sábado, 27 de novembro de 2010

Pacientes que não tive 10: Howard Hughes

Aviador, industrial, dono da gigante da aviação TWA, um dos homens mais ricos do mundo. Sofria de transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Tinha um medo paralisante de micróbios, medo de se contaminar. Pessoas com TOC podem ter suas vidas destruídas por medos e manias incontroláveis. Vale a pena ver o filme que conta sua vida.

Suicidas ilustres 11: Vincent Van Gogh

Póstumamente reconhecido, hoje suas obras valem fortunas inimagináveis. Mas em vida, foi uma criatura triste, fracassando em todos os aspectos da vida. Não formou família, não teve mulheres, não era capaz de prover sua própria subsistência, dependia do irmão para sobreviver, não tinha amigos, nem relações sociais gratificantes, pelo que se sabe. Foi internado num sanatório. Como mostram as pinturas abaixo, era depressivo, sendo que, sabe-se lá o porquê, cortou sua própria orelha. Tirou sua própria vida em 1890, aos 37 anos.

Perícias médicas


Pessoas que sofrem de distúrbios mentais, como depressão e ansiedade, muitas vezes ficam temporáriamente incapacitadas de trabalhar em decorrência de seus sintomas. É dever do médico que delas trata fornecer um atestado solicitando o afastamento do trabalho por motivo de saúde. Se esse tempo de afastamento for superior a 15 dias, o paciente deve procurar o INSS, e passar pela avaliação de um outro médico, o perito, do qual depende, em última instância, o pagamento ou não, dos dias sem trabalho. E é então que as coisas se complicam. O paciente quer receber. O INSS quer economizar e evitar fraudes. O paciente algumas vezes acredita que adoeceu devido ao tratamento inadequado que recebeu em seu emprego, quer também ser indenizado. A justiça do trabalho pode ser acionada. E no final, para dar uma sentença justa, o juiz precisa ser auxiliado por profissionais com conhecimento técnico e experiência na área, médicos. Psiquiatras, peritos e advogados precisam então se entender e falar a mesma língua. É nesse esforço que nos encontramos agora, aqui em Brasília. Espero voltar com boas notícias a meus pacientes.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Quando o trabalho adoece.

O termo "burnout" tem sido empregado para designar um conjunto de sintomas apresentado por trabalhadores que sofreram "esgotamento profissional", estando sua ocorrência vinculada a uma exposição contínua a fatores estressantes, emocionais e interpessoais no trabalho. Se caracteriza por sentimentos de desgaste emocional e esvaziamento afetivo; reações negativas, insensibilidade ou afastamento excessivo do público que deveria receber seus serviços ou cuidados; diminuição do envolvimento pessoal no trabalho, sentimentos de incompetência e insucesso. Começa como uma perda gradativa do entusiasmo, que evolui para uma vivência de tédio, irritabilidade, agressividade, perda do autocontrole emocional, manifestações depressivas relacionadas a decepção, indisposição e desinteresse pelo trabalho. Os indivíduos acometidos parecem estar sujeitos a uma maior incidência de consumo de àlcool e conflitos familiares. Em minha experiência acomete sobretudo professores da rede pública de ensino, que passam por desvalorização profissional, perda do reconhecimento de seu valor, desrespeito e  exposição à violência. E para completar, não tem a legitimidade de seu sofrimento reconhecida pela família e sociedade, sendo rotulados de "neuróticos" e "fracos".

Distúrbios mentais e trabalho

Aqui em Brasília, encontram-se médicos, psiquiatras, peritos e autoridades em previdência social, discutindo a questão das consequências trabalhistas dos problemas de saúde mental. Depressão, ansiedade e outras formas de estresse constituem as maiores causas de afastemento do trabalho, mas recentemente assistimos a uma verdadeira epidemia dos casos de psiquiatria no INSS e os peritos estão tendo grande dificuldade em lidar com estas questões. Estou aqui para entender como pensam esses colegas e discutir formas de resolver estes problemas. Todos os dias, afinal, atendo pacientes que passam por dificuldades para obter auxílio previdenciário, apesar de se encontrarem temporáriamente incapacitados.

domingo, 21 de novembro de 2010

You're going to need a bigger boat



A melhor trilha sonora de todos os tempos, um convite à apreciação da música instrumental, e se imaginarmos bem, da música clássica. Foi assim comigo.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Provas da existência de Deus 005: Beethoven

Sonata para piano, opus 27, nº2, "Ao Luar".
(ouvir de olhos fechados e sem pressa, ou não ouvir)



1801: em algum lugar da Áustria, por algum motivo que nunca saberemos, Beethoven sentiu algo. Consigo imaginá-lo fechando os olhos, ao mesmo tempo em que transmite esse sentimento a um papel, através de uma partitura. Duzentos anos depois, eu fecho os meus olhos e, através de sua música consigo “sentir” o mesmo que ele.
Que estranha magia é esse negócio de música. Não tem materialidade, não posso tocá-la nem vê-la, e no entanto, ela possui essa capacidade de me emocionar. Onde fica guardado esse sentimento? Está na partitura, na mente do autor, no arquivo de MP3? Quando desligar o som, para onde irá? Não seria o meu corpo, como uma vitrola, que durante um breve tempo produz uma música? E quando eu morrer, será que essa música desaparecerá? Ou continuará tocando de vez em quando, sendo ouvida e influenciando os sentimentos das pessoas a quem eu amei?

Aquele que tiver ouvidos para entender, entenda.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Epicurismo, esse incompreendido.

Epicuro (341-270 a.C.) talvez seja o filósofo interpretado de maneira mais errônea entre os pensadores.
Materialista racional, defendia a teoria atômica, acreditava que o corpo consiste numa coleção de àtomos que se separariam na morte. Estebeleceu o Princípio do Prazer como objetivo de uma vida feliz, e nisso tem sido muito mal compreendido. Para ele, os maiores prazeres eram a leitura, a introspecção, a amizade e a filosofia. Defensor do ócio e da moderação, advertia contra os perigos do sexo e da sedução carnal. Por erros históricos, o epicurismo é inadequadamente associado à idéia de orgias sensuais, libertinagem e glutonice.
De acordo com ele, a pior coisa a fazer é se preocupar com a incerteza do futuro. Sua idéia de paz interior é de viver o agora e alcançar a tranquilidade, um dia de cada vez, se possível na presença de bons amigos, o que considerava a maior riqueza.
O humilde e reservado Epicuro deve estar tremendo em sua tumba, diante da deturpação de suas idéias.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Leia a Bíblia 01: De como Abrão, conseguiu escapar com vida do Egito, acompanhado de sua muito formosa mulher

Gênesis, capítulo XII:

"10-E havia fome naquela terra, e desceu Abrão ao Egito em peregrinação;
11-E aconteceu que chegando para entrar no Egito, disse ele a Sarai, sua mulher: Ora, bem sei que és mulher formosa à vista;
12- E será que, quando os egípcios te virem, dirão: Esta é bela mulher. E matar-me-ão a mim, a fim de possuir-te;
13- Dize, pois, que é minha irmã, para que não me matem por causa de ti, que não quero morrer;
14-E aconteceu que, entrando Abrão no Egito, viram os homens sua mulher em formosura;
15- E viram-na os príncipes do Faraó, e gabaram-na diante do Faraó, e a mulher foi levada para a casa do Faraó, e o Faraó a despiu e a tomou;
17- Desagradou-se o Senhor, enviando pragas ao Faraó;
18- O Faraó mandou chamar Abrão e disse-lhe: Que me levaste a fazer? Porque não me disseste que era tua mulher?
19- Por que disseste: É minha irmã? Por isso a tomei por minha mulher; agora, pois, eis aqui tua mulher; toma-a e vai-te."

E Abrão então se foi. Assim está escrito.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Provas da existência de Deus: 004

O argumento do ateu arrependido:

Havia um ateu que andava pelo mundo a blasfemar, pois não acreditava na possibilidade de salvar sua alma. Quando ele morreu, viu que estava errado.
Portanto, Deus existe.

sábado, 13 de novembro de 2010

O não apego

Sob interessantes aspectos, o estoicismo aproxima-se de sabedorias orientais, em particular do budismo tibetano. A esperança, ao contrário do lugar comum, segundo o qual “não se poderia viver sem esperança”, seria o maior dos males. Porque ela representa a falta em si, a tensão insaciada, a dimensão do projeto, faz o indivíduo correr atrás de metas, suprema ilusão de felicidade futura, adiada, a ser construída, ainda inexistente. Estranha fuga para adiante, assim que o objetivo é alcançado, surge outro em seu lugar. Assim como tentar alcançar o horizonte: não importa quantos passos você dê, se muitos ou poucos, o horizonte continuará lá, à sua espera. Como crianças que se desinteressam pelo brinquedo no dia seguinte ao Natal, a posse dos bens tão ardentemente desejados não nos torna mais felizes do que antes. Como diz Epicteto: a vida boa é a vida sem esperanças e sem temores, a vida reconciliada com o que é, a existência que aceita o mundo tal como é. Numa atitude de não-apego aos bens deste mundo, que são passageiros.
Por exemplo, quando você vai tomar um banho de mar, quando põe a máscara para observar os peixes, você não mergulha para mudar as coisas, nem para melhorá-las ou corrigi-las, mas, ao contrário, para admirá-las e amá-las. É mais ou menos segundo esse modelo que o estoicismo nos estimula à reconciliação com o que é, com o presente tal como ele é, para além de nossas esperanças ou nossos remorsos. É para esses momentos de graça que ele nos convida, e para multiplicá-los, torná-los tão numerosos quanto possíveis, ele nos sugere, de preferência, a mudança de nossas expectativas, e não da ordem do mundo. Daí ele nos fazer outra recomendação essencial: já que a única dimensão da vida real é o presente e já que, por definição esse presente vive em perpétua flutuação, é sábio não se apegar ao que passa.
"A coisa mais divina que há no mundo
é viver cada segundo
    como nunca mais..."
 Vinícius de Moraes

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Provas da existência de Deus: 003

Argumento dos Mundos Diferentes.

Se as coisas tivessem sido diferentes no mundo, as coisas seriam diferentes.
Isso seria ruim.
Portanto, Deus existe.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Critérios diagnósticos para depressão

Baseado nas diretrizes da Associação Psiquiátrica Americana, modificado.
Humor deprimido, tristeza ou sensação de vazio. Interesse e prazer acentuadamente reduzidos pelas atividades que antes eram agradáveis. Alteração de peso, sendo mais comum o emagrecimento. Alterações de sono, como insônia ou sonolência diurna. Fadiga, perda de energia. Agitação ou retraimento. Sensação de inutilidade ou culpa, excessivos ou inapropriados. Indecisão, dificuldade de concentração, baixo rendimento intelectual, queda na produtividade no trabalho. Lembranças do passado, pensamentos predominantemente mórbidos, com elementos (muitas vezes irreais) de ruína iminente, desesperança e morte, por vezes de suicídio.
Tais sintomas causam sofrimento importante, atrapalhando no desempenho profissional, nos relacionamentos sociais e no lazer. Geralmente não são compreendidos por pessoas próximas que costumam atribuir o quadro a uma “fraqueza de caráter”, o que só agrava a situação.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Pacientes que não tive 09: James Ussher

Arcebispo de Armagh, James Ussher (Dublin, 4 de Janeiro de 1581 — 21 de Março de 1656), baseando-se na Bíblia, escreveu o livro "The Annals of the World" em 1658. Baseando-se no número de gerações, na duração média da vida humana e nas principais figuras bíblicas desde Adão e Eva até ao nascimento de Jesus, Ussher afirmou que a terra tinha sido criada às 9 horas da manhã do dia 23 de Outubro de 4004 a.C(domingo). Este teria sido o dia da criação. O dia da expulsão de Adão e Eva do paraíso foi determinado como sendo em 10 de novembro de 4004 a.C(segunda), a data da parada da arca de Noé no Monte Ararat (Turquia) em 5 de maio de 2348 a.C (quarta). Tal precisão conferiu-lhe grande credibilidade entre os seus contemporâneos.