não tem gay?
Akbar:Na República Islâmica do Irã, não há.
Folha:Se houver, há punições?
Akbar: Nossa visão sobre esse tema é diferente da de vocês. É um ato feio, que nenhuma das religiões divinas aceita. Temos a responsabilidade humana, até divina, de não aceitar esse tipo de comportamento. Existe uma ameaça sobre a saúde da humanidade. A Aids, por exemplo. Uma das raízes é esse tipo de relacionamento.
Folha: A Aids é uma punição divina aos gays?
Akbar: Não creio nisso. Mas vi que no Carnaval [do Brasil] foram distribuídos 90 milhões de preservativos, e isso é muito feio. Não é a favor da saúde da humanidade.
Na íntegra:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1403201123.htm
quinta-feira, 10 de março de 2011
Sobre depressão
Site interessante, com informações confiáveis sobre depressão e outros tópicos de saúde mental:
http://www.apsen.com.br/depressao/index.php?modulo=oquee
http://www.apsen.com.br/depressao/index.php?modulo=oquee
quinta-feira, 3 de março de 2011
Psicoterapeuta fica nua para clientes
A pisicoterapeuta americana Sarah White diz ter encontrado uma maneira bastante insólita para fazer com que seus pacientes se abram com mais facilidade no divã. Sarah tira a roupa, em uma prática que ela batizou de "terapia nua".
Ela cobra US$ 150 pela primeira sessão, feita pela internet. Depois de estabelecer um contato inicial com o paciente, passa a recebê-lo pessoalmente em seu consultório em Nova York. As consultas feitas ao vivo são mais caras: segundo reportagem publicada no diário eletrônico "The Daily", cada encontro com Sarah sai por US$ 450.
Será que a moda pega?
http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2011/02/787781-terapeuta+tira+roupa+para+deixar+paciente+tranquilo.html
quarta-feira, 2 de março de 2011
Ciclistas atropelados: crime, maldade ou doença?
Em 1999, o então estudante do sexto ano de medicina da Santa Casa, Mateus da Costa Meira, disparou uma metralhadora sobre a platéia do cinema do Shopping Morumbi, ferindo 4 pessoas e matando outras três. Na penitenciária Lemos Brito, em Salvador, anos depois, tentou matar um colega de cela. Seus advogados de defesa alegaram insanidade mental.
Em janeiro, o jornalista português Carlos Castro, foi espancado, desfigurado, castrado e morto por seu suposto amante, o modelo Renato Seabra, de 21 anos, num quarto de hotel em Nova York. Depois de confessar o assassinato, ele encontra-se internado no Hospital Bellevue, na condição de paciente com “perturbação mental”.
Na semana passada, o bancário José Neis avançou seu carro sobre ciclistas em Porto Alegre, atropelando quinze pessoas. Oito estão hospitalizadas. Depois de se apresentar à polícia, internou-se numa clínica psiquiátrica para “se tratar”.
Diante de horrores assim, a sociedade, incapaz de explicá-los, tem a tendência de considerá-los comportamentos “doentios”. Afinal, não é aceitável que uma pessoa “normal” os cometa. Existe um movimento de medicalizar, “psiquiatrizar” o mal. Ao considerar o crime como manifestação de doença, de alguma forma parece que isentamos o “paciente” de sua parcela de responsabilidade no ato criminoso. Ninguém adoece porque quer, certo? Ao afirmar que o assassino de ontem é o doente de hoje, a psiquiatria flerta com a possibilidade de cura no amanhã, quem sabe, para alegria da industria farmacêutica. É uma grande ousadia da ciência, que parece querer responder uma questão eminentemente teológica: como conciliar a existência de Deus com o mal no mundo? Fácil assim: basta recorrer ao CID (Código Internacional de Doenças), no capítulo de Psiquiatria.
Em janeiro, o jornalista português Carlos Castro, foi espancado, desfigurado, castrado e morto por seu suposto amante, o modelo Renato Seabra, de 21 anos, num quarto de hotel em Nova York. Depois de confessar o assassinato, ele encontra-se internado no Hospital Bellevue, na condição de paciente com “perturbação mental”.
Na semana passada, o bancário José Neis avançou seu carro sobre ciclistas em Porto Alegre, atropelando quinze pessoas. Oito estão hospitalizadas. Depois de se apresentar à polícia, internou-se numa clínica psiquiátrica para “se tratar”.
Diante de horrores assim, a sociedade, incapaz de explicá-los, tem a tendência de considerá-los comportamentos “doentios”. Afinal, não é aceitável que uma pessoa “normal” os cometa. Existe um movimento de medicalizar, “psiquiatrizar” o mal. Ao considerar o crime como manifestação de doença, de alguma forma parece que isentamos o “paciente” de sua parcela de responsabilidade no ato criminoso. Ninguém adoece porque quer, certo? Ao afirmar que o assassino de ontem é o doente de hoje, a psiquiatria flerta com a possibilidade de cura no amanhã, quem sabe, para alegria da industria farmacêutica. É uma grande ousadia da ciência, que parece querer responder uma questão eminentemente teológica: como conciliar a existência de Deus com o mal no mundo? Fácil assim: basta recorrer ao CID (Código Internacional de Doenças), no capítulo de Psiquiatria.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
INSS e perícias médicas
Uma pensionista e o marido quebraram uma agência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Palhoça, na Grande Florianópolis, na manhã desta quarta-feira, (27/02/11). A mulher, uma cozinheira que sofre de depressão, alega que está sem receber o benefício há cinco meses. O casal se revoltou após um médico negar o pedido do benefício sem examiná-la.
Fonte:
http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2011/02/23/pensionista-marido-quebram-agencia-do-inss-na-grande-florianopolis-923864427.asp
Fonte:
http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2011/02/23/pensionista-marido-quebram-agencia-do-inss-na-grande-florianopolis-923864427.asp
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Síndrome de Pânico
O pior deste quadro, a meu ver, é o tempo normalmente prolongado entre o início dos sintomas e o tratamento. Muitos pacientes sofrem por meses, indo com freqüência a serviços de urgência, perambulando entre pronto-socorros, sentindo-se mal, com a impressão de que estão com a vida por um fio, são atendidos, examinados, fazem alguns exames, mas nada de conclusivo é encontrado. Os sintomas são muito desagradáveis, se acompanham de intenso temor. O coração se acelera, o suor aumenta, aparecem tremores, formigamantos, sensação de sufocamento, falta de ar, dor no peito, desconforto abdominal, sensação de tontura e desmaio iminente, medo de morrer, calafrios ou ondas de calor. Muitas vezes, as preocupações relativas à morte por problemas cardíacos ou respiratórios dominam o quadro. As crises são tão assustadoras, que o indivíduo começa a ter medo que se repitam, fica sempre alerta aos sintomas, evita sair de casa para não passar mal na rua. A preocupação com um próximo ataque pode dominar o pensamento do paciente, alguns deixam de dirigir, de sair desacompanhados, em situações extremas, não sai mais de casa.
Pacientes com esse quadro são comuns em salas de emergência, muitas vezes sentem-se ofendidos quando encaminhados ao psiquiatra, alegando que estão doentes, e não “loucos”. O tratamento é feito com base no uso de medicamentos antidepressivos e ansiolíticos, quando bem conduzido, faz com que os sintomas desapareçam e a pessoa retome sua vida normalmente, sem que fique dependente de remédios.
Pacientes com esse quadro são comuns em salas de emergência, muitas vezes sentem-se ofendidos quando encaminhados ao psiquiatra, alegando que estão doentes, e não “loucos”. O tratamento é feito com base no uso de medicamentos antidepressivos e ansiolíticos, quando bem conduzido, faz com que os sintomas desapareçam e a pessoa retome sua vida normalmente, sem que fique dependente de remédios.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Preconceito e Depressão
Professores aprovados no último concurso para a rede estadual de São Paulo estão sendo impedidos de assumir seus cargos por terem tido, em algum momento passado, episódio de depressão. Devem permanecer em contratos temporários, uma decisão evidentemente preconceituosa. Avaliação psicológica os classificam como de "ingresso temerário" e "não aptos". Docentes míopes e obesos também tem sido alvo de preconceito e discriminação.
Fonte:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110223/not_imp683281,0.php
Fonte:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110223/not_imp683281,0.php
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
O hipocondríaco
O problema do hipocondríaco não é estar doente, mas ter medo de estar doente, o que, de certa forma para a psiquiatria, paradoxalmente, o torna doente. O paciente traz inúmeras queixas físicas e, pior do que isso, interpreta fenômenos físicos normais, como batimentos cardíacos ou movimentos intestinais, como sendo sinais de que algo está profundamente errado com sua saúde. Costuma ter um medo irracional de morrer e uma obsessão por sintomas físicos irrelevantes. É comum que procure diversos médicos, em especialidades distintas, faça investigações laboratoriais extensas e desnecessárias, e quando é informado que sua saúde está em ordem, acha que o médico não lhe deu a devida atenção ou não é competente o bastante, passando a procurar outro, inconformado, numa busca sem fim. Quando encaminhado ao psiquiatra, muitas vezes se sente incompreendido, ofendido. Mas a psiquiatria pode ajudá-lo, pois geralmente esses pacientes apresentam sintomas concomitantes de depressão e ansiedade (que pode chegar ao pânico), às vezes extremamente incapacitante, podendo se beneficiar de uma abordagem antidepressiva com medicamentos, e principalmente uma psicoterapia empática. O hipocondríaco pode se sentir melhor com um tratamento adequado.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Preconceito e ignorância
Antes do conhecimento da molécula de DNA, descrita por Watson e Crick, em 1953, muitas pessoas acreditavam que o material hereditário fosse transmitido pelo sangue, sendo esta a origem de termos como "puro-sangue" e parentes "consanguíneos". Durante a segunda guerra mundial, soldados brancos pensavam que poderiam ter um filho negro se por acaso recebecem sangue de doadores negros. Nos Estados Unidos, por este motivo, os bancos de sangue mantinham reservas separadas de doadores brancos e negros até 1952.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Jovens propensos a disturbios alimentares usam mais o Facebook
Doenças que envolvem distúrbios alimentares, como bulimia e anorexia, são diretamente proporcionais ao tempo passado no site de relacionamentos Facebook, segundo um estudo divulgado nesta segunda-feira (7) pela Universidade de Haifa, em Israel.
Segundo o site redOrbit, o estudo avaliou basicamente os efeitos de dois fatores de distúrbios alimentares em jovens garotas: a exposição à mídia e a capacidade de resistência. Para o estudo, a universidade tomou como base um grupo de 248 garotas cujas idades variavam entre 12 e 19 anos (em uma média de 14,8 anos). Os pesquisadores pediram informações do que as meninas consumiam em internet e televisão, além de pedirem para que elas dessem um determinado número de programas que refletisse o modelo de corpo ideal.
As garotas também responderam a questionários que mediam a aproximação de cada uma delas com o emagrecimento, bulimia, satisfação (ou insatisfação) física, consumo de comida e a capacidade de tomar decisões. Os resultados indicaram que quanto mais tempo as garotas passam no Facebook, mais sofrem de distúrbios como bulimia, anorexia, insatisfação física, autoimagem negativa, rejeição à alimentação e dietas para perder peso.
A exposição extensiva a conteúdos de moda e música demonstraram tendências similares --mas se manifestaram em números menores de tipos de distúrbios alimentares.
http://www1.folha.uol.com.br/tec/872077-jovens-propensos-a-disturbios-alimentares-usam-mais-facebook.shtml
Segundo o site redOrbit, o estudo avaliou basicamente os efeitos de dois fatores de distúrbios alimentares em jovens garotas: a exposição à mídia e a capacidade de resistência. Para o estudo, a universidade tomou como base um grupo de 248 garotas cujas idades variavam entre 12 e 19 anos (em uma média de 14,8 anos). Os pesquisadores pediram informações do que as meninas consumiam em internet e televisão, além de pedirem para que elas dessem um determinado número de programas que refletisse o modelo de corpo ideal.
As garotas também responderam a questionários que mediam a aproximação de cada uma delas com o emagrecimento, bulimia, satisfação (ou insatisfação) física, consumo de comida e a capacidade de tomar decisões. Os resultados indicaram que quanto mais tempo as garotas passam no Facebook, mais sofrem de distúrbios como bulimia, anorexia, insatisfação física, autoimagem negativa, rejeição à alimentação e dietas para perder peso.
A exposição extensiva a conteúdos de moda e música demonstraram tendências similares --mas se manifestaram em números menores de tipos de distúrbios alimentares.
http://www1.folha.uol.com.br/tec/872077-jovens-propensos-a-disturbios-alimentares-usam-mais-facebook.shtml
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
A fisgada da saudade
" Ela foi rápida, levantou a mão e perguntou.
"O senhor acredita em Deus?"
A pergunta me surpreendeu porque o assunto não era a existência de Deus, mas os descaminhos da educação. Mas logo compreendi. Ela não havia ido ali para aprender sobre escolas, professores e alunos. Ela trouxera sua dor pronta e a levava por onde quer que andasse. Não era pergunta de catecismo. Era coisa que lhe doía na carne e na alma, espinho nas vísceras. Pois não é quando a vida dói que balbuciamos o nome sagrado, pra ter esperança, pra que a vida doa menos? Quem pode dizer o nome sagrado, pra ter esperança, pra que a vida doa menos? Quem pode dizer o nome sagrado, acreditando, dorme sem sobressaltos.
Riobaldo sabia e dizia: "Como não ter Deus? Com Deus existindo, tudo dá esperança, o mundo se resolve. Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vai-vem, e a vida é burra. É o aberto perigo das grandes e pequenas horas... Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois, no fim, dá certo. Mas, se não tem Deus, então, a gente não tem licença para coisa nenhuma".
Saudade é um vazio que dói, presença da uma ausência, lugar onde o amor se aninhou, mas agora o ninho está vazio...Qual é a mãe que mais ama? A que arruma o quarto para o filho que vai chegar ou a que arruma para o filho que nunca vai chegar?
Ela me perguntava se eu "acreditava". Mas eu, como R.S.Thomas e o Chico, de Deus só tenho a nostalgia e a saudade.
Se eu tivesse me lembrado, eu simplesmente teria dito:"Não, eu não acredito em Deus. Concordo com o poeta: Alberto Caeiro diz que não acredita em Deus porque nunca o viu. Se ele quisesse que eu acreditasse nele, sem dúvida que viria falar comigo, e entraria pela minha porta a dentro dizendo-me: "Aqui estou". Pensar em Deus é desobedecer a Deus, porque Deus quis que não o conhecêssemos. Por isso se nos não mostrou."
Não, não acredito em Deus. O que eu tenho é aquela dor chamada saudade... A Adélia sabia e sofria: "Eh saudade! De quê, meu Deus? Não sei mais..."
Deus é essa fisgada sem nome que sinto no coração. Ela tem hora certa para aparecer: no crepúsculo. Verso de Browning: "A gente vai andando solidamente pela rua e, de repente, um pôr-de-sol... E estamos perdidos de novo"."Por causa dessa dor sem nome eu acendo meus altares com poesia e música para colocar beleza no abismo escuro..."
Não, não acredito em Deus. Mas sinto a fisgada...
(Texto de Rubem Alves, teólogo e psicanalista: http://www.releituras.com/rubemalves_bio.asp )
"O senhor acredita em Deus?"
A pergunta me surpreendeu porque o assunto não era a existência de Deus, mas os descaminhos da educação. Mas logo compreendi. Ela não havia ido ali para aprender sobre escolas, professores e alunos. Ela trouxera sua dor pronta e a levava por onde quer que andasse. Não era pergunta de catecismo. Era coisa que lhe doía na carne e na alma, espinho nas vísceras. Pois não é quando a vida dói que balbuciamos o nome sagrado, pra ter esperança, pra que a vida doa menos? Quem pode dizer o nome sagrado, pra ter esperança, pra que a vida doa menos? Quem pode dizer o nome sagrado, acreditando, dorme sem sobressaltos.
Riobaldo sabia e dizia: "Como não ter Deus? Com Deus existindo, tudo dá esperança, o mundo se resolve. Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vai-vem, e a vida é burra. É o aberto perigo das grandes e pequenas horas... Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois, no fim, dá certo. Mas, se não tem Deus, então, a gente não tem licença para coisa nenhuma".
Lembrei-me de R.S. Thomas, pastor e poeta numa pobre e rude comunidade rural da Irlanda. Pastor, devia saber. Porque não é pra isso que os fiéis vão à igreja, pra ouvirem do padre ou pastor que Ele existe? Mas ele de Deus só ouvia o silêncio: "Nenhuma palavra veio ao homem ajoelhado. Ele só ouviu a canção do vento. Ou o barulho seco de asas que não via, não eram anjos, eram morcegos no alto do forro da igreja. Ele não virá mais..." Nesse "Ele não virá mais..." estava toda a sua dor.
Agora, quando sinto a fisgada, busco o socorro dos poetas. Se eu tivesse me lembrado, minha resposta teria sido outra. Eu teria repetido as palavras do Chico:
"Oh, metade arrancada de mim... Leva o vulto teu,
Que a saudade é o revés de um parto, a saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu..."
Saudade é um vazio que dói, presença da uma ausência, lugar onde o amor se aninhou, mas agora o ninho está vazio...Qual é a mãe que mais ama? A que arruma o quarto para o filho que vai chegar ou a que arruma para o filho que nunca vai chegar?
Ela me perguntava se eu "acreditava". Mas eu, como R.S.Thomas e o Chico, de Deus só tenho a nostalgia e a saudade.
Se eu tivesse me lembrado, eu simplesmente teria dito:"Não, eu não acredito em Deus. Concordo com o poeta: Alberto Caeiro diz que não acredita em Deus porque nunca o viu. Se ele quisesse que eu acreditasse nele, sem dúvida que viria falar comigo, e entraria pela minha porta a dentro dizendo-me: "Aqui estou". Pensar em Deus é desobedecer a Deus, porque Deus quis que não o conhecêssemos. Por isso se nos não mostrou."
Não, não acredito em Deus. O que eu tenho é aquela dor chamada saudade... A Adélia sabia e sofria: "Eh saudade! De quê, meu Deus? Não sei mais..."
Deus é essa fisgada sem nome que sinto no coração. Ela tem hora certa para aparecer: no crepúsculo. Verso de Browning: "A gente vai andando solidamente pela rua e, de repente, um pôr-de-sol... E estamos perdidos de novo"."Por causa dessa dor sem nome eu acendo meus altares com poesia e música para colocar beleza no abismo escuro..."
Não, não acredito em Deus. Mas sinto a fisgada...
(Texto de Rubem Alves, teólogo e psicanalista: http://www.releituras.com/rubemalves_bio.asp )
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
O eletrochoque
A mesma necessidade que faz com que alguns homens criem deuses para amar (e neles projetar esperanças), faz com que também criem demônios para odiar (e depositar culpas). O grande demônio da psiquiatria é o“eletrochoque”, nome infeliz, pois induz ao erro. Prefiro o termo “eletroconvulsoterapia” (ECT), que significa tratamento (terapia) decorrente de convulsão induzida por choque elétrico.
Quando um computador começa a funcionar mal, de maneira errática, abrindo janelas indevidas, não respondendo adequadamente aos comandos, aprendemos, pela prática, que algo útil pode ser “dar um boot”; desligar tudo e reinicializar seu funcionamento do zero. Isso resolve muitas vezes. Quando o sistema de condução dos impulsos elétricos do coração falha, podem surgir arritmias (como a fibrilação), e uma descarga elétrica (um choque), aplicado com precisão, reverte o quadro, salvando a vida do paciente. Isso acontece com tanta freqüência na prática, que se discutem leis sobre a necessidade da presença de desfibriladores em lugares públicos. O cérebro é um órgão de funcionamento essencialmente elétrico, algo de seu funcionamento é avaliado pelo famoso exame de eletroencefalografia. Atividade elétrica externa pode interferir, e em alguns casos, melhorar, seu funcionamento. No passado, médicos perceberam que doentes mentais, às vezes melhoravam de sintomas de depressão e psicose após apresentar uma crise epilética (convulsiva), que pode, de maneira controlada vir a ser induzida por um choque elétrico, base do tratamento de ECT.
Fui apresentado à técnica pelo prof. Sérgio Paulo Rigonatti, diretor do serviço de ECT do Instituto de Psiquiatria do HC, quando eu ainda era estudante. Testemunhei a melhora dramática que proporcionava a pacientes graves. Com o passar dos anos, quando me deparava com pacientes com indicação para este tratamento, continuei encaminhando-os para o HC. Tive vários pacientes que, me procuravam em recaídas e pediam novas aplicações de ECT, dizendo algo como “estou piorando, doutor, preciso de novas aplicações de choque”.
Apenas o medo, a ignorância, ou o preconceito falam contra o ECT. Essa técnica está caindo em desuso por questões político-ideológicas, e não técnicas. Além de ir contra os interesses da indústria farmacêutica, muitos intelectuais de esquerda sofreram choques aplicados como tortura durante o regime militar em delegacias. José Genoíno, Dilma Roussef e vários formadores de opinião tiveram esta triste experiência no passado. Mas parece que lhes falta inteligência para distinguir tortura de tratamento.
Na Folha de ontem:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd0202201101.htm
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Provas da existência de Deus: 8
Argumento do teólogo Richard Swinburne, da Universidade de Oxford: Sobre o desvendar do mistério da necessidade do sofrimento.
"Nosso sofrimento nos dá a oportunidade de mostrar coragem e paciência. Ele dá oportunidade ao próximo de demonstrar por nós solidariedade e aliviar nossa dor. Embora o bom Deus lamente nosso sofrimento, sua maior preocupação é certamente que cada um de nós mostre paciência, solidariedade e generosidade e, assim, forme um caráter sagrado. Algumas pessoas precisam muito ficar doentes para o seu próprio bem, e algumas pessoas precisam muito ficar doentes para proporcionar escolhas importantes para outras. Só assim algumas pessoas são encorajadas a fazer escolhas graves sobre o tipo de pessoa que serão. Para outros, a doença não é assim tão útil."
Para conhecer mais maravilhas do pensamento do ilustre teólogo, consulte sua obras:
Is there a God (1996) e The existence of God (2004); Oxford: Oxford University Press
Para conhecer mais maravilhas do pensamento do ilustre teólogo, consulte sua obras:
Is there a God (1996) e The existence of God (2004); Oxford: Oxford University Press
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