sábado, 30 de abril de 2011

Congresso e lançamento de livro



A mais completa atualização em psiquiatria, apresentada pelos especialistas do Departamento e Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP É onde estou agora. Grande oportunidade de reencontrar meus colegas e professores. Maiores informações sobre livro e evento:
http://www.clinicapsiquiatrica.org.br/Default.aspx

quinta-feira, 28 de abril de 2011

As sacolas plásticas e o Mico-leão-dourado

Para que serve um Mico-leão-dourado?

Além de servir para fazer pouquíssimas gramas de cocô na quase extinta Mata Atlântica, numa tentativa inútil de fertilizá-la, me parece que sua utilidade é apenas de arranjar emprego para um tipo conhecido: o ecochato. O ecochato é aquele cara que não tem preocupações práticas comuns aos seres humanos médios. Normalmente um filhinho-de-papai, rico, com inteligência baixa, ego enorme, atribuindo a si mesmo uma importância muito maior do que na realidade tem, sentindo-se predestinado a salvar o mundo do capitalismo cruel, embora sempre usufruindo dos confortos deste. Vejo-o chegando no mercado em sua caminhonete 4x4, movida a diesel, consumindo todo tipo de supérfluo, a caminho do feriadão no condomínio fechado de luxo na praia. Gastando sua inútil energia na defesa de um sagüi estúpido, que não serve para nada. Esse mesmo cara quer acabar com as sacolas plásticas que me permitem o conforto de embalar minhas compras, e reutilizá-las depois para embalar o meu lixo, tão bem embalado, que nem seu fedor escapa do saco fechado, mantendo minha casa limpa e confortável.

As sacolas plásticas que eu adoro, e me são fornecidas como uma simpática cortesia pelos supermercados, são feitas de um material maravilhoso: o polietileno, derivado do petróleo que o planeta levou milhões de anos para fazer, e que não serve para comer. Custam 3 centavos a unidade. Repito: 3 centavos! Sua produção gera 30 mil empregos diretos no Brasil, em cerca de 200 empresas, que produzem 14 bilhões de sacolas/ano. O ecochato quer trocar essa sacola por outra “biodegradável”, ou seja, feita de amido de milho (belo uso para comida), que custa 10 vezes mais caro, pela qual eu teria que pagar, e que, ao invés de algumas décadas, levaria apenas 2 anos para se decompor. Em um planeta de 4,5 bilhões de anos de existência, no qual a vida prolifera a 4 bilhões de anos, habitado por saguis há 30 milhões de anos, isso não representa absolutamente nada.

Como disse o ambientalista britânico James Lovelock, a preocupação com o plástico das sacolas equivale a entrar no Titanic durante o naufrágio, e se preocupar com a reorganização das cadeiras no convés.

Para que serve uma sacola de plástico? Para embalar o mico-leão, seu cocô, e jogá-los fora.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Antidepressivo não traz felicidade

Vale a pena conferir a entrevista do Dr. Valentim Gentil, professor titular de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, diretor do Instituto de Psiquiatria do HC, de quem tive a honra de ser aluno. Ele responde a questões sobre medicação, depressão, o crime do Realengo, bullying e outros interessantes temas de saúde mental, no link:

http://blogs.estadao.com.br/sonia-racy/%E2%80%98antidepressivo-nao-traz-alegria%E2%80%99/

sábado, 23 de abril de 2011

Cristo de São João da Cruz


Pintura do espanhol Salvador Dali, de 1951. Eleita minha pintura favorita da crucificação, sem os repulsivos elementos comuns ao estilo barroco, de sangue, dor, feridas e pústulas, que muitos católicos, secretamente em sua intimidade cultuam. O autor se recusa a expor Cristo de uma maneira sanguinolenta, como levado a extremos de sadismo no recente e repugnante filme de Mel Gibson. Não existem nesta pintura pregos nem sangue. O rosto de Jesus não é retratado, convidando-nos a imaginá-lo. Sente-se o peso do mundo sobre suas costas. A obra tem uma perspectiva incomum, como se o autor fosse o próprio Deus, apreciando dos céus o sofrimento de seu filho. Apreciemo-lo também nós.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Provas da existência de Deus: 11

O argumento da Sexta-feira Santa.

Os antigos hebreus costumavam matar um animal, usualmente um cordeiro, o “bode expiatório”, que, com sua morte, levaria consigo os pecados de todas as pessoas, purificando-as. No evangelho de João, vemos que ele se refere a Jesus: “Eis o Cordeiro de Deus, aquele que livra o pecado do mundo” (João 1;29). Jesus então morreu como um bode (expiatório), num sacrifício supremo, pelos pecados de todos nós, salvando-nos da danação eterna. Um bode... misterioso é o plano de Deus. Por isso, hoje comemos apenas peixe e bacalhau, jamais carne, seja de boi ou de bode.

Portanto, Deus existe.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Tiradentes: 21 de abril

Tiradentes e seus amigos, viviam, no século XVIII, sob regras de um governo constituído, das quais não gostavam. O grupo chamado de Inconfidentes, do qual ele participava, resolveu então, tomar atitudes afim de derrubar esse governo, que já contava com quase 300 anos de tradição e legitimidade. Interessante notar que “inconfidente” significa “infiel” ou “traidor daqueles que nele confiam”, segundo o Aurélio. Como além de inconfidentes eram também incompetentes, traíram uns aos outros e foram todos presos e julgados. Como muitos elementos do grupo eram filhinhos de papai rico, com patentes superiores, apenas Tiradentes, por ser de classe social mais baixa, foi condenado à morte. Enforcado, esquartejado, aquele horror. Após a Independência, o governo acabou sendo modificado para o Império, estranho período esse, no qual o pai (Dom Pedro I ) tem cara de filho jovem e mulherengo, e seu filho (Dom Pedro II ) tem cara de pai, velho e cansado. Tiradentes estava esquecido, e assim permaneceu até que em 1889, com a chegada da República, os militares, que haviam expulsado o Imperador do país, precisavam de novos ícones de heroísmo nacional. Mitificaram então a biografia de Tiradentes, dando-lhe ares de santidade. As semelhanças de suas imagens barbudas e serenas não é acidental, pois tenta-se aproximá-lo da figura de Cristo. Observe as fotos:


 














Fica a lição: o bandido fora-da-lei de um governo é o herói de outro governo. E por causa desse monte de asneiras, neste país de preguiçosos, hoje não se trabalha.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Cálice

De que adianta ser filho da Santa,
Melhor seria ser filho da outra,
Outra realidade menos morta,
Tanta mentira...tanta força bruta.

Talvez o mundo não seja pequeno,
Nem seja a vida um fato consumado.

Chico Buarque de Holanda

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Instituto de Medicina do Além


Isso não é piada, o Instituto de Medicina do Além existe mesmo, e nesse mundo. Fica no município de Franca, na rua Tarsila do Amaral, nº50. Se você sofre de algum mal, se a medicina tradicional não resolveu suas doenças, fique tranqüilo, pois seus problemas acabaram! O médium João Berbel, 55 anos, incorpora diariamente o espírito do famoso e falecido (desencarnado em 1964) médico Alonso Y Alonso, atendendo cerca de 3.000 pacientes por semana, em cirurgias complexas que duram menos de um minuto. Embora ele use um bisturi sem lâminas e suas cirurgias sejam feitas sem cortes, no corpo espiritual, os pacientes saem com curativos e bandagens, como se tivessem levado pontos no corpo físico, podendo assim impressionar parentes e amigos. Depois, é só tomar os remédios produzidos e vendidos a preços módicos em sua generosa farmácia, que tem registro e alvará de funcionamento, farmacêutico responsável, caixa registradora (com lucros totalmente revertido para os pobres e carentes, é importante salientar) e autorização da Vigilância Sanitária do município para a produção de medicamentos fitoterápicos, exclusivos do Hospital Espírita. Estamos iniciando um movimento para que ele ajude os milhares de pacientes internados no HC, com poucas perspectivas de cura.

Se você duvida, confira por si próprio no site:

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Chico Xavier e o MacDonalds













Quem me conhece sabe. Sou um cara que procura viver sem excessos, ter uma alimentação equilibrada, não beber, fazer exercícios regularmente, caminhadas, essas coisas que os médicos sugerem (como se eles fizessem). Raramente me permito um exagero, comendo no MacDonalds, aqueles sanduíches suculentos, deliciosos e mortíferos. Na última vez que o fiz, almocei meu Big-Mac lendo uma matéria na revista Isto É, sobre o médium Chico Xavier e o fascínio que ele despertaa, sua legião de admiradores e fãs. Pus-me a pensar coisas estranhas. Sei que o Big-Mac não é saudável, está repleto de gorduras saturadas, excesso de sódio, produtos refinados, que não se compara a uma refeição leve e equilibrada, como uma salada ou cereais integrais com leite desnatado sem açúcar, etc... Então, porque mesmo assim eu o como? Porque tenho fome e gula, e o Big-Mac, embora pouco saudável, é gostoso. Sem mistério.

Pensei então na reportagem que estava lendo... Como pode tanta gente, acreditar em tanta bobagem, como reencarnação, vida após a morte, comunicação com os mortos, psicografia, , e sentir alívio com a suposta mediunidade dos charlatões? E ficou claro. As pessoas tem fome. São famintas por boas notícias, dada a quantidade de sofrimento da existência. Algumas pessoas são tão incapazes de lidar com as dificuldades da vida, que preferem acreditar em mentiras bonitinhas do que na dura realidade. Gula pura. O que os “médiuns” dizem e prometem, pode ser gostoso como um Big-Mac, mas pode fazer tanto mal quanto ele. Uma salada sem graça pode ser mais saudável, nos preparar melhor para a vida, e para o futuro sombrio que nos espera. Eu já aprendi que o povo não gosta muito de ouvir verdades. Bom apetite e boa digestão a todos.

Provas da existência de Deus: 10

O incontestável argumento do conhecimento médico:

Uma criança inocente nasceu com uma doença medonha, paralítica, surda, sem poder se alimentar pela boca, e coberta de feridas dolorosas. Nunca vai andar, ouvir música, falar com seus pais, deixar de sentir dores, nem comer pela boca, nunca vai sentir o prazer do sabor dos alimentos e guloseimas.
Mas, Deus enviou conhecimento aos médicos que, colocaram uma sonda em sua barriga, permitindo que seja alimentada pela sonda, e assim não morra de fome.
Ela continuará viva por muito tempo.

Portanto, Deus existe.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Farmácias de manipulação

Quando um paciente me pede que faça a receita, de modo que ele possa mandar fazer seu medicamento em uma farmácia de manipulação, ao invés de comprá-lo pronto numa farmácia comum, eu pergunto o porquê dessa preferência, e a resposta costuma ser a mesma: “é mais barato”. Me pergunto sempre se ele já ouviu falar que “o barato sai caro”. Ou que “não existe almoço de graça” e que “até o Santo desconfia, quando a esmola é grande”.
A maior referência em farmácias de manipulação, no Brasil, era a famosa “Botica ao Veado d’Ouro”, que funcionava há mais de 150 anos na rua São Bento, no centro histórico de São Paulo. Em 1998, descobriu-se que a mesma falsificava o medicamento “Androcur”, usado no tratamento de câncer de próstata. Mais de um milhão e trezentos mil comprimidos falsos foram distribuídos no mercado. Farinha era vendida como remédio. Pessoas morreram, e pessoas foram condenadas. Hoje, a farmácia não existe mais.
Em 2010, das 583 “farmácias magistrais” cadastradas para atuar na cidade de São Paulo, 83 foram interditadas pela Coordenação de Vigilância em Saúde (Covisa) da Secretaria Municipal de Saúde. Ricardo Lobo, gerente da Covisa afirma: “Os medicamentos manipulados não podem concorrer com os industrializados. Quando existe a prescrição na versão industrializada, o médico deve adotá-la”. Questiona-se a origem da matéria-prima, o armazenamento, a produção e fiscalização da qualidade desses produtos manipulados. O controle de qualidade é muito diferente do exigido pelas grandes indústrias, que produzem os originais de marca, os genéricos e os similares.

Por isso eu não recomendo farmácias de manipulação. Acho que saúde não tem preço.
(dados divulgados pelo Jornal do Cremesp, nº279, de março 2011)

sábado, 9 de abril de 2011

Morte na escola (Rio de Janeiro, 07 de abril)

Hoje, horrorizadas e perplexas, famílias choram suas perdas, enterram crianças. Seu sofrimento é intenso, legítimo e pavoroso. Muito já foi dito e exibido a respeito. Principalmente sobre as vítimas, os inocentes.
Sou médico, minha preocupação é com a vida e o bem estar das pessoas. Não me cabe julgar quem quer que seja. Por isso, fico tranqüilo em expressar o que sinto.
O assassino, como eu, era um ser humano. Teve pais biológicos que o geraram, e pais adotivos que o amaram, cuidaram dele. Provavelmente, a ele desejaram uma vida plena, tiveram expectativas de que fosse feliz, investiram nisso. Pelo que soube, era um rapaz isolado, sem amigos, “estranho”. Seus pais morreram e ele ficou só. Adoeceu sem que ninguém visse ou soubesse. Sem que ninguém se importasse. Tivesse ainda ele um pai, uma mãe, uma namorada, alguém que o amasse, talvez tivesse recebido cuidados. Mas ninguém percebeu a tempo. Ninguém estava lá para ver os sinais. Como as crianças, ele também está morto. Pelas circunstâncias, ninguém lembra que ele também foi uma vítima desta desgraça. Ao contrário do que se faz com os inocentes, ninguém chora sua morte. Ninguém lamenta que agora ele deva estar no inferno. Desta vez, parece que o Demônio saiu vitorioso.

Por todas as vítimas dessa tragédia, incluindo Wellington Menezes de Oliveira, sentindo-me impotente, nessa madrugada, eu verto minhas lágrimas.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Médicos param hoje

Médicos hoje deixam de atender a planos de saúde em protesto à falta de reconhecimento do valor de seu trabalho. Convênios pagam, em média 47,00 reais por consulta. Em solidariedade ao movimento dos colegas, lembro um cartaz divulgado pelo CRM, anos atrás:


segunda-feira, 4 de abril de 2011

Só os neuróticos verão a Deus

Quando me afundo na agonia, tenho dois profetas: Nelson Rodrigues e Fiodor Dostoiévski.À noite, ouço a voz do demônio do ceticismo me chamando para o seu país da solidão e sua aridez de três desertos.
Um dos efeitos clínicos do ceticismo é a indiferença para com o que os outros pensam.Tornei-me esse ser obscuro e muitas vezes cínico cedo demais. Hoje estou em companhia de Nelson Rodrigues e sua sublime obsessão pela alma atormentada. Há dias o leio e releio, assim como quem toma um remédio acima da dose, Certa feita, falando sobre sua peça "Bonitinha, Mas Ordinária", Nelson disse (respire fundo): "A nossa opção, repito, é entre a angústia e a gangrena. Ou o sujeito se angustia ou apodrece. E, se me perguntarem o que eu quero dizer com minha peça, eu responderia: que só os neuróticos verão a Deus".
Bem-aventurados os de sorriso raro e de beleza tímida. Bem-aventurados os que se desesperam, mas não desistem, porque deles é o reino dos céus.

Luiz Felipe Pondé

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Provas da existência de Deus: 9

Sobre a lógica do fato da existência do bem, bem como da necessidade da própria criação deste mesmo bem, a partir do nada vazio preexistente, sem nenhum bem, quando o vazio e o nada imperarvam sobre a face do abismo, antes da existência do bem. Muita atenção:

Se o bem existir, então deve ter sido criado por Deus.
O bem existe.
Portanto, Deus existe.