sábado, 3 de agosto de 2013

O Umbigo de Adão


O Arcebispo James Ussher, profundo estudioso da Bíblia, concluiu que Deus criou o mundo às 16:00 horas do dia 24 de outubro de 2004, antes de Cristo. Portanto, segundo as sagradas escrituras, a terra existe a cerca de 4 mil anos.
Conforme se lê no Livro de Josué (10:12-14): "O Sol parou no meio do céu e não apressou a pôr-se por quase um dia inteiro, até que o povo massacrasse seus inimigos, porque, piedoso, o Senhor combatia por Israel. E não houve dia semelhante a esse, nem antes, nem depois"
Arqueólogos e paleontólogos debruçaram-se sobre o enigma do umbigo de Adão e chegaram a conclusões surpreendentes. No mundo que  vivemos hoje, dominado pela descrença e desconsideração a Deus, ameaçado pela ciência que nega as palavras de Dele, afirmando blasfêmias como a teoria da evolução, dizendo que o homem descende de macacos, que a Terra é redonda, gira em volta do Sol, que o Universo surgiu de um "Big-bang", as pessoas ficam confusas. O livro sagrado tem sido ignorado. Há muito tempo, Deus, em sua infinita sabedoria, fica em dúvida sobre a lealdade dos homens. Em uma passagem famosa, precisou testar a fé de Abraão, ordenando que matasse seu único filho, Isaac. Abraão não vacilou, e quando desferia o golpe, foi detido pelo anjo do Senhor, que segurou sua mão com a faca assassina (episódio retratado acima por Caravaggio). Como a sabedoria de Deus não permite que Ele conheça a verdadeira devoção dos homens, precisa testá-los constantemente, como fez com Abraão. Assim, com esse mesmo propósito, Deus escondeu nas entranhas da Terra, restos falsos de animais que nunca existiram (dinossauros), de um tempo que nunca existiu, para testar a fé dos homens em suas palavras, registradas no livro sagrado. Quer dizer, ossos de dinossauro são uma farsa premeditada por Deus, fazendo parte de seu maravilhoso plano. O umbigo de Adão, embora desnecessário, é uma farsa semelhante. Maravilhosos são os mistérios de Deus.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Vida após a Morte

 
 


Não temo a morte. Estive morto por bilhões de anos antes de nascer, e não sofri nada por isso. O problema do conceito da vida após a morte é que tendemos a reduzir o valor que damos à vida no aqui e agora. Eu tenho um sentido de urgência em viver, que perde o sentido diante da vida eterna. Não quero que as pessoas chorem a minha morte, quando ela chegar; quero que celebrem a minha vida, enquanto existiu. Pois a vida é bela, frágil, fantástica e preciosa. E finita. A felicidade é o único bem. O tempo de ser feliz é agora.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

A dieta dos dois dias

 
 

Ela chegou com tudo, está na moda e funciona mesmo. Você, que é inteligente e moderno, perca peso sem esforço, sem prejuízos à saúde. É muito simples, qualquer anta estúpida pode fazer. Escolha dois dias da semana para fazer jejum, nos outros cinco, pode comer à vontade. É uma dieta revolucionária. Com ela, você será um gordo infeliz apenas durante dois dias da semana. Em compensação, nos outros cinco dias, você será um gordo feliz e comilão. Que beleza! É melhor ser um gordo alegre por 5 dias do que um gordo triste a semana inteira.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Manifestações: O Primeiro Morto


É muito oportuno rever o filme Guerra dos Mundos, com Tom Cruise (2005), baseado no livro de H. G. Wells. O que ele me apresentou de mais apavorante, não foram os monstros extraterrestres, mas sim o comportamento desorganizado da multidão diante da falência das instituições, da ordem, do poder público constituído. Um cenário no qual uma pessoa mata outra pela posse de um carro, ou por um pão, sem medo de ser responsabilizada ou punida, pois o caos está instalado. Acuado pelo medo, um indivíduo até então "normal", avança o carro sobre manifestantes "pacíficos", provavelmente não porque deseja matá-los, mas sim porque não deseja morrer. Para quem acha que a polícia foi violenta, temos agora o primeiro morto nas manifestações, o estudante Marcos Delefrate de apenas 18 anos. Ele foi morto pela "pacífica" baderna, não pela "violenta" polícia.

 

domingo, 26 de maio de 2013

O Tiunfo da Morte : Pieter Brueguel

 
 
Obra inspirada pela precária condição humana, diante do inevitável desfecho, no século XVI.
Detalhes:


 

domingo, 19 de maio de 2013

Chico Buarque: Trocando em Miúdos (1978)



No Brasil, até o ano de 1977, quando foi legalizado o divórcio, as separações conjugais constituíam, no máximo em "desquite", que permitia a separação dos corpos, mantendo o vínculo matrimonial, conforme determinação da Santa Igreja, desde os tempos do Império no Brasil. Ou seja, há apenas uma geração, os casais eram regidos por leis inspiradas na religião dos tempos de D. João VI e D. Pedro I.  

Alguém se lembra do "É o Tchan"? E você, chegou também a cantar "...delícia! delícia! Assim você me mata! Ai, se eu te pego, ai, ai...", do Michel Teló? Essas porcarias proliferam como uma praga, e se propagam como uma epidemia de sarampo, com a mesma velocidade. Modismos que desaparecem tão rápido como surgiram, no esquecimento absoluto. Puro lixo consumido por retardados.
Muito diferente do que me lembro dos anos 70, quando esperávamos ansiosos pelos novos discos do Chico Buarque, com composições maravilhosas, que por gerações, ao contrário de Teló, continuarão sendo lembradas. Eram letras elegantes, simples e inteligentes, sofisticadas.
Talvez comemorando os avanços legais referentes ao divórcio, em 1978 Chico compôs "Trocando em miúdos", música na qual descreve as dores de uma separação, mas sem ar de tragédia como no passado, e sim como um acontecimento triste, a ser superado, conforme a mentalidade de então. Acontece que os censores da época, enxergavam códigos subversivos secretos em toda parte, e a música faz menção a um livro de Pablo Neruda: "Devolva o Neruda que você me tomou, e nunca leu". Para quem não sabe, Neruda era poeta e diplomata chileno, comunista histórico; abriu mão da candidatura à presidência de seu país em favor de Salvador Allende, que após eleito, foi deposto e morto por Pinochet (o  homem mais injustiçado do século). O fato é, que essa simples menção a Neruda foi o suficiente para a censura proibir a canção. Ao tomar conhecimento do motivo estúpido da proibição, Chico argumentou com os censores que não havia risco nenhum de subversão, pois, conforme a própria música afirma, ela levou o livro, mas não leu. Para nossa alegria, a música foi então liberada.

sábado, 4 de maio de 2013

O Câncer é a tristeza das células



Pequenos trechos foram apresentados, mas nada se compara à declamação, na íntegra, pelo autor, ninguém menos que Vinícius de Moraes. Para quem tiver 12 minutos (e não for um idiota), uma experiência maravilhosa, sobre a vida e o medo de predê-la.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Confissões


De repente, uma imensa necessidade de me confessar. Não de obter perdão, estranhas que me são as idéias de deus ou pecado. Para mim pecado é sinônimo de afrodisíaco. Abro mão da justiça divina, em troca da realidade. Sou médico, não acredito em deus, acredito no Rivotril, por isso o prescrevo, ao invés de sugerir orações.
Hoje, preciso me confessar. Acho que já distribuí uma boa dose de amargura pela vida, e a todos a quem causei dor, a quem menti, enganei ou trai; gostaria que soubessem que o sofrimento que causei, com certeza não era minha intenção original, apenas um efeito colateral do fato de que, sendo humano, sou também fraco, imperfeito, inseguro, repleto de desejos indecentes, de controle precário. Deixo muito a desejar, principalmente para quem tem mania de felicidade; para quem presta atenção nas conversas de Ana Maria Braga com o Louro José.
No moderno confessionário (o consultório), muitos me procuram com a queixa de uma "falta de sentido na vida", sinal de inteligência e angústia, que compartilho. Sei bem qual é esse sabor. Não acho que isso seja um problema em si. Eu também não vejo sentido na vida, em deus ou na ciência. Idiotas adoram ídolos de gesso e idéias mitológicas (religiosas) infantis. Não entram em contato com o pavor do abismo e do vazio. Nas minhas noites de insônia e desalento, descobri que só consigo sentir sentido na arte, na beleza (que desesperadamente procuro) e na poesia (que me acalenta), é isso que tento levar a meus pacientes. É importante continuar de pé, mesmo sabendo-se finito, injusto, egoísta, mesquinho e covarde. Meus pacientes estão livres da tirania da felicidade. Santo Agostinho, me perdoe.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Amor aos animais

As melhor descrição de amor aos animais que ouvi... 

 


 De um paciente: "Não acredito em Deus, Paraíso, ou vida eterna. Pudesse eu escolher uma companhia para passar a eternidade, após a morte, não seria qualquer parente ou amigo (embora eles tenham sido ótimos). Seria meu cãozinho, que já morreu há vários anos, e que ainda me faz falta todos os dias. Uma falta sem fim. Com ele eu passaria a vida eterna".
Me lembrou uma palestra de Renato Zamora Flores na qual ele expressou descrença pelas religiões argumentando algo assim: "Como posso acreditar que tenho uma alma, que viverá eternamente, e meus animais, não a têem? Como posso imaginar um Paraíso sem os bichos que amei? Para mim, o Paraíso seria reencontrar os animais que perdi, e viver para sempre com eles!"

domingo, 17 de março de 2013

Habemus Papam

 
Meu sono foi restaurado!
A humanidade é fraca. Como disse o apóstolo Paulo, vemos o mundo obscuramente, como se através de um espelho embaçado. Erramos, nos desviamos do certo, raciocinamos de uma maneira precária. Vivemos imersos no pecado, na impureza e na infâmia. Precisamos de ajuda, foi por isso que Deus nos enviou sua Igreja, seus profetas, os Santos, o Papa e o sacerdócio....  para nos orientar, porque nossos próprios recursos são falíveis e inadequados. Seja bem-vindo, Papa Francisco, seu rebanho, em júbilo o acolhe, em sua infalível humildade.

quarta-feira, 6 de março de 2013

A morte de Hugo Chávez


Consternado, acompanho com tristeza os sentimentos de nossa grande líder, Dilma Roussef, que lamenta a morte desse outro grande líder, Hugo Chávez. Faço minhas as palavras de Dilma:  "Hoje lamentavelmente, infelizmente e com tristeza digo para vocês que morreu um grande latino-americano: o presidente da Venezuela Hugo Chávez. Deixa ele um vazio insubstituível na história das Américas. Comprometido com o desenvolvimento da América Latina, permanecerá sendo uma eterna referência a todo o povo americano."
Sem dúvida, um líder gigante. Idealizador do projeto bolivariano, invejável modelo de independência e progresso social e econômico (o moderno socialismo do século XXI), anti-imperialista por natureza, injustamente acusado de cubanizar seu país pelos neoliberais de plantão. Neste exato momento, outros líderes gigantes, como Evo Morales (da Bolívia), Rafael Correa (do Equador) e Cristina Kirchner (Argentina) dirigem-se para a Venezuela, afim de participar dos cortejos fúnebres. Consternado, Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã, envia representantes e lamenta a morte de seu maior aliado no Ocidente.
O governo Venezuelano expulsou dois adidos aeronáuticos da embaixada dos Estados Unidos, Deblin Costal e David Delmonico. Suspeita-se que ambos estejam envolvidos com o macabro método, já denunciado por Chávez de, através de técnicas desconhecidas, inocular câncer em líderes latino-americanos comprometidos com projetos sociais bolivarianos humanista-cristãos de esquerda. A maldade dos norte-americanos imperialistas desconhece limites. Lula, suposta vítima do plano americano, conseguiu se salvar do câncer de laringe. Mas nem a medicina cubana, a mais avançada do mundo, conseguiu salvar Chávez (ele foi sábio em recusar o convite brasileiro de se tratar no hospital Sírio-Libanês, um hospital repleto de espiões capitalistas). Outras vítimas de inoculação de câncer teriam sido Fernando Lugo (do Paraguai), Cristina Kirchner (tumor em tireóide) e a própria Dilma, antes da posse. Hugo Chávez, além de grande líder agora é também um mártir.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Augusto dos Anjos: Versos Íntimos


Augusto dos Anjos. Nele, tudo é angústia: "Não existe mulher capaz de me amar", teria afirmado. Um dos poetas mais críticos e sombrios de seu tempo. Com o mestre Arthur Schopenhauer (abaixo), teria aprendido que a única saída para o homem seria a total aniquilação de seu desejo. Segundo Schopenheuer, todo sofrimento deriva do desejo. Eliminar o desejo, elimina o sofrimento. Parece que Augusto dos Anjos aprendeu bem a lição. A existência como tragédia, do nascimento à morte. Melancolia plena. Acho que a cara de seu mestre, de alguma forma influenciou sua triste posição diante da vida.
Versos Íntimos


Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
(Augusto dos Anjos)
Especialmente dedicado a Samir Arida, médico, ator, doutor da alegria, meu grande e querido amigo, com o qual descobri o amor pela poesia.
 

sexta-feira, 1 de março de 2013

Yoani Sánchez, Cuba e as fezes de Jesus


Só um maluco, se pudesse escolher um país onde nascer, preferiria Cuba aos EUA. Como estudioso do comportamento humano, estou me deliciando com as discussões a respeito da visita da blogueira cubana, Yoani Sánchez, ao Brasil. Legiões de idiotas fazem apologia ao regime mais ditatorial e infeliz das Américas. Apaixonadas discussões em jornais, revistas, programas de entrevistas, sempre rodeando o tema do suposto paraíso cubano, parecendo mais discussões de torcidas infantis de futebol de várzea, me fizeram lembrar de antigas discussões ocorridas na Idade Média, sobre temas ligados à santidade. Parece conversa de louco, coisa que eu adoro.
Naqueles tempos, muito se discutia sobre a humildade de Jesus, se ele possuía ou não as roupas que vestia, aqueles trapos, supostamente poderiam ser interpretadas como sinal de riqueza material, incompatível com seu amor pela pobreza. Pessoas eram queimadas vivas em fogueiras, caso discordassem da opinião das autoridades do momento. Tentava-se calcular quantas gotas de sangue teriam vertido durante seu martírio. Outro problema era relativo às fezes de Jesus. Uma vez que o filho do Homem habitava um corpo físico como os outros, discutia-se muito se suas fezes também federiam como as dos demais, ou se teriam um odor agradável, talvez floral, derivado de sua santidade. O que hoje parece inútil ou idiotice, ocupou as mentes mais privilegiadas da época, durante gerações sucessivas, em discussões teológicas infindáveis, que não chegavam a conclusão nenhuma, e para as quais ninguém mais liga...
Eu consigo imaginar um futuro no qual as acaloradas discussões de hoje sobre o fato de Cuba ser ou não um país maravilhoso, com um povo feliz ou não, serão lembradas como os exemplos medievais que citei; ou seja, discussões bizarras, inúteis, improdutivas e que, revelam muito mais a respeito da personalidade de quem argumenta do que sobre os fatos objetivos em si. Discussão entre lunáticos. Prato cheio para um psiquiatra.
 

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Uma Vênus moderna


Vou continuar neste assunto, que para mim tem sido mais interessante do que a renúncia do Papa. Mulheres bonitas são algo que os homens tem no pensamento o tempo todo, por isso lembrei das diversas deusas citadas, cada uma de um período diferente. Minha Vênus é a mesma de Jorge Amado: a eterna Gabriela, Sônia Braga. Uma mulher simples, franca, de sensualidade espontânea, sem necessidade de qualquer produção. Autenticidade pura. Sem frescura ou pretensa sofisticação. Que dispensa cremes, loções, tintas, roupas caras, usando apenas uma flor no lugar de jóias de valor. Uma mulher que acorda linda pela manhã. Porque quem precisa de produção para despertar a atenção dos homens, são os travestis que seduzem bêbados perdidos na madrugada da avenida Indianópolis.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

O Nascimento de Vênus- Sandro Botticelli


Pintura de Sandro Botticelli, do século XV, exposta em Florença. Época interessante na qual o interesse por Santos em martírios começava a mudar para mulheres nuas, pelo menos nas pinturas. Algumas pessoas mantém seus pensamentos em pureza e santidade até hoje, conheço vários casos; são doentes, claro, mas continuam sendo casos.
Representa a deusa do amor, que teóricamente deveria ser linda. Eu acho essa Vênus meio feinha, apesar de me parecer um avanço com relação às já citadas Vênus de Willendorf e de Milus. Nos dias de hoje, a mulher abaixo, a meu ver se aproxima mais de uma deusa nascendo do desejo masculino. Com toda a certeza a beleza está nos olhos de quem a vê, e não no objeto em si. Desculpem-me por chamar a mulher de objeto, mas na verdade os homens adoram pensar assim. Não acreditem nos que dizem o contrário, eles aprenderam que é mais fácil dizer o que as mulheres preferem ouvir... mentiras.

 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Vênus de Milo


Descoberta em 1820, atualmente no Louvre. Possívelmente dos séculos V ou IV aC. Mais moderna, já mostra sinais de emagrecimento em relação à Vênus anterior.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Vênus de Willendorf



Repousou por 24mil anos, até ser descoberta por um arqueólogo em 1908, atualmente no Museu de História Natural de Viena. Faz muito tempo que os homens pensam na mesma coisa.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A renúncia do Papa


Sinal de incompetência, desinteresse ou simplesmente cansaço em representar uma figura anacrônica, um símbolo, no qual ninguém, nem mesmo ele, acredita? Não importa. O grande João Paulo II deixou um legado (político) magnífico, pôs abaixo o muro de Berlim e as ditaduras mais hipócritas da humanidade. Ratzinger pode ser um grande intelectual, mas sua ortodoxia está distante da realidade de um mundo que não acredita em nada do que ele prega. Catolicismo é religião de país pobre e de gente ignorante, não tão ignorante ao ponto de ser crente, mas alfabetizados ao ponto de serem espíritas ou protestantes (idiotas de outro tipo). O rebanho católico usa camisinha, usa anticoncepcional com alegria, faz muito sexo antes do casamento, trai seus parceiros sem culpa, separam-se quando querem, casam várias vezes, aceitam e respeitam os gays. E não estão nem aí para a infalibilidade papal. Sem contar a repugnância que ele insiste em gerar ao proteger seus amiguinhos pedófilos. Sua renúncia indica que seu papado foi derrotado pela História. A alegria de viver e a luz venceram o medo do escuro, do castigo, do pecado medievais.


Mas, cá entre nós... esse raio caindo sobre a basílica após a notícia da renúncia não parece a fúria de Deus... vai saber como Ele pretende se vingar de tamanha humilhação... Vou me cuidar enquanto é tempo.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A Tragédia de Santa Maria

 
 

A tragédia de Santa Maria, com a morte desnecessária de tantos jovens e de tantos sonhos, nos enchem de perplexidade e tristeza. Transcrevo abaixo o discurso do governador Keating, de Oklahoma, durante um funeral, após o atentado terrorista que matou mais de 200 pessoas. Sua fala, adequada neste triste momento, mostra como não existe medicação com o poder de uma palavra reparadora, seja a palavra carinhosa de uma mãe, o encorajamento de um pai, a sensatez de um líder religioso, o comentário apoiador de um terapeuta.

“Hoje sofremos juntos perante o mundo e perante o nosso Deus, nossos corações e nossas mãos unidos em uma solidariedade que estes criminosos nunca poderão entender. Permanecemos juntos no amor.
Por meio de tudo isto, através das lágrimas, da raiva justa, da tristeza que despedaça nossas almas, da preda incomensurável, algumas vezes nos sentimos sós. Mas nunca estamos verdadeiramente sozinhos. Temos Deus e temos uns aos outros.
Hoje temos nossos heróis e nossas heroínas, santos em cinza e azul, e brancos e cáquis-os que resgataram e os que curaram. Eles trabalharam longa e nobremente e choraram conosco.
E hoje temos nosso Deus. Ele não é um Deus da vossa religião ou da minha, mas de todas as pessoas em todos os tempos.Ele é um Deus de amor, mas também de justiça. Hoje, Ele nos assegura mais uma vez, de que o bem é mais forte que o mal, que o amor é maior do que o ódio. Os milhares de nós juntos aqui hoje, somos multiplicados pelo amor de Deus, ungidos por sua suave clemência. Hoje estamos com Ele e uns com os outros.
É certo que choremos. Fomos todos tocados por essa imensa tragédia. E nossa tristeza é parte do processo de cura. Para alguns de nós, abatidos por intensa perda pessoal, será um longo e torturante caminho. Para todos nós é uma jornada através da escuridão. Mas a escuridão acaba na luz da manhã. Esta é a promessa de Deus e é nossa esperança.
Existe uma linda parábola de um homem que olhou para trás em sua vida e viu-a como uma série interminável de pegadas na areia. Às vezes, havia dois pares de pegadas lado a lado. E ele recordava aqueles tempos como tempos felizes. Outras vezes havia apenas um par de pegadas-tempos de tristeza e de dor. Ele confrontou Deus e perguntou-Lhe porque Ele tinha parado de andar ao seu lado quando ele mais precisava de Seu apoio. Porque, ele se perguntava, Deus o abandonara? E Deus respondeu: “Mas, meu filho, aqueles foram os tempos que eu o estava carregando”.
Ele nos carrega hoje, gentilmente aconchegados em seus braços carinhosos” 
(Extraído do New York Times; 26/04/1995)


 "O Senhor o deu, o Senhor o levou; louvado seja o nome do Senhor " (Jó; 1,21)