quinta-feira, 31 de março de 2011

Suicidas ilustres 17: Cibele Dorsa e Gilberto Scarpa

Algo de muito estranho me acontece sempre que folheio a revista “Caras”. É tanta gente bonita, elegante, bem-vestida; todos sorrindo aparentemente muito felizes em carros de luxo, barcos, castelos. Parecem eternamente em férias. Eu aqui trabalhando duro, não tenho aquele sorriso fácil, as coisas ao meu redor parecem pobres, feias, fracas, talvez eu seja inadequado à vida. Recentemente a revista Caras foi judicialmente proibida de publicar a carta na qual a ex-capa da Playboy, Cibele Dorsa, anunciava seu suicídio. Aos 36 anos ela se matou atirando-se do sétimo andar, dois meses após seu namorado, Gilberto Scarpa, 27 anos, sobrinho de Chiquinho Scarpa, também ter se matado da mesma forma, alegando ter “perdido a batalha para as drogas”. Pessoas jovens, bonitas, famosas... Ninguém falava nada de drogas, ou que suas vidas estivessem difíceis na revista. Cibele deixa uma filha de 10 anos, Viviane, que está com o pai, Doda Miranda, Atualmente casado com Athina Onassis, neta e única descendente viva do legendário armador grego, Aristóteles Onassis, herdeira de uma fortuna de 30 bilhões de dólares, possivelmente a mulher mais rica do mundo. Esse casal comprou por 8,6 milhões de dólares um luxuoso duplex em São Paulo, com 16 vagas na garagem e vista para o parque do Ibirapuera. Nesse lindo apartamento ela jamais contemplará aquela bela vista ao lado da mãe.  

sexta-feira, 25 de março de 2011

Freud finalmente psicografado.

Foto tirada durante noite de autógrafos, no lançamento da biografia psicografada (embora não autorizada) de Sigmund Freud. Como se pode ver, o espírito do grande mestre se materializou em meio a ofuscantes névoas de ectoplasma, claramente observáveis ao redor de sua barba, atestando a veracidade deste importante documento (clique na foto para ver os impressionantes detalhes). Infelizmente nem todos estão prontos para aceitar o fato científico de que a morte não existe. Estudem, evoluam, Leiam Kardec.

O suicídio do Psiquiatra

“Meu último psiquiatra se matou”. Esta singela resposta recebi ao perguntar a um novo paciente porque ele me procurou. Sempre ouvi dizer que médicos desse tipo são estranhos. Preconceito? Não, acho que é verdade. E é bom que assim seja. Afinal alguém que se propõe a passar a vida inteira ouvindo loucos deve ser louco também. Há alguns anos, trabalhando em um hospital psiquiátrico enorme, tipo manicômio mesmo, desses que a gente hoje em dia sente falta, com mais de 500 internos, certa vez o jardineiro não quis me deixar sair, pensou que eu fosse um paciente fugindo. Meu único diferencial era ter a chave da porta. Sabe lá o que é passar a noite fechado numa fortaleza com um exército de doentes mentais insones, ás vezes hostis, alucinando, gemendo, chamando pelo demo? Desde criança eu gostava de filmes de medo, mas isto é muuuito pior.
Qualquer pessoa normal sente algum tipo de “contágio”, ou “ressonância” nos sentimentos dos outros. Por exemplo, ao conversar com alguém triste, algo desta tristeza ecoa dentro de nós. A risada, o humor são contagiantes. A loucura também. Ao conversar com alguém muito perturbado sente-se um estranho desconforto de descobrir, dentro de nós mesmos, que não somos tão diferentes, ou melhor, “saudáveis”, como imaginávamos.
Hoje me dei ao trabalho de perguntar ao Dr. Google algo sobre o tão falado “Transtorno Afetivo Bipolar”, recebi 55.000 respostas em português e nada menos que 16.800.000 em inglês. A coisa mais fácil do mundo é responder um desses questionários on-line e concluir que se é bipolar... Afinal, quem é que não passa por oscilações de humor?
O que caracteriza o psiquiatra e o diferencia do questionário é que ele, assim se espera, conhece a face do demônio, já falou com ele, fez um pequeno estágio no inferno, conseguiu escapar, e de lá voltou para nos contar como é. Bem como resgatar aqueles que afundam e acham que não conseguirão voltar. É desejável que ele conheça o que é depressão, dependência química, euforia e outras coisas, e que conheça também o caminho de volta para o resgate (cura) de seu paciente.
Por tudo isso, se seu psiquiatra for um pouco estranho, não se preocupe, é um ótimo ponto de partida.

quinta-feira, 24 de março de 2011

O psiquiatra em visita a seu paciente...

Mais da metade dos bipolares não recebe tratamento

Transtorno já atinge 2,4% da população mundial, indica mapeamento feito em 11 países, Brasil incluído.Problema mental é mais incapacitante que doença de Alzheimer e câncer, alertam os autores do trabalho.
Mapeamento mundial sobre transtorno bipolar mostra que menos da metade dos doentes recebe tratamento. A pesquisa avaliou mais de 60 mil pessoas em 11 países como Brasil, EUA e China, das quais 2,4% apresentavam o transtorno. O resultado foi publicado no "Archives of General Psychiatry".
Os pesquisadores escolheram amostras aleatórias em suas regiões e fizeram entrevistas com base em critérios da Organização Mundial da Saúde para o diagnóstico. O transtorno bipolar é caracterizado por oscilações de humor entre euforia (ou mania) e depressão. Pode causar irritabilidade, agressividade e ideias suicidas.
Apesar da gravidade dos sintomas, só 42,7% das pessoas diagnosticadas no mapeamento estavam sendo tratadas por um especialista. No grupo de países que incluía o Brasil, esse índice era ainda menor: 33,9%. "A pessoa não tem acesso ao sistema de saúde, ou acha que os sintomas são resultado do uso de drogas", diz a psiquiatra Laura Helena de Andrade, coordenadora de epidemiologia do Instituto de Psiquiatria da USP e responsável pela coleta de dados na Grande São Paulo. Segundo ela, é comum um bipolar receber diagnóstico de depressão, porque a manifestação de euforia pode ser mais leve. "E é muito mais comum a pessoa só ir buscar tratar a depressão, porque ela incomoda mais. Mas, se o médico ministrar antidepressivos, pode desencadear episódios de mania, com aumento da irritabilidade", diz.
Segundo o estudo, esse transtorno é mais incapacitante do que cada um dos tipos de câncer, e mais até que Alzheimer. Bipolares sofrem por mais anos com os prejuízos do transtorno, em comparação aos outros doentes. O dado foi extraído de um relatório da OMS segundo o qual a bipolaridade representa 0,9% das doenças incapacitantes, logo à frente do Alzheimer, com 0,8%.
"A pessoa já começa a ter problemas na adolescência ou no começo da vida adulta e, ao longo do tempo, vai perdendo habilidades como capacidade de raciocínio, memória e concentração", diz o psiquiatra Ricardo Moreno, que coordena o programa de transtornos afetivos do Instituto de Psiquiatria.
O psiquiatra Eduardo Tischer, da Unifesp, acrescenta: "A doença é crônica, e leva meses para que o paciente consiga se restabelecer. Enquanto isso, ele sofre prejuízos no trabalho e suas relações familiares pioram". O não tratamento só piora os sintomas. "A pessoa tem mais chances de recorrer a drogas, álcool e de cometer suicídio", afirma Tischer.

GUILHERME GENESTRETI, na Folha, ontem:  http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd2303201102.htm

terça-feira, 15 de março de 2011

Ahmadinejad e os homossexuais- 2

Não consigo deixar de comentar. Me lembrou que há mais de um ano, escrevi sobre a postura do presidente do Irã com relação aos homossexuais. Em entrevista à Folha, publicada ontem, Ali Akbar Javanfekr, 51 anos, chefe de imprensa do governo do Irã, bacharelado em mídia, com mestrado em administração, coordenador de comunicação do governo iraniano, conselheiro sênior e representante do presidente Mahmud Ahmadinejad, disse que a distribuição de 90 milhões de preservativos pelo governo brasileiro no carnaval foi algo “muito feio”e “contrário à saúde da humanidade”. Será possível que ele acredite nas próprias palavras? Se ele é capaz de declarar isso em público, imagino do que seria capaz na intimidade. Vale a pena ler esse trecho da entrevista...


Folha:É verdade, como diz o presidente Ahmadinejad, que não há gays no Irã?
Akbar:Não temos.
Folha:É o único país do mundo que não tem gay?
Akbar:Na República Islâmica do Irã, não há.
Folha:Se houver, há punições?
Akbar: Nossa visão sobre esse tema é diferente da de vocês. É um ato feio, que nenhuma das religiões divinas aceita. Temos a responsabilidade humana, até divina, de não aceitar esse tipo de comportamento. Existe uma ameaça sobre a saúde da humanidade. A Aids, por exemplo. Uma das raízes é esse tipo de relacionamento.
Folha: A Aids é uma punição divina aos gays?
Akbar: Não creio nisso. Mas vi que no Carnaval [do Brasil] foram distribuídos 90 milhões de preservativos, e isso é muito feio. Não é a favor da saúde da humanidade.

Na íntegra:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1403201123.htm

sexta-feira, 11 de março de 2011

Suicidas ilustres 15: Salvador Allende

Médico, político e estadista chileno. Postumamente agraciado com o invejado Prêmio Lênin da Paz. Iniciou sua militância política na Universidade do Chile em 1926. Foi o primeiro e único presidente marxista eleito na América Latina, em 1970, pela Frente Popular, um partido que reunia todo o tipo de pensadores esdrúxulos e estranhos, como comunistas, socialistas, radicais islâmicos, e outros típicos fracassados. Tentava representar o proletariado, a baixa classe média urbana, os trabalhadores agrícolas, com promessas irrealizáveis, características das utopias esquerdistas, em moda no então meio acadêmico. Seu programa de socialização da economia, reforma agrária e nacionalização das industrias, bancos e minas de cobre, com um estado cada vez mais a controlador, causou pânico na classe média, nos trabalhadores acostumados à recompensa pelo mérito, e não pela filiação partidária (os petistas que me perdoem).
A fragilização da economia, com inflação, desemprego, desabastecimento de produtos básicos, levaram o povo revoltado às ruas, exigindo o fechamento do Congresso Nacional. No histórico 11 de setembro de 1973, o general Pinochet, um homem injustiçado pela história, pôs fim à bagunça no Chile, com um golpe militar que restaurou a ordem no país. De terno, gravata, capacete na cabeça e metralhadora nas mãos, Allende comandou pessoalmente a resistência ao golpe. Acuado no palácio de La Moneda, em Santiago, cercado por tropas, tanques e sob intenso bombardeio aéreo rebelde, suicidou-se com um tiro na cabeça. Para diversão de alguns, dizem ter usado uma pistola que teria sido presente de Fidel Castro.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Psicoterapeuta fica nua para clientes


A pisicoterapeuta americana Sarah White diz ter encontrado uma maneira bastante insólita para fazer com que seus pacientes se abram com mais facilidade no divã. Sarah tira a roupa, em uma prática que ela batizou de "terapia nua".
Ela cobra US$ 150 pela primeira sessão, feita pela internet. Depois de estabelecer um contato inicial com o paciente, passa a recebê-lo pessoalmente em seu consultório em Nova York. As consultas feitas ao vivo são mais caras: segundo reportagem publicada no diário eletrônico "The Daily", cada encontro com Sarah sai por US$ 450.
Será que a moda pega?

http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2011/02/787781-terapeuta+tira+roupa+para+deixar+paciente+tranquilo.html

quarta-feira, 2 de março de 2011

Ciclistas atropelados: crime, maldade ou doença?

Em 1999, o então estudante do sexto ano de medicina da Santa Casa, Mateus da Costa Meira, disparou uma metralhadora sobre a platéia do cinema do Shopping Morumbi, ferindo 4 pessoas e matando outras três. Na penitenciária Lemos Brito, em Salvador, anos depois, tentou matar um colega de cela. Seus advogados de defesa alegaram insanidade mental.
Em janeiro, o jornalista português Carlos Castro, foi espancado, desfigurado, castrado e morto por seu suposto amante, o modelo Renato Seabra, de 21 anos, num quarto de hotel em Nova York. Depois de confessar o assassinato, ele encontra-se internado no Hospital Bellevue, na condição de paciente com “perturbação mental”.
Na semana passada, o bancário José Neis avançou seu carro sobre ciclistas em Porto Alegre, atropelando quinze pessoas. Oito estão hospitalizadas. Depois de se apresentar à polícia, internou-se numa clínica psiquiátrica para “se tratar”.
Diante de horrores assim, a sociedade, incapaz de explicá-los, tem a tendência de considerá-los comportamentos “doentios”. Afinal, não é aceitável que uma pessoa “normal” os cometa. Existe um movimento de medicalizar, “psiquiatrizar” o mal. Ao considerar o crime como manifestação de doença, de alguma forma parece que isentamos o “paciente” de sua parcela de responsabilidade no ato criminoso. Ninguém adoece porque quer, certo? Ao afirmar que o assassino de ontem é o doente de hoje, a psiquiatria flerta com a possibilidade de cura no amanhã, quem sabe, para alegria da industria farmacêutica. É uma grande ousadia da ciência, que parece querer responder uma questão eminentemente teológica: como conciliar a existência de Deus com o mal no mundo? Fácil assim: basta recorrer ao CID (Código Internacional de Doenças), no capítulo de Psiquiatria.