sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Fórmula 1: Circo para Idiotas

 

Uma multidão de adultos infantilizados vai invadir a região de Interlagos, em São Paulo, neste final de semana. São crianças crescidas que continuam gostando de brincar de autorama. Nos casos mais grotescos, vem de regiões distantes, de outros estados, até de outros países. Falta algo na cabeça de alguém que paga uma fortuna por um ingresso para ficar horas ao sol (desta vez deve ter chuva) vendo o vulto de carrinhos correndo, um querendo ser mais rápido que o outro; com pilotos vestidos como astronautas, deusinhos de um mundo inacessível, de sonho e glamour, repleto de mulheres gostosas e oferecidas. Um mundo do qual o expectador não passa de um excluído de classe inferior, um reles humano, babando de inveja de seus “heróis” (intimamente sempre torcendo para ver um acidente sangrento e com morte).
Pessoas com baixa auto-estima e tendência ao puxassaquismo são capazes de ficar de quatro para lamber o chão por onde passam seus ídolos automotivos. As mulheres que se exibem seminuas ao lado dos carros seriam capazes de transar com os seus parafusos, fingindo orgasmos magníficos. Quanta gente não tenta se aproximar desse circo. Somas incalculáveis de recursos que poderiam ser úteis para a sociedade são torradas nesta idiotice. O Coliseu e seus Gladiadores só mudaram de roupa. A máxima romana continua valendo: Pão e Circo para os idiotas.

sábado, 10 de novembro de 2012

Lipoaspiração Divina

 

Perder peso ficou mais fácil. Já é possível perder 5 kg, ou mais, em apenas uma hora, sem dietas, sem remédios, sem sofrimento. Esqueça os conselhos dos médicos para deixar os chocolates, pizzas e picanhas. Deus ouviu o lamento dos homens (e principalmente das mulheres) e, em sua infinita bondade, decidiu que já é hora de livrá-los da gordura e da celulite. Emagrecimento saudável e instantâneo. Os milagres de emagrecimento tiveram início na cidade de Cariacica, próxima a Vitória. Lá, na Igreja Casa da Benção, o pastor César Peixoto observou que, após suas vigílias, as pessoas sentiam suas roupas mais folgadas. Foi aprimorando seus sermões até chegar ao que chama de “Lipoaspiração Divina”. Seus cultos são um sucesso, cada vez mais animados e concorridos. Lotados de gordinhas, aos gritos de “saia, gordura, desse corpo que não te pertence em o nome de O Senhor Jesus”. Os testemunhos são encorajadores.
A comerciante Gabriela Cordeiro, de 35 anos relata que “com a lipoaspiração divina, recuperou sua forma física, sua auto estima, e seu namorado. Graças a Deus!”.A estudante Miriam Bestowska começou a frequentar os cultos: “Sou muito gostosa, não preciso emagrecer, mas sinto que sempre saio dos cultos, de alguma forma mais leve”. As fiéis estão extasiadas...
 

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Lipoaspiração Macabra


                               
Estou para conhecer homem (artigo cada vez mais raro, segundo fontes seguras... homem que goste de mulher, não gay, nem crente fanático) que ache que a mulher da foto precisasse de retoques cirúrgicos, lipoaspiração, cirurgia de estômago ou coisa parecida. Só o cirurgião que a matou (provavelmente por que estava pensando nos seus honorários, e não no interesse dela) achou que ela precisasse de algo além de uma dieta balanceada e atividade física regular. Eu me arriscaria a sugerir uma produção leve, um pouco mais de recato e um namorado divertido, que gostasse de brincar com seu umbigo. Se me fosse solicitado, eu sugeriria aspirar o cérebro do cirurgião, não o corpo de Pamela Baris.
Nossa cultura produziu uma triste legião de mulheres insatisfeitas com o próprio corpo, que invadem consultórios onde cirurgias plásticas e lipos são sorteadas pela loteria, financiadas a crédito consignado, negociadas assim como cachos de banana na feira, prometidas como a solução de todos os problemas “afetivos”. Existem anúncios obscenos oferecendo cirurgias em consórcio, como se fosse uma moto ou um carro, um sonho de consumo. Algumas mulheres trocam próteses mamárias com a facilidade com que outras trocam de sutiã.
Qualquer homem em sã consciência adoraria apalpar as “gordurinhas” que ela resolveu lipoaspirar. Pode ser que algo lhe faltasse, como falta a todos nós, pois todos somos menos bonitos do que gostaríamos, menos inteligentes, menos justos, menos corajosos, menos competentes, menos felizes. Ser humano é ser sempre menos do que gostaríamos. Lidar com isso não é da competência da anestesia, do bisturi, da tesoura. Há algo de profundamente errado no fato de se exigir a beleza física onde ela não está, não enxergá-la onde ela existe, e colocar a vida em risco na sua procura.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Pacientes que não tive (34): o Mendigo Gato de Curitiba


Descoberto numa cracolândia de Curitiba por um caçador de talentos, o jovem mendigo encantou meninas pelo Brasil afora. Olhos azuis, expressão triste, ar de abandono, lindo de doer, comoveu legiões, fez história no Facebook. Foi acolhido por entidades humanitárias e está recebendo cuidados médicos. Em breve voltará a trabalhar como modelo.
O Dr. Marcio Vernik, psiquiatra que está acompanhando seus progressos, foi enfático: “O uso abusivo de crack acabou com 90% de seu cérebro. Grande parte de seus neurônios foi perdida para sempre, algo irreversível. Isto, no entanto, não será problema, pois ele continua mais inteligente do que a maioria dos modelos, podendo retomar sua carreira imediatamente”. Nas próximas semanas, ele estará aparecendo em comerciais na TV e fotos publicitárias, foi contratado pela agencia Celite.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Espiritismo Canino


Após milhares de anos sendo progressivamente domesticados, depois de conquistar o direito de morar nas casas dos homens, comer de suas comidas, ter acesso a tratamentos médicos, xampus e spas, nossos irmãos animais finalmente podem contar com assistência religiosa-espiritual. A ASSEAMA (Associação Espírita Animal), seguindo a linha Kardecista, é um centro espírita totalmente voltado para a espiritualidade pet, e chegou para trazer conforto aos bichinhos que sofrem. O diretor da entidade, Gilberto Marques, após proferir uma palestra aos cães, que a assistem sem latir ou brigar (lembre que o ambiente é espiritualmente evoluído), “conversa” com cada cão e gato individualmente (até com passarinhos e tartarugas), para saber o que os incomoda, e assim fazer um diagnóstico preciso de seu mal, prescrevendo a seguir o número de passes indicado para cada enfermidade. O passe é rápido e indolor, feito por médiuns experientes e suas mãos energizadas (os cães costumam adorar). Não se garante a cura, mas sim a evolução, conforme nos ensinou André Luiz: “a zoologia também é objeto do zelo dos planos espirituais” (Livro: Conduta Espírita – Autor Espiritual: André Luiz – Psicografia: Waldo Vieira – Capítulo: 33). A recomendação de Emmanuel, de que o atendimento espiritual aos animais se fizesse apenas à distancia, encontra-se hoje superada. Já é possível frequentar sessões espíritas que recebem exclusivamente a visita de espíritos animais, é possível até identificar seus latidos e ganidos, através da boca dos médiuns, espetáculo impressionante e inesquecível.
A aposentada Maria do Carmo Silva, que levou seu poodle Wellington para um tratamento, garante que o resultado foi ótimo: “Eu era cética, mas o Wellington melhorou muito, parou de se masturbar em minhas pernas e de comer suas próprias fezes. Agora, eu recomendo os passes da ASSEAMA para todos os cães vítimas de obsessões”.
O centro localiza-se no Tucuruvi, mas o espaço físico não é um problema para os espíritos. Você também pode contar com assistência espiritual telepática, basta acessar o site: http://www.asseama.com.br/

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Dia do Médico

 
Amo e me orgulho de minha profissão.
Mas não me deixo esquecer que nem sempre os médicos tem o reconhecimento que merecem.
 

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Pacientes que não tive (33): as falsas videntes presas em São Paulo


Aconteceu no bairro de Campo Belo: um publicitário de 34 anos foi abordado por duas videntes na rua. Helena Aristides (“mãe Sara”) e Nádia Angélica Marcos; graças a seus poderes mediúnicos, sendo “sensitivas” em contato com o além, o alertaram que corria perigos. Assustado, ele tirou 5 mil reais da poupança que tinha, e fez um empréstimo de mais 10 mil no banco, entregando tudo às médiuns para que não ficasse com “a vida emperrada”. Duas semanas após a conclusão dos trabalhos, depois de pensar um pouco (algo difícil para um imbecil, mesmo para um imbecil publicitário), ele se arrependeu, pediu o dinheiro de volta, mas elas se recusaram a devolver, alegando terem feito trabalhos espirituais sofisticados, coisa complicada, de merecidos honorários. Argumentaram que lidar com esses assuntos requer muito estudo e treinamento.
Há poucos dias as duas videntes foram presas, acusadas de charlatanismo . Eu pergunto: existe algum vidente que não é charlatão? Alguém conhece um vidente ou médium “sério”? Quem é assim tão sábio para determinar qual vidente é vidente de verdade, e qual é vidente de mentira? Os classificados de jornais e revistas estão repletos de anúncios de videntes, tarólogas, jogadores de búzios, que tiram dinheiro de pessoas fragilizadas. Jornais consagrados publicam colunas diárias de astrólogos “sérios”. Se eu pagar 15 mil reais para o Oscar Quiroga fazer meu mapa astral e depois me arrepender, posso mandá-lo para a cadeia por isso? Sei de médicos que encaminham doentes para tratar problemas físicos com sessões de “cura e descarrego”. Já ouvi que um psiquiatra atende esquizofrênicos, dizendo incorporar o espírito de São Lucas. Quantas pessoas não pagam fortunas para pastores de Igrejas Evangélicas, e ao se arrependerem, não tem direito a nada de volta?
Neste mundo, cheio de imbecis, eu defendo o direito que qualquer pessoa tem de ser idiota da maneira que lhe agradar. Na Igreja Evangélica, no centro espírita, no prostíbulo, na boca de fumo da favela ou no terreiro de umbanda, ninguém é obrigado a entrar. Entra quem quer. Paga quem quiser. Recebe de volta aquilo que merece e procurou. O mundo nunca foi justo mesmo... enquanto Edires Macedos enriquecem ostensivamente, alguém se dá ao trabalho de botar essa pobre bruxinha na cadeia. Mania de procurar culpados pela desgraça da condição humana. O maior inimigo de um idiota é ele mesmo. Deixem as videntes em paz!
(Na foto: Mãe Diná, vidente famosa, sob um fluxo de ectoplasma)

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Suicidas Ilustres (23): a Vidente Maria das Dores



Muito competente em seu ofício, a vidente portuguesa Maria das Dores do Socorro, surpreendeu-se ao jogar seus búzios na última semana, prevendo assim sua própria morte. Passou a ser vista cabisbaixa, perambulando pelas sombras, lamentando-se que teria apenas uma semana de vida. Tão transtornada ficou, que num momento de desespero acabou se atirando de uma ponte, fazendo com que sua previsão se concretizasse em cheio. Ficou com tanto medo de morrer, que acabou se matando antes que morresse.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Dia Mundial Sem Carro, candidata Soninha e Golfinhos no Tietê


Chegou o Dia Mundial Sem Carro. Maravilha! Vamos todos andar a pé. Faz bem para o colesterol e para quem tem tirÓide.
Felizes nesta data estão os eleitores de Soninha, na piscina do condomínio, pegando um bronze que combine com a roupinha recém-chegada da Daslu, pensando em como melhorar o mundo, enquanto outras pessoas trabalham. Ela prometeu contribuir com a luta contra o aquecimento do planeta: “é possível”, ela disse. Vai fechar a Rodovia dos Imigrantes e transformá-la numa plantação de alface orgânico, movida a energia solar limpa, com a ajuda de voluntários esclarecidos, gente moderna. Ainda vão despoluir o Tietê e enchê-lo de golfinhos.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Ciclofaixas e Idiotas


No Guarujá, onde os pobres usam bicicletas para ir ao trabalho, existem ciclovias apenas onde os ricos se dedicam ao lazer. No bairro de Moema, em São Paulo, onde os ricos que vão ao Guarujá se divertir nos fins de semana, trabalham durante os dias úteis, qualquer um pode ver uma “ciclofaixa cidadã”, abandonada e esquecida, sem uso, sequer por pobres, atrapalhando a vida de quem quer circular para fazer coisas produtivas, como trabalhar. Como disse Luiz Felipe Pondé, hoje na Folha: “Interessante como gente pobre sempre andou de bicicleta, mas agora, quando a bicicleta virou “bike”, virou assunto de prefeitura”. Quem faz apologia do ciclismo em São Paulo, como alternativa séria ao problema de transporte da cidade, ou é político (profissional da mentira), ou idiota querendo ser chique, pois um infeliz fracassado e excluído, incompetente a ponto de não conseguir comprar sequer um carro nem pensa nessas bobagens, só se ferra...

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Você, que vive infeliz, sentindo que a vida é um inferno, que pensa no suicídio como solução para seus problemas, precisa saber que existe solução. É preciso algum sacrifício, ou seja, renunciar voluntariamente a alguma coisa, em troca de outra mais importante. Como o jovem estudante, que renuncia ao prazer de passear, pelo estudo, o que lhe garantirá recompensas maiores no futuro. Pessoas do mundo inteiro comprovam a cada ano que, o aparentemente impossível pode ser realizado. A Fogueira Santa é um projeto no qual aqueles que creem são convidados a, através da fé, cobrar de Deus Suas promessas. Assim, sonhos são conquistados. Cada um faz o sacrifício de acordo com o que manda seu coração. Aos olhos de Deus, 10 mil reais de um pobre valem muito mais do que 10 milhões de reais de um rico, pois Deus é inteligente o bastante para perceber que o sacrifício do primeiro, proporcionalmente é muito maior. Através da doação voluntária de dinheiro, desde que feita com felicidade, o cristão prova a Deus que sua fé é real, e não apenas discurso vazio, da boca para fora, algo tão comum numa sociedade que vive de aparências.
Sempre na vanguarda e pensando em facilitar sua vida, a Igreja Universal do Reino de Deus permite que você envie agora mesmo seu sacrifício a Deus, através do link:  http://doacao.arcauniversal.com/Default.htm
Sua doação pode ser feita por Boleto bancário, ou pelos cartões Visa, Master e Diners. E você ainda tem a vantagem de escolher o destino de seu dinheiro, que pode ser convertido em dízimo básico, mas também destinada à construção de templos ou evangelização em rádio e TV. Seja um internaura missionário e ajude a espalhar a palavra de Deus por toda a internet, levando àqueles que vivem na angústia e na dor, a vida abundante prometida pelo senhor Jesus.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

As drogas e o canto das sereias


Terrível era o destino dos navegantes que encontrassem sereias em seu caminho. Ao ouvir seu irresistível canto, embalados por sua beleza, eles se atiravam enlouquecidos ao mar, onde se afogavam. Por isso, homens do mar experientes as evitavam. Mas o astuto Ulisses, herói da Odisséia, era um homem de interesses insaciáveis e, ao voltar da guerra de Tróia, quis correr o risco de conhecer o que de tão perigoso havia nesse (en)canto. Ao invés de desviar delas, resolveu conhecê-las. Seu plano era simples, foi firmemente amarrado ao mastro de seu navio, enquanto sua tripulação continuava remando, com os olhos fixos no chão e ouvidos tapados com cera, protegidos assim dos sons e imagens das sereias. A ideia seria que, durante a passagem do barco pelo território delas, apenas Ulisses, amarrado e impotente, pudesse contemplar seus feitiços e ter uma ideia de sua força. E assim foi. Homero nos relata que ao ouvir os cantos das sereias, Ulisses arrependido de seu plano, mudou de ideia, e quis se soltar. Não conseguindo, ficou furioso, se descontrolou, gritava, berrava e implorava para sua tripulação (que não o podia ouvir) que o libertasse das cordas, pois ele preferia se atirar desesperadamente ao mar, e ficar ali com aquelas sensações maravilhosas, até então desconhecidas e inimagináveis, mesmo que isso lhe custasse a vida. E era verdade, se tivesse sido solto ele se atiraria ao mar por vontade própria, para morrer com as sereias. Mas o barco passou, e Ulisses se viu livre do encanto para seguir não só a viagem, mas sua vida.

Toda a Odisséia, que narra a fantástica viagem de Ulisses de volta para Ítaca, após a guerra de Tróia, em meio a perigos e criaturas fantásticas, nada mais é do que a história de um homem tentando voltar para o aconchego do lar e o convívio da família, após um cansativo dia de trabalho. Em nossa jornada diária, nos deparamos com obstáculos e dificuldades, que às vezes parecem monstruosas e intransponíveis, como os Cíclopes e monstros da Odisséia.
A imagem do canto das sereias é ótima para ilustrar um problema de abordagem delicada. Falar sobre “drogas” pode ser difícil, primeiro porque é preciso discuti-las individualmente, cada uma traz questões peculiares. Os problemas decorrentes do uso de maconha são muito diferentes daqueles da cocaína, e assim por diante. Grande erro é colocá-las no mesmo “pacote” em uma discussão, o que muitos medrosos e desinformados fazem, e é isso que leva os argumentos dos idiotas que marcham pela maconha parecerem sensatos, misturar alhos com bugalhos, desviar a atenção da verdade que importa.
Nem todos sabem na prática, e não em teoria, o quanto a cocaína pode ser deliciosa; e poucas pessoas conseguem falar abertamente o que pensam sobre isso, sem mentir ou se expor. A cocaína pode ser tão extasiante quanto o canto das sereias, e fazer com que uma pessoa, que não esteja fortemente amarrada ao mastro, perca o rumo e não consiga voltar para casa. Com a maconha os problemas são outros. Quem usa maconha não está nem aí se vai ficar amarrado ao mastro, se vai se soltar, se fica, se vai, ou se foi. Ele vai rir o riso estúpido dos imbecis, numa apatia desapaixonada, independente do que aconteça. 
As sereias possuem uma arma ainda mais terrível do que seu canto: o silêncio.
 (Fraz Kafka)

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Facebook, o mural da miséria humana.



Um grande professor que tenho, dizia que a miséria humana vem à tona nas delegacias e nos consultórios de psiquiatria. Assombrados como vivemos hoje em dia pela falsa necessidade de permanente conexão à rede; essa mesma miséria humana, antes escondida, está superexposta nos maiores murais da infelicidade humana que já tive o desprazer de conhecer: as famigeradas redes sociais, em particular, o Facebbok, o melhor local para estudar o comportamento do Abominável Homem Conectado.
Humanos que somos, nos sabendo fracos, egoístas e covardes, criamos mitos de deuses incondicionalmente bons, amorosos, tremendamente poderosos (e paradoxalmente humildes). Nestes deuses, os desesperados, quando pouco inteligentes, se apegam, buscando pela salvação, que não virá nunca. Enquanto esperam, demonstram a angústia banal de sua carência afetiva, neste infeliz painel da internet (o Facebook), geralmente de maneira monótona, superficial e pouco criativa, projetando seus pobres sonhos, seus desejos infantis, suas frustrações, na forma de falso otimismo, destemor e segurança. Pelo que escrevem, até poderia parecer que as pessoas se amam,que são boas e ajudam umas às outras. Que acreditam em Deus, que seguem seus mandamentos, e por isso são respeitáveis.
Desconfio muito de gente que fala bem de si mesma e do mundo hostil em que vivemos. Isso explica a repulsa por mensagens pretensamente otimistas.  Fotos de paisagens bonitas, animais felizes em harmonia com árvores frondosas, debaixo de um Sol de brilho quase sorridente, emocionam idiotas românticos aos montes, e ilustram muito bem o desejo de transformar um mundo interno sombrio naquele falso paraíso que vemos nos desenhos de Bíblias para crianças, onde o Leão não é feroz, mas mansamente sorridente, e olha para o veadinho ao seu lado sem a intenção de matá-lo e simplesmente comê-lo, seu real (e negado desejo). A beleza dócil das boas intenções que proliferam no facebook encontra sua contrapartida na solidão de quem nele perde seu tempo.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Casais Felizes



  Reflexões sobre os Casais Felizes
O amor é frágil, sobrevive muito mal à realidade. A felicidade é uma foto sobre uma mesa, em um mundo que adora mentir sobre si mesmo. Olhando a foto do casal feliz acima, percebo como é banal nossa revolta contra a evidente ausência de sentido da vida. Todos nesse momento atiram pedras em Elize Matsunaga, como a reforçar como são diferentes dela. Existe um pacote de mentiras básicas propagadas pelas pessoas que querem ser consideradas felizes por seus próximos. Mais uma forma de intoxicação nas próprias mentiras, desses hipócritas do bem. Quase tudo é farsa na pretensa vida superbem resolvida de gente superlegal, alto-astral, que não trai o cônjuge, que ama as plantas, que protege o planeta das sacolinhas plásticas. Aqueles que trazem no rosto o sorriso idiota da capa dos livros de auto-ajuda, essa praga que ensina as pessoas a serem mais burras do que já são, exalam um fedor que sinto de longe.
Não temos como escapar da maldição da infelicidade, pois, da mesma forma que a dor, ela está programada em nossos genes. Os homens traem muito suas mulheres, isso é uma verdade desagradável, que os escravos da mania de felicidade não gostam de admitir. Existem prostíbulos de luxo em São Paulo, repletos de executivos, cujas esposas estão na academia, ambos traindo um ao outro. Claro que também existem aqueles que são fiéis às esposas, mesmo que isso implique em sua própria infelicidade. Vivem num faz de conta supremo, onde a mentira bonita é preferível ante a nauseabunda condição humana. Pois os seres humanos vivem uma realidade terrível, com medo constante do fracasso, da doença, da mediocridade. Somos vítimas de nossas incontroláveis paixões, de nossa finitude e efemeridade. Seres esquecidos e abandonados à própria sorte, somos como barcos à deriva, navegando sem rumo por um oceano desconhecido, de instintos e impulsos, que fatalmente terminará no envelhecimento, no adoecimento e na morte. Sem opções. Viva tranquilo com isso.
Um limite muito tênue e artificial nos separa desse casal infeliz. Por puro acaso essa mulher foi presa, enquanto outra tão ou mais vagabunda que ela, com um marido tão ou mais imbecil que ele, continuam aprontando por aí. Há mais assassinos soltos do que presos, nesse mundo sem justiça. Esse pobre japonês não tinha capacidade para conquistar e seduzir mulheres com seu charme (o coitado era muito feio), mas como muitos japoneses que eu conheço, se achava irresistível. Suas gorjetas de R$ 27 mil deviam ser mesmo irresistíveis para meninas pobres e gostosinhas. Me dá é pena da putinha que teve o azar de ver morrer a galinha dos ovos de ouro. Não podia acabar bem. Nunca vai acabar bem. Esteja preparado, quando sua vez chegar, e não for mais possível fugir da miséria da existência, aí você entenderá melhor, o que significa ser o habitante de um mundo sem sentido.
Tristeza não tem fim, Felicidade sim. (Vinícius de Moraes)

terça-feira, 5 de junho de 2012

Dia Mundial do Meio Ambiente: a Hipocrisia



Adoro pensar em bobagens. Bobagens repetidas à exaustão, como economia verde, desenvolvimento sustentável e inclusão social, estão na pauta diária de pessoas que se consideram inteligentinhas, mas que no fundo não passam de hipócritas sem opinião própria, repetindo como papagaios o que dita a moda do politicamente correto, para parecerem chiques diante de outras pessoas mais desinformadas do que elas, em rodas pretensamente intelectuais. Eu gosto de conversar com estes bobinhos que defendem uma vida mais “natural”, afinal sou psiquiatra e adoro conversas estranhas. Quem alega que uma vida sem “química” é melhor, como a dos “evoluídos” índios, que vivem em contato com a natureza, deveria ser coerente com seu discurso, e assim, parar de usar sabonete e pasta de dente, que são “artificiais”, e perder os dentes apodrecidos, de maneira bem natural (não existe nada mais artificial do que conservar uma dentição saudável após os 20 anos de idade). Deveria deixar de tomar antibióticos (“químicos”), e preferir o adorável bacilo da tuberculose proliferando em seu pulmão, com maravilhosas tosse e falta de ar. A vida dos índios é uma droga, que eles toleram por absoluta incompetência e falta de opção. Por azar de nascença. Índios vivem mal, comem comidas horríveis, morrem por motivos banais. Dá para acreditar que alguém prefira nascer numa tribo suja, sem conforto, no meio do mato, viver sem acesso à educação feito bicho, ao invés de nascer numa família próspera de um grande centro, comendo bem, conhecendo o mundo, tendo acesso à informação e aos prazeres da vida moderna? Apenas um imbecil, um louco, ou mais provavelmente, um mentiroso. As mentiras bonitas, ditas com orgulho idiota, a fim de causarem boa impressão, nos cercam por todos os lados. A verdade é mais desagradável. O ser humano é egoísta, ambicioso e mesquinho. Por isso o meio ambiente está condenado à degradação total. Também por isso, movidas pela covardia dos culpados, as pessoas tem esse discurso bonitinho. Hipocrisia.
Quem quiser cuidar de reduzir a emissão de carbono faça-me o favor de ir morar no mato, não acender fogueira nem para cozinhar, e leve junto o seu discurso chato.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Branca de Neve e o Caçador


Nasce um bebê. Aquele que se torna objeto da adoração dos pais, que nele tudo investem, está predestinado a substituí-los no futuro, ocupando seu espaço. Isso acontece de forma particularmente dolorosa para as mulheres, como ilustra a fábula de Branca de Neve, um conto antigo, cuja narrativa remonta a séculos na Europa, sendo sua versão cinematográfica dos estúdios Disney, de 1937, a mais conhecida. Seu título moderno é infeliz ao enfatizar os anões, quando o centro da atenção seria o destronamento da madrasta que envelhece, enlouquecida de ciúme, ante o desabrochar da beleza e juventude da filha. É um tratado sobre a tragédia feminina, os poderes, perigos e magia da beleza da mulher e da ruína que ronda o descontrole sobre as paixões, o aniquilamento do ser ante a negação do envelhecimento, da substituição, da finitude. A estória explora os poderes femininos em três gerações. A puberdade, cujo fascínio adolescente repousa inerte, passivo, desarmado, à mercê de nossa idealização, adormecido na caixa de vidro à espera do príncipe. A fase adulta da madrasta, que sabendo-se a mais bela de todas, poderosa, sedutora e desejável, não cansa de repetir a mesma pergunta ao espelho, possível olhar masculino presente na intimidade de seu quarto. Qual a mulher que se cansa de ser admirada? Todos conhecem moças que nunca param de perguntar se ainda são amadas, não adianta repetir isso mil vezes. E por fim, a bruxa, que despojada dos atrativos físicos da juventude possui outros feitiços...
Quando nasce Branca de Neve, sua mãe providencialmente morre para ser substituída pela madrasta, a quem estão todos autorizados a odiar (quem agüenta odiar a própria mãe?). Assim, a madrasta, o espelho na parede e o caçador são os pais disfarçados. Por mais poderosa que seja, a madrasta não convence o caçador a matar Branca de Neve (ele a abandona na floresta), nem consegue manter para sempre a atenção do espelho, que tudo sabe e nunca mente. Não há espaço para duas mulheres desejáveis na família, uma deverá sair. Quem são os anões? Criaturas pré-púberes (pré-edípicas), com o tamanho de crianças e barbas de velhos, ambos excluídos do jogo sexual, não representando perigo algum à inocência de Branca de Neve, companheiros de infância, advertem-na dos perigos da bruxa, sem sucesso, pois suas visitas (da Bruxa) despertam elementos sexuais reprimidos, representados pela maçã envenenada. A incapacidade de Branca de Neve em resistir à tentação a torna mais humana, seu desmaio simboliza o esmagamento ante desejos conflitantes, e seu sono letárgico, uma morte simbólica, um rito de passagem, do qual ela desperta, de indefesa, para uma nova existência, poderosa.

...e todos vivem felizes para sempre? Nada disso, a seu tempo a tragédia se abaterá sobre Branca de Neve exatamente do mesmo jeito, quando o espelho anunciar mais um destronamento. Mas desse fato as crianças são poupadas. Schopenhauer e seus seguidores, infelizmente não.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Psicologia da Religião: A Teoria do Mundo Justo


O estudo psicológico das religiões nos leva a pensar sobre esta teoria, presente atualmente em muitas das religiões em moda no ocidente. Ela afirma que existe um Deus, que é não apenas sábio e poderoso, mas também bom e justo. Esse Deus zelaria pela ordem no universo e teria interesse direto no bem-estar dos homens. Acreditar nisso, leva a consequências na percepção de como o mundo funciona. O mundo é sentido como menos hostil, baixa a expectativa de aleatoriedade e do acaso na determinação dos acontecimentos e na distribuição de alegrias e desgraças. Isso explica a constatação de que as pessoas religiosas tendem a ser mais conservadoras, menos envolvidas em propostas de mudança social e mais acomodadas diante dos infortúnios. Assim, quanto mais se acredita que Deus tem interesse nos homens, mais o mundo deve ser justo e cada um deve estar recebendo o que merece. Levando esse pensamento adiante, então quem está se dando mal na vida, deve ter feito algo para merecê-lo. Não acreditar nisso cria uma contradição, uma incongruência que precisaria ser resolvida para quem valoriza a lógica do mundo justo. Culpa-se a vítima, negando a legitimidade de seu sofrimento, a fim de proteger a fé que se professa. Ou seja, o que parece injustiça, na verdade seria consequência do pecado, caso contrário, Deus não seria bom, o que, para o religioso é impensável. Pensar nos fatos até sua consequência final pode fazer com que aqueles que acreditam na teoria do “mundo justo”, sejam mais "malvados".
Conforme nos ensina Piaget, é da natureza das crianças achar que o mundo tem formas de organização, o que permite o aprendizado e a educação. A religião, seria uma forma de pensamento que parasitaria essa predisposição mental, que é um fenômeno biológico inato do cérebro humano, conforme nos explica Renato Zamora Flores, Prof. Adjunto da UFRGS, autoridade no assunto. Ele nos mostra como o otimismo religioso do mundo justo está associado a maiores níveis de fertilidade, ou seja, pessoas religiosas tendem a ter mais filhos, o que, nos leva a um aumento na proporção de pessoas religiosas na população, no melhor estilo darwinista.
Parece mentira, mas não é: fundamentalistas religiosos acreditam que quem ganha na loteria fez mais por merecer que quem não ganhou... Continue apostando nessa ideia para ver onde acaba.

Depois faço a loteca com a patroa,
Quem sabe, nosso dia vai chegar...
E rio, porque rico ri à toa,
Também não custa nada imaginar...
(Vinícius de Moraes)

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Ironia


Parece que Pitágoras (séc.VI a.C.) teria sido o primeiro a usar o termo filosofia (philos-sophia), que significa “amor ao conhecimento”. Como o próprio nome já indica, o filósofo não se considera um “sábio” (sophos), mas alguém que procura (philos: que gosta, que tem afinidade) a sabedoria, o conhecimento. Mais do que um saber, a filosofia é uma atitude diante da vida, tanto no dia-a-dia, quanto nas situações-limite, que pressupõe constante disponibilidade para a indagação. Por isso, Platão e Aristóteles afirmaram que a principal característica do filósofo é admirar-se, ser capaz de se surpreender com o óbvio e questionar as verdades estabelecidas. Essa é a condição para problematizar, o que caracteriza a filosofia não como posse da verdade, mas sim como sua busca sem fim. Algo parecido, como me indicou minha amiga Luiza Pastor, muito apropriadamente, com a postura do bom artista, que o ranzinza aqui criticou.
Do termo eironeia, “ação de perguntar, fingindo ignorar”, veio “ironia”. No sentido atual, usamos a ironia para dizer algo expressando exatamente seu contrário. Por exemplo, afirmo que algo é bonito, na verdade insinuando que é feio. De maneira similar, para Sócrates (470-399 a.C.), a ironia consiste em perguntar, simulando não saber e, assim, provocar a reflexão e o questionamento, sobre o que antes parecia estabelecido. É uma maneira de se fazer sentir a fragilidade do que julgamos conhecido. O interessante dessa postura é que nem sempre as discussões chegam a uma conclusão efetiva, mas traz o benefício do abandono das certezas, que julgamos ter sobre os fatos. Assim como, ao estudar um assunto, paradoxalmente, o que vai aumentando é nossa sensação de ignorância, e não de conhecimento. Uma resposta só traz mais (e mais difíceis) perguntas. Sócrates vagava por Atenas interpelando os transeuntes, perguntando coisas que pareciam óbvias, como “o que é a beleza?”, “o que é a justiça?”, incentivando o diálogo e o pensamento.
Como psiquiatra, costumo dizer que as certezas me preocupam, não as dúvidas. Exemplo: um doente tem a convicção de ser Napoleão. Enquanto ele tiver uma certeza fixa disso, está numa situação muito doentia. Quando ele começar a aceitar apenas a leve possibilidade de que possa estar errado (a dúvida), temos o início da melhora. Essa convicção é um delírio, uma crença falsa, inquestionável, imune à argumentação. A dúvida, para mim, é um indicativo de saúde.
Concluindo, a filosofia é a procura, não a posse, da verdade. A ironia, um instrumento nessa busca.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Suicidas Ilustres (22): obras de Antony Gormley



Mais de vinte “suicidas” estão espalhados em parapeitos de edifícios no centro de São Paulo. Trata-se de esculturas do britânico Antony Gormley, que integram a obra “Horizonte de Eventos”. Quando perguntado a respeito, ele desconversa: “São só uns caras de metal, prefiro não comentar minhas obras, mas observar o efeito delas nas pessoas”. Os bombeiros da cidade já perceberam bem esses efeitos. Várias vezes foram chamados para acudir os “suicidas”. Espero que estes chamados falsos e repetidos, não venham a deixar sem socorro uma ocorrência de risco real.
Os artistas sempre me intrigaram com suas maluquices. Muitos deles parecem pessoas ricas, desocupadas, desconhecedores do valor do trabalho e do dinheiro, com a cabeça imensamente vazia de preocupações reais, sofrendo com besteiras das quais a maioria das pessoas riria.
Recentemente a obra “O Grito” de Munch, foi leiloada por 120 milhões de dólares. Imagino que seu proprietário sofreria mais com uma mosca fazendo cocô no quadro, do que uma mãe africana que assistisse a morte de 10 filhos por fome. Duvida?

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Provas da existência Deus: 05- Beethoven



Sonata para piano, opus 27, nº2, "Ao Luar".
(ouvir de olhos fechados e sem pressa, ou não ouvir)


1801: em algum lugar da Áustria, por algum motivo que nunca saberemos, Beethoven sentiu algo. Consigo imaginá-lo fechando os olhos, ao mesmo tempo em que transmite esse sentimento a um papel, através de uma partitura. Duzentos anos depois, eu fecho os meus olhos e, através de sua música consigo “sentir” o mesmo que ele.
Que estranha magia é esse negócio de música. Não tem materialidade, não posso tocá-la nem vê-la, e no entanto, ela possui essa capacidade de me emocionar. Onde fica guardado esse sentimento? Está na partitura, na mente do autor, no arquivo de MP3? Quando desligar o som, para onde irá? Não seria o meu corpo, como uma vitrola, que durante um breve tempo produz uma música? E quando eu morrer, será que essa música desaparecerá? Ou continuará tocando de vez em quando, sendo ouvida e influenciando os sentimentos das pessoas a quem eu amei?

Aquele que tiver ouvidos para entender, entenda.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Creme e Castigo



Depois que os hospitais psiquiátricos foram fechados, devido à falta de organização política dos médicos, em contraste com a elaborada organização política de paramédicos, que gostam de brincar de médicos, sem o peso da responsabilidade que isto traz, como acontece com os médicos de verdade, o melhor lugar para um amante da observação de comportamentos estranhos, passou a ser um Congresso de Saúde Mental, como este do qual estou participando. È verdade que sinto saudades daqueles tempos nos quais dava plantões em enormes manicômios, na companhia de doentes graves, de comportamentos bizarros e inesperados. Hoje, só os encontro nos congressos, e dando disputadas palestras. No meio de tantas discussões, um ilustre colega, ao falar sobre o problema da obesidade, deu este nome à sua apresentação: “Creme Castigo”; em referência ao maravilhoso e psicologicamente sofisticado romance de Dostoiévsky.
Diante da esperada novidade de um remédio emagrecedor eficaz, ao mesmo tempo que inofensivo, no que se refere a efeitos adversos, ele afirmou que os obesos, em geral não admitem ser obesos, quando o fazem, não estão dispostos a fazer dieta, uma vez que sempre alegam comer pouco. Quando fazem dieta, ela não funciona. E quando funciona, eles logo recuperam o peso perdido, como sempre afirmando que “não comem muito”. Mas nem tudo está perdido, novidades se anunciam...

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Cérebro, Comportamento e Emoções


Começa nesta semana, o esperado congresso. Entre os diversos temas em debate, destaco as discussões a respeito da relação entre a evolução, seleção natural, desenvolvimento da inteligência, relações sociais, pensamento lógico (científico) e persistência residual do pensamento mágico (religioso). Um processo iniciado com o surgimento de tradições entre bandos de primatas, que persiste até hoje entre grupos religiosos. Confiram os temas:

Mesa Redonda
Emoção, inteligência e relações sociais: como a evolução determina a forma como vivemos? / Emotion, intelligence and social bonds: how evolution crafts the way we live?
Coordenador: João Luciano de Quevedo (Brasil/SC)
Seleção natural e a evolução das emoções / The evolution of human emotion
Apresentadora: IVANA BEATRICE MANICA DA CRUZ (Brasil/RS)
A inteligência moldando e sendo moldada pela evolução / The concept and evolution of general intelligence
Apresentador: JOAQUIN FUSTER (Estados Unidos)
O surgimento de tradições em sociedades de primatas: evolução em tempo real / The emergence of traditions in primates: evolution in the making?
Apresentador: STEPHEN J. SUOMI (Estados Unidos)
Debate
Mesa Redonda
Religião e neurociência: a mente, o cérebro e o ambiente
Coordenador: DIOGO LARA (Brasil/RS)
Por que tantos de nós, desde sempre, acreditamos em um ou muitos Deuses?
Apresentador: RENATO ZAMORA FLORES (Brasil/RS)
The ‘GOD part of the brain’: revisitando as relações entre religião e neurociência
Apresentador: ANDRÉ PALMINI (Brasil/RS)
Debate

quinta-feira, 29 de março de 2012

Como a Psicanálise funciona



Zilda era conhecida na família como uma mulher maravilhosa. Boa mãe, boa esposa, boa filha, boa cunhada. Com um profundo sentimento de família, ajudava a todos os parentes, sempre prestativa, não media sacrifícios pelo bem do próximo. Dona de casa exemplar, exímia cozinheira. Trabalhava também como voluntária na Igreja, ajudando os pobres. Patrocinava uma ONG que enviava alimentos para crianças africanas carentes. Reciclava o lixo. Edésio, seu orgulhoso marido, dizia com justiça, que Zilda era uma santa. Todos que a conheciam concordavam.
Até que num belo dia, Zilda leu um livro de auto-ajuda de uma psicóloga famosa, que estava na moda, aparecia em todos os programas da TV. Ficou impressionadíssima. Pensativa, releu não sei quantas vezes. No princípio, retraiu-se, ficou meio quieta, calada. Isolava-se de uma maneira inédita. De repente, inesperado, o pesadelo começa. Vai até Edésio e diz: -“Minha vida está toda errada!”. O marido, de bermuda estampada e chinelos, tomou um susto: -“Que brincadeira é essa?”. E ela: -“Brincadeira nada. Nunca falei tão sério na minha vida.”. O pobre homem, espantado, não conseguia entender: -“Deixa eu te ver, olha para mim...”. Examinou a face da esposa como se a visse pela primeira vez. Perguntou: -“Você está querendo dizer que é infeliz?”. Encarou-o, inflexível: -“Muito infeliz”.   
A vida, de repente mudou. A casa não era mais a mesma. Zilda agora passava os dias choramingando, gemendo pelos cantos... –“Não sirvo para nada. A vida não presta, melhor morrer...”. O pobre marido não entendia patavina, nunca imaginara passar por aquilo. Perguntou: -“O que você quer que eu faça?”. Ela: -“Já estou cheia! Sai de perto de mim! Me deixa em paz!”. O impasse se instalou na família. Lembrava do livro da psicóloga famosa, onde lera que a mulher tem que ter vida própria. Que a mãe e a esposa vivem para os outros. Começou a dizer para o marido: -“Eu não vivo, quero ter vida própria!”. Daí para a falta de apetite foi um passo. Não via mais gosto em nada, cada vez mais amarga. Em desespero, Edésio contou a tragédia para um amigo que sugeriu: -“Leve-a ao psicanalista. É o jeito.”
Arranjaram um psicanalista. Na primeira sessão, Zilda deitou-se no divã, e o analista sentou-se de costas. Comandou: -“Pode falar”. E ela: -“Falar o quê?”. Ele: -“Não importa o quê. Fale.” Ela não abria a boca. O médico disse: -“Pode começar.” Ele estava com o relógio na mão, como a cronometrar. Após um tempo, levantou-se: -“Volte em dois dias, para continuarmos.” Ela: -“Mas eu não disse nada...” Ele esclarece: -“Sua hora terminou.” Durante duas semanas foi igual, a mesma cena, ela deitada, ele de costas, os dois em silencio. Então, ela achou que seu silencio estava custando muito caro e resolveu falar. Começou assim: -“Minha vida é uma novela...”, e não parou mais de falar. Falou por três anos seguidos, duas sessões por semana, falou sem parar, e sem ouvir qualquer resposta, opinião, ou parecer do médico. Falou que os filhos eram uma peste, que o marido era um fracassado, a sogra era uma bruxa, a família um bando de sanguessugas, os amigos, uns interesseiros. Reclamou da vida e das pessoas. Chorou várias vezes, ao contar seus infortúnios, como era incompreendida e injustiçada. O psicanalista, sempre de costas, em silencio perpétuo. Um dia, ela continuava sua interminável ladainha, quando ouve um som ou, para ser mais exato, um ronco. E pior: o ronco terminava num assovio. Levantou-se do divã, e constatou que o médico dormia. Ela maldizendo a vida, falando mal dos filhos, até do caçulinha... explicando detalhadamente todas as suas mazelas, suas tristezas, seus sofrimentos mais atrozes... e o analista dormindo. O mistério se revelara: o homem ficava de costas para dormir!
Furiosa, bate no ombro do médico. Diz: -“Doutor, doutor!”. Ele dá um pulo da cadeira: -“Quem é você?”. Pergunta: -“Não me conhece mais?”. Ele, atrás da mesa: -“O que você está fazendo aqui?”. Ela responde, surpresa: -“Sou sua cliente...” Os dois ficam se olhando, e ele começa a se lembrar: -“Minha cliente?” Quando enfim a reconhece, lhe dá uma bronca: -“Nunca mais faça isso. Não me acorde de repente. Sofro do coração. Posso morrer.” Zilda fica só olhando, mas quando ele diz: -“Pode ir”, ela não se aguenta: -“Eu aqui falando sozinha, bancando a palhaça enquanto você dorme e ronca? Meu marido é muito homem para lhe arrebentar a cara!”
O pior, ou o melhor, foi em casa, quando o marido chegou, lançou-se nos seus braços, quase o derrubando, ao mesmo tempo que soluçava: -“Você me perdoa, perdoa?”. Abraçou-se ao marido, escorregou pelo seu corpo. No seu arrependimento, beijava seus sapatos. Emocionados, os dois começaram a chorar. Foi lindo. Na hora do jantar, tomando sopa, ele quis saber: -“Meu coração, tiveste alta?”. Ela mente: -“O analista disse que já estou boa, não preciso mais”. No dia seguinte, Edésio dizia no trabalho: -“Sabe que a psicanálise resolve? Salvou meu casamento”. Piscava o olho: -“Dinheiro bem empregado”
(OBS- Esse texto é um plágio, em homenagem ao mestre Nelson Rodrigues, autor da idéia)

quarta-feira, 7 de março de 2012

Insônia

Maldita insônia
 

Eu amaldiçoo a insônia, a ela e a toda a famigerada constelação de demônios que a acompanham. Sou capaz de ouvir as risadas de Deus, nesse momento de minha agonia, em que meus fantasmas me visitam. E se comprazem de minha frágil condição humana, de minhas imperfeições, do mal que habita em mim. Maldita seja a noite em claro e seus habitantes, que vagam feito zumbis, sem pressa e s...em rumo, como os ponteiros do relógio incansável. Maldito o calor com seus mosquitos. Maldita a manhã do penoso dia que se anuncia, durante o qual, terei de, e manterei a vigília e a atenção em agonia perpétuas, na lenta espera por uma nova noite, uma nova insônia, uma nova agonia. É o castigo escolhido para mim por Zeus, diante da audácia de desafiá-lo com meu pensamento. Só não amaldiçoo a Chico Buarque de Holanda e sua “As Vitrines”, possível causa do agravamento da insônia de hoje. Obrigado, Chico, por traduzir em tão lindas palavras uma agonia tão presente e visceral. Chico Buarque é mais competente e piedoso que Deus. Boa Noite.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Será verdade que o homem esteve na Lua?


Um texto forte. Uma estória real, que não é para qualquer um: de como um famoso cosmólogo Russo conseguiu cálculos reveladores e extraordinários.

Os mistérios do universo desconhecem limites. A humanidade levou séculos para completar o mapa do mundo e até hoje persiste a discussão do local exato do jardim do Éden, de onde foram expulsos Adão e Eva. Dizem que o homem chegou até a Lua, mas muitos duvidam da veracidade desse fato. Alguns argumentam que tudo não passou de uma montagem com truques cinematográficos, para impressionar os Russos no auge da Guerra Fria. Certa vez, ouvi um argumento muito forte na defesa dessa posição. Como teria o homem atravessado o céu em suas espaçonaves, sem deparar com Anjos e Santos, com o paraíso celeste, sem fazer sequer um contato visual com Deus?

George Gamow, nascido em Odessa, em 1904, desde criança demonstrou interesse por ciências. Ficou fascinado por um microscópio que ganhou do pai, e que usou para estudar o processo da transubstanciação. Depois de fazer a primeira comunhão na Igreja Ortodoxa Russa Local, correu para casa com fragmentos do pão e gotas do vinho, colocou-os no microscópio e comparou com fragmentos de pão e vinho comuns. Não encontrou evidências que a estrutura do pão e do vinho tivessem se transformado no corpo ou sangue de Cristo. Mais tarde ele afirmaria: “nesse momento, me tornei um cientista”. A partir daí, tornou-se um físico ambicioso, conseguiu fugir para os EUA, ingressando na Universidade George Washington, onde passou a estudar os mistérios da criação, a formação de núcleos atômicos e sua relação com a origem do Universo, na ainda nascente teoria do BigBang.

Em seus estudos cósmicos, conseguiu dados inquestionáveis da distância da morada de Deus. Esse resultado se baseou no fato de que em 1904, quando estourou a guerra russo-japonesa, as Igrejas de toda Rússia se mobilizaram em preces maciças pedindo a destruição do Japão. Todos nós sabemos que, embora ortodoxos, os Russos dos tempos do Czar eram Cristãos devotos, rezavam para o Deus verdadeiro, enquanto os japoneses, ateus e xintoístas, acreditavam na divindade de seu imperador. Uma batalha desigual. É bem verdade que depois de 1917, a religião na Rússia foi combatida pelos comunistas ateus, mas as preces já haviam sido feitas e devidamente encaminhadas. O tempo haveria de castigar os comunistas no futuro. Mas o fato é que os japoneses venceram a guerra, desmoralizando os Russos. A destruição do Japão só aconteceria em 1923, ano em que foi castigado pelo terremoto de Kano. Profundo conhecedor dos mistérios da física, Gamow, compreendeu então que o lapso de tempo entre as preces fervorosas e a resposta irada de Deus contra os japoneses, fora limitado pela velocidade da luz, que não pode ser ultrapassada por nada no Universo. A partir daí, foi só fazer as contas e ele chegou ao resultado de 9,5 anos-luz de distância da Terra. Isso derruba o argumento da discussão inicial, fazendo com que seja totalmente possível de que o homem tenha chegado à Lua, que fica muuuuuito mais próxima, a apenas 400.000 km , ou 1,3 segundos-luz da Terra, cerca de 5 bilhões de vezes mais próxima de nós do que a morada de Deus.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O Poder da Mente e os Idiotas


Odeio livros de auto-ajuda. Ensinam a ser burro. Proliferam como tudo que é maligno. O povo consome literatura ruim, da mesma forma como se alimenta da revista Caras. Ao mencionar o poder da mente, os medíocres de plantão logo pensam em bobagens como o poder do pensamento positivo, o papel do otimismo na cura do câncer, levitação, mediunidade, adivinhações, telepatia, astrologia... a lista de asneiras nas quais as pessoas acreditam é espantosa. Nelson Rodrigues estava certo ao dizer que a imensa maioria da humanidade é composta de idiotas. 
 
 
No século III a.C., Um homem chamado Erastótenes, bibliotecário de Alexandria, lendo livros, ficou sabendo que existia um poço, em Siena, no sul do Egito, no qual, todo ano, exatamente no dia 21 de junho, dia do solstício de verão, o Sol brilhava diretamente dentro desse poço, iluminando-o até o fundo, em linha reta. Constatando que isso não acontecia em nenhum poço em Alexandria, foi acometido de pensamentos ousados. Esperou pelo tal dia 21, e fez uma experiência. Sabendo que naquele momento o Sol estaria sobre o poço em Siena, mas estando ele em Alexandria, tratou de fincar uma longa vareta verticalmente no chão, observando que ela projetava uma sombra, medindo essa sombra e o ângulo de inclinação que isso representava em relação ao sol, chegou ao resultado de 7,2°. 
Ele era acometido pelo incômodo hábito de pensar, aquele hábito que os livros de auto-ajuda ajudam a destruir, repetindo o óbvio como se fosse novidade. Devido a outras observações, Erastótenes achava que a Terra era uma esfera, e imaginou que, se saísse de Siena, andando em linha reta, retornaria ao ponto de partida após percorrer o equivalente a 360°, um círculo completo. Mas, se ele saísse pelo mesmo caminho e parasse em Alexandria, teria percorrido apenas 7,2° de um círculo, ou seja 1/50 da circunferência terrestre. A figura ajuda a compreender:
Sabendo a distância entre as duas cidades, foi só fazer as contas e chegar ao espantoso resultado de 39.250 Km, um erro de 2% do valor, que hoje sabemos ser de 40.100 Km. Na mesma época, homens conseguiram calcular o tamanho e distância tanto do Sol como da Lua. Mas, todos esses conhecimentos caíram no esquecimento por mais de 2.000 anos, devido a entidades como a Igreja Católica, a mesma que mandou Giordano Bruno para a fogueira e condenou Galileu, por afirmarem coisas desse tipo. Até hoje as pessoas se interessam mais pelo que o papagaio da Ana Maria Braga vai dizer sobre o Big Brother. Nelson Rodrigues tinha razão, dizia coisas desagradáveis, mas corretas.
Siena hoje se chama Assuã, famosa pela represa, que foi responsável pela mudança forçada do maravilhoso templo de Abu Simbel (foto abaixo), para que não ficasse submerso. Hoje sabemos que Siena fica próxima ao trópico de Câncer, latitude mais ao norte na qual o Sol pode aparecer bem no zênite.


Erastótenes provou que tudo que era necessário para medir o tamanho do Planeta era um homem com uma vareta e um cérebro.
Esse é o verdadeiro poder da mente.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Manhã de Carnaval


Acabei de ouvir alguém falar que isso é "música de velho".
Manhã de Carnaval é uma linda música, do Mestre Vinícius de Moraes, que enche de esperança um carnaval triste. Que lindo poder acordar pela manhã e cantar esses versos com tantas promessas. Conta a sensação de Orfeu ante a paixão por Eurídice, que o fará descer até o inferno em sua procura.




Mas isso deve mesmo ser coisa de velho, melhor é "ai se eu te pego, delícia, assim vc me mata..."

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O ponto fraco dos homens fortes...


Quando o Dr. Fábio, o veterinário, afirmou que Ludwig, meu gato (Ludini), deveria ser castrado, por muito tempo me neguei e resisti. Ele me garantiu que sua vida ia ser melhor, mais tranquila, com maior qualidade, menos stress, que ele seria mais feliz. Não consegui acreditar nisso, e Fábio compreendeu bem meus sentimentos. Disse que era a típica reação masculina, que as mulheres costumavam reagir melhor a este fato da vida felina. Após longa resistência, o fato foi consumado e percebi que ele estava com toda razão.  
Lendo a revista Veja dessa semana, chamou-me a atenção a Carta ao Leitor, com a seguinte chamada: “O ponto fraco de homens fortes”, sobre a matéria de capa, que trata da advogada Christiane Oliveira, exonerada do governo petista, envolvida até o pescoço (incluindo pernas, coxas, quadris e sabe-se lá o que mais...) em desvio de verbas da Saúde: mais de 1 bilhão de reais dos cofres públicos (que saúde!). Segundo revelações dela própria, seus encantos femininos ajudaram nas decisões de altos escalões da República, obtiveram favores e até indicações de criminosos para cargos de confiança. Homens de exemplar formação religiosa, como José Antonio Toffoli, ministro do STF (de família tão católica...tem até um irmão padre), ou Gilberto Carvalho, Ministro da Secretaria-Geral da Presidencia, ex-seminarista vivendo em um sólido casamento, ambos sucumbiram ante os encantos da linda doutora evangélica, filha do consagrado “profeta” Elói de Oliveira, fundador da Igreja Tabernáculo do Deus Vivo, financeiramente muito próspera em Maceió. Durante a campanha de Dilma, Christiane foi encarregada da sagrada missão de bem se relacionar com Igrejas Evangélicas abastadas. Ao que indica a revista Veja, ela é especialista em boas relações. Festivos encontros com poderosos eram travados em um apartamento localizado em área nobre de Brasília.
Sempre tive dúvidas se eram os homens que possuíam pênis pendurados diante de si ou se eram os pênis que possuíam homens atrás deles, a fim para carregá-los de um lado a outro, em suas perigosas aventuras. Uma dúvida persistente. Já vi homens sofrerem por seus pênis de maneiras inesperadas. São famosos os casos de psicóticos que cortaram fora seus próprios órgãos. Um paciente, nada psicótico, costumava se expor a tantos riscos de vida devido a seu incontrolável desejo sexual, que solicitou uma castração química, com remédios broxantes. Freud dava tanta importância ao pênis que afirmava sofrerem as mulheres de um tal de “complexo de castração”, e vivia se perguntando atormentado: “o que será que as mulheres querem?”. O pênis teve uma importância tão grande no catolicismo, que a Santa Igreja afirma ter Jesus nascido sem interferência de nenhum deles, bem como jamais ter feito uso do seu próprio.
O castratismo, prática de castração de jovens cantores, foi estimulado pela Santa Igreja, para que eles desenvolvessem vozes semelhantes às vozes dos anjos, que não custa lembrar, também não tinham sexo. Senhores donos de haréns também estimulavam a presença de guardas eunucos, protegendo as virtudes de suas mulheres.  Eles eram com certeza mais inteligentes do que os jogadores de futebol de hoje, que fazem papel de palhaços pelas travessuras de seus genitais. Constatamos então que a castração se constitui em uma prática com utilidades comprovadas. No passado, famílias pobres entregavam um filho à Igreja para ser castrado em troca de dinheiro. Essa prática foi piedosamente banida em 1902, pelo Papa Leão XIII. O último castrato conhecido morreu em 1922. Atualmente sobrevivem diversos homens castrados de maneira funcional, ou seja, apesar de preservarem seus testículos físicamente intactos, não os utilizam para nenhum objetivo útil. A prática clínica mostra que existem mulheres, esposas ou mães, exímias na prática da castração.
Meu veterinário, Dr. Fábio sabia bem o que estava falando. A vida de meu gato melhorou, sem dúvidas. Melhorou tanto que eu começo a pensar que esta seria uma boa solução para vários problemas humanos. Imaginemos um Governo formado totalmente por castrati, incorruptíveis, como os da foto abaixo:


Me senti muito incompreendido nesta semana ao comentar no facebook uma capa da revista Playboy, que apareceu na minha frente, no caminho para o trabalho, atrapalhando minha pacífica rotina. Afinal, uma banca de revistas só tem dois grandes tipos de revistas: um tipo, dedicado aos homens, com um monte de mulheres peladas na capa; e outro tipo, dedicado às mulheres, ensinando dietas mágicas para que elas fiquem gostosas sem uso do photoshop, como aquelas mulheres das revistas que os homens compram.
Talvez a castração seja uma solução também para mim. Poderia, entre outras coisas, olhar para as bancas de jornais e seguir inabalado, em frente, totalmente dedicado a pensamentos puros, a soluções para os sofrimentos da humanidade, a origem e o destino do universo... 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Pacientes que não tive 31: Carlos Heitor Cony




Estive pensando sobre o que levaria uma pessoa a se atribuir o título de “imortal”. Entre algumas respostas interessantes, encontrei o fato de ela pertencer a um grupo no qual seus membros assim se proclamam, como a Academia Brasileira de Letras (ABL). De acordo com seu estatuto original, elaborado por Machado de Assis e Olavo Bilac, em 1897, ano de sua criação, a ABL tem como objetivo, “o cultivo da língua e da literatura nacional”. Para se tornar um imortal, de acordo com o mesmo estatuto, o indivíduo deve ter publicado “obras de reconhecido mérito, ou livros de incontestável valor literário”. Nas sessões solenes, nas quais vestem seus fardões bordados a ouro, os imortais ainda vivos se valem de seus notórios conhecimentos, para escolher novos imortais para ocuparem vagas dos imortais que morreram. Essas sábias escolhas não elegeram autores brasileiros notáveis como Vinícius de Moraes (um crime), Monteiro Lobaro, Carlos Drummond de Andrade, Lima Barreto, Cecília Meireles, Clarice Lispector e Erico Veríssimo. Os nobres membros da ABL, consideraram de maior valor as obras literárias de Ivo Pitanguy (cirurgião plástico que é referência mundial ...em medicina), Santos Dumont, José Sarney (escritor medíocre, mas “coronel” nordestino que intimida muita gente), Assis Chateaubriand (magnata das comunicações), Roberto Marinho (líder das organizações globo), acreditem: Getúlio Vargas; e o pior de todos: Paulo Coelho, campeão de vendas de lixo literário.
Carlos Heitor Cony, ocupa desde o ano 2000 a cadeira de número três. Conheço-o por ser assinante do Jornal Folha de São Paulo, onde ele escreve quase todos os dias. Foi lá que tomei conhecimento de sua acidez, seu mau-humor crônico, sua desesperança. É um homem idoso com um olhar amargurado sobre a vida. Não conheço (nem quero conhecer) sua biografia, sua trajetória pessoal, para que ele terminasse assim, tão pessimista e destrutivo. Um homem idoso repetindo diariamente aos leitores de todas as idades que a vida não é boa, que não tem beleza, que não vale ser vivida, a meu ver não deveria ganhar um espaço tão grande num jornal como a Folha. Entre as coisas bizarras que escreveu, encontra-se: “Nos passos de João de Deus”, estranha mistura de biografia, detalhamento de viagens e tributo deslumbrado a João Paulo 2°. Incômoda contradição de uma mente perturbada. Por um lado, adoração incondicional de um Papa muito mais “político”, do que “religioso”. Por outro lado, falta de amor à vida e à beleza, falta de entusiasmo pela juventude, tristeza e desesperança crônicas.
Um homem que deixou de acreditar em Deus, por causa do resultado de um jogo de futebol... mas idolatra Papas. Pois é, se a vida parece ser ruim, sua imortalidade, que elimina o suposto alívio da morte, a torna insuportavelmente pior. Sua amargura deve ser o motor que o leva a pronunciar repetidas inverdades sobre Inri Cristo, que é seu oposto: um exemplo de esperança, de vida, alegria. Muitos alegam que Inri Cristo, ao frequentar programas humorísticos ou de entrevistas, não é um homem sério. Entendo esta situação de uma maneira diversa. Essa é uma forma inteligente e descontraída de ser conhecido pelo público jovem, levando sua mensagem de amor, esperança e otimismo, tudo o que falta nas colunas amargas de Cony. Muito menos sérios são os critérios de escolha dos imortais da ABL. 

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Coragem e covardia

Diante das muralhas de Tróia, sedento por vingança, o poderoso Aquiles desafia Heitor para uma batalha de vida ou morte. Todos sabem que Aquiles, filho de deuses que é, não será derrotado numa luta comum, desfecho desta já foi decretado por Zeus. Serenamente, Heitor fornece orientações à sua esposa, Andrómaca , pede que seu pai, Príamo, lhe perdoe por seus erros e lhe deseje sorte, empunha sua espada e parte para uma batalha de resultado conhecido. Ele sabe que vai morrer, que não há nada que possa ser feito para alterar este fato. Mesmo assim, segue adiante, sem esperança de manter qualquer coisa, além de sua honra. Ele lutará até a morte em defesa daqueles a quem ama, sem cenas, sem alarde e sem arrependimento. Simplesmente cumprirá o destino que lhe cabe. O último episódio da Ilíada, narra os funerais de Heitor, depois dos quais o destino de Tróia está selado. À imagem simbólica da morte do homem, segue-se a destruição de sua cidade.  
A beleza da tragédia grega, o que a torna tão familiar, é que entre seus personagens, como entre seus deuses, não existem bandidos nem mocinhos, vilões ou inocentes, bons ou maus, todos são movidos por interesses e emoções comuns, egoístas, vaidosas, mesquinhas. São humanos demais.

Heitor contrasta fortemente com Aquiles, pois lutava por Tróia, sua família, e sua honra. Já Aquiles lutava apenas pela glória. Existem pessoas que se identificam com Aquiles, admirando sua força incomparável, seu poder de sedução. Estes são os meninos, que sonham em ser fortes, querem ser como deuses, admirados e invejados... desejos naturais em meninos, seres incompletos que são, em formação, como todos nós já fomos um dia. Mas alguns já deixaram de sê-lo e se tornaram homens. Estes se reconhecem na figura de Heitor, que mesmo sabendo de seu trágico destino, dele não foge. Heitor é o adulto que enfrenta a batalha diária da vida, sem recuar, mesmo sabendo que no final será subjugado, morto, derrotado.  

Deixemos os gregos um pouco de lado para pensar nos Italianos. Sei que esse assunto já foi explorado à exaustão, mas não consigo resistir em comentá-lo, pois foi ele que me lembrou Heitor. Porque será que o comportamento covarde do Comandante Schettino, que se recusou a voltar a bordo do navio Costa Concordia, enquanto este afundava no mar Tirreno, em decorrência de sua própria incompetência e fanfarronice, nos choca tanto? Imagino que seja devido ao fato de que reconheçamos nossa própria fraqueza em seus atos, nossa covardia humana secreta, guardada a sete chaves. Por isso repetimos, gritando ao mundo, à imprensa, até em camisetas, nossa indignação oficializada na frase de Gregorio de Falco: “Volte para o navio, Caralho!”. Covarde é o outro, não eu, por isso preciso denunciá-lo, afinal, eu pertenço ao grupo dos bravos, me identifiquei com a figura de Heitor.

Estou com pena de Schettino. Aos 52 anos, um napolitano com perfil de bon-vivant, causou uma desgraça quando, após tomar umas taças de vinho a mais, decidiu exibir sua habilidades à bela Domnica Cemortan, de 25 anos, por quem nutria desejos pouco recomendáveis a homens como ele, casados. Como um menino que pega escondido o carro do pai para impressionar a namorada, deu no que deu. Se você não guarda nem um pouco de piedade por Schettino, não o culpo. Mas, voltando 3.200 anos no tempo, aos gregos de Homero, na IlÍada, a fundadora da literatura ocidental. Quero lembrá-lo que a guerra de Tróia, a maior travada até então, também foi causada pelo assanhamento masculino, essa incapacidade de alguns homens em resistir a um belo par de pernas. Páris, irmão de Heitor, encantou-se por Helena, a mais bela mortal. Mas, covarde que era, fugiu da luta com Menelau, marido humilhado e traído, causando a guerra que culminou na morte do corajoso Heitor. Repare em um detalhe: embora covarde, Páris não era burro. Treinou sua pontaria com arco e flecha e matou Aquiles, acertando-o no calcanhar, seu único ponto frágil, fechando o círculo.  

Para saber mais sobre Heitor ou Schettino, compare as duas postagens abaixo...

Coragem: Heitor enfrenta Aquiles

sábado, 21 de janeiro de 2012

Gravidez psicológica




Gravidez “psicológica”, pseudociese, é uma condição doentia reconhecida pela medicina. Costuma afetar mulheres muito problemáticas. Recentemente, ganhou notoriedade o caso da pedagoga Maria Verônica Santos, que afirmava estar grávida de quadrigêmeos, e posava alegremente para fotos, com uma barriga falsa, artificialmente gigantesca. Quem ela pensava que ia enganar? Até onde ela achou que chegaria? Não é preciso ser muito inteligente para perceber o quão grotesca é essa farsa. É um caso de uma mulher infeliz, que merece tratamento. Pseudociese não deve ser confundida com falsa notificação de gravidez, recurso muito comum, geralmente utilizado por mulheres frustradas, com o objetivo de chamar a atenção dos homens que perderam, ou simplesmente perturbá-los. Muitas tem objetivo de conseguir vantagens financeiras, o famoso golpe “do baú”, que garante o sustento de muita mulher incompetente, profissionais em viver disso. Doença e mau caráter são coisas diferentes. Condição biológica por natureza, a pseudociese acomete mulheres e animais. Já acompanhei alguns casos humanos. Curiosamente, em minha amostragem, ultimamente este fato tem sido mais comum em cadelas.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Afortunada Morte



Em breve vou morrer, o que me torna afortunado.
A maioria das pessoas nunca vai morrer, porque nunca vai nascer.

As pessoas potenciais, que poderiam ter nascido em meu lugar, mas jamais verão a luz do dia, são mais numerosas do que os grãos de areia em todas as praias do planeta. Esses fantasmas não nascidos, o conjunto de pessoas “possíveis” pelas combinações permitidas pelas moléculas de DNA, excede em muito as pessoas reais. Simplesmente existir já exige muita sorte. Depois de um sono não percebido de centenas de milhões de anos, contrariando possibilidades astronômicas, acordamos aqui. Como indivíduos únicos, somos abençoados por ter recebido o privilégio da oportunidade de compreender porque nossos olhos estão abertos, e porque eles veem o que veem, no curto espaço de tempo do qual dispõe, antes de se fecharem para sempre. Depois de dormir por 14 bilhões de anos sem sabê-lo, abrimos finalmente nossos improváveis olhos, que em poucos anos se fecharão de volta ao escuro atemporal. Antes que isso aconteça, nos compete desentorpecer os sentidos, imersos que estão no sedativo da rotina comum, anestesiados pelo aconchego da familiaridade, que oculta a maravilha da existência.

Viver é bom